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Tom Zé diz que vai doar R$ 80 mil de comercial polêmico da Coca-Cola

Tom Zé no "Programa do Jô" - Reprodução
Tom Zé no "Programa do Jô" Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

07/06/2013 03h27

O cantor Tom Zé contou, em entrevista ao "Programa do Jô" nesta quinta-feira (6), que decidiu doar o cachê de R$ 80 mil que recebeu por um comercial da  Coca-Cola depois da polêmica gerada nas redes sociais.

Tom Zé foi criticado por narrar um comercial da Coca-Cola de março, que focava o orgulho brasileiro em receber a Copa do Mundo em 2014. Os contestadores afirmaram que o artista considerado independente e iconoclasta não deveria atrelar sua imagem à de uma multinacional como a gigante dos refrigerantes.

"O dinheiro vai para a Sociedade Lítero-Musical 25 de Dezembro de Irará", disse, se referindo à cidade baiana onde nasceu. "Foi R$ 80 mil, nunca na minha vida tinha recebido um cachê desses", falou o cantor de 76 anos.

"Todos têm direito de dar opinião na minha vida", ressaltou Tom Zé, que cantou trechos do LP que criou em resposta ao acontecimento, chamado "Tribunal do Feicebuqui". As letras contém termos como "Tom Zé mané", "velho babão", "Tom Zé bundão", "traidor", "príncipe que virou sapo", "corrompido", "garotinha ex-tropicalista" e "mentiroso". Em uma canção, Tom Zé usou como referência o primeiro discurso do papa Francisco como se o pontífice perdoasse Tom Zé pela propaganda.

Em entrevista ao UOL publicada em maio, Tom Zé comentou a polêmica, falou sobre o trabalho que surgiu a partir dele e disse que não está esbanjando. "Eu sou pobre, continuo pobre. Agora, a banda de Irará precisa e esse dinheiro estava me atrapalhando, me incomodando, resolvi doar. Estou nervoso hoje por causa disso. Estava agora com a minha mulher fazendo as contas e está um aperto 'fela da puta'", explicou, sem contar o valor do cachê.

O músico contou que a ideia do EP foi plantada pelo jornalista Marcus Preto, que atualmente escreve sua biografia. Para agilizar e dar frescor ao trabalho, novos músicos --como o rapper Emicida, o cantor Tatá Aeroplano, o produtor Daniel Maia e os grupos Trupe Chá de Boldo, O Terno e Filarmônica de Pasárgada-- invadiram a casa e o estúdio do cantor, em São Paulo.

"Foi um clima de (obra) coletiva. Um exemplo bom é a primeira música ('Tribunal do Feicebuqui')", explicou Marcelo Segreto, da Filarmônica de Passárgada. "O Tom Zé recolheu as mensagens de lá, as positivas e as negativas e passou para mim e para o Tatá fazermos uma música. Depois entrou o Emicida com seu rap. As coisas foram feitas pela mão de todo mundo", disse o músico ao UOL. Para Tom Zé, "foi uma fase maravilhosa com esse pessoal aqui em casa, esses meninos energizados, com grande capacidade musical".

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