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"Trepadeira", nova música de Emicida, é tachada de machista e gera polêmica

Do UOL, em São Paulo

23/08/2013 11h39

O novo disco do Emicida, “O glorioso retorno de quem nunca esteve aqui”, lançado nesta semana, já causou polêmica. Alguns internautas e grupos feministas reclamaram nas redes sociais da letra de “Trepadeira”, um samba rock que o rapper canta com o baterista Wilson das Neves.

A letra faz trocadilhos com plantas para falar da traição de uma mulher: “Minha tulipa, a fama dela na favela enquanto eu dava uma ripa / Tru, azeda o caruru / E os mano me falava que essa mina dava mais do que chuchu” (...) “Dei todo amor, tratei como flor / mas no fim era uma trepadeira”.

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A página da Marcha das Vadias de São Paulo diz que a música “repercute o discurso hegemônico que deprecia a mulher sexualmente livre e justifica a violência com base no comportamento dela”.

Em nota em seu Facebook, Emicida disse que acompanhou as manifestações contrárias à música durante toda a madrugada, mas que tinha um ponto de vista diferente. Endereçada a “queridas amigas militantes feministas”, Emicida diz que a música é uma resposta à “Vacilão”, de 2010, e não representa sua opinião pessoal. “Me sinto um pouco desconfortável neste papel de estar aqui "explicando" poesia, não vejo muito sentido”.

“Vale lembrar, lutamos do mesmo lado. O tema do machismo no rap é importantíssimo e deve ser debatido e combatido, assim como na sociedade como um todo. Gostaria de lembrar que já colocamos o dedo nessa ferida ao criar ‘Rua Augusta’, saindo do lugar-comum da mulher como ‘vadia/produto/objeto’, e humanizando a imagem de uma prostituta”, diz Emicida. “Se a canção ofendeu uma parcela de vocês, engulo o sapo publicamente de me desculpar e dizer que jamais iria compor algo nessa intenção”.

Após a nota, a Marcha das Vadias voltou a criticar o rapper, dizendo que a nota trazia um “tom bastante desrespeitoso” e “demonstra que o rapper não soube lidar com uma crítica vinda de pessoas sérias que buscam o fim da violência contra as mulheres”.

Confira a letra de "Trepadeira" na íntegra:

Margarida era rosa, bela, cheirosa e grampola,
pique casa das camélia, gostosa!
Bromélia, toda prosa, á me enlouquecer
bela tipo um ipê, frondosa.
É um lírio, causa delírios, mire-a,
vicio é vigiar, chique como orquídeas.
Cabelos como samambaia e xaxim flor,
perto dela as outras são capim pô.
Girassol, violeta, beleza violenta,
passou aqui como se o mundo gritasse:
ARRASA BI!!!

Flor de laranjeira ou primavera inteira,
são flores e mais flores, todas as cores da feira, irmão.
(Ô, essa nega é trepadeira hem)
Minha tulipa, a fama dela na favela enquanto eu dava uma ripa.
Tru, azeda o caruru.
E os mano me falava que essa mina dava mais do que chuchu.
(Eita nóis, aí é problema hem, cê é louco)

Você era o cravo e ela era a rosa,
e cá entre nós, gatinha, quem não fica bravo
dando sol e água, e vendo brotar erva daninha.
Chamei de banquete era fim de feira,
estendi tapete mas ela é rueira.
Dei todo amor, tratei como flor,
mas no fim era uma trepadeira.

Mamãe olhou e me disse:
Isso aí é igual trevo de três folhas,
quer comer, come, mas não dá sorte.
Vai, brinca com a sorte.

Bem me quer, mal me quer,
ó, nosso amor perfeito amargou,
tipo um jiló, Maria sem vergonha.
Eu burro, chamei de trevo de quatro folhas
e o love enraizou, fundo.
Mas você não dá, ou melhor, dá, mas pra todo mundo!
Eu quis te ver no jasmim, firmeza, no altar,
preza, "branquin", olha, magnólia, beleza,
vitória régia, brincos de princesa,
azaleia pura, Madre Tereza.
Mas não, cê me quis salgueiro chorão,
costela de Adão, raspou os cabelo de Sansão.
E tu vem, meu coração parte e grita assim:
ARRASA BI...SCATE!!!
Merece era uma surra de espada de São Jorge,
um chá de comigo ninguém pode.

Tas vendo aí parceiro?! (o quê?)
Fui dar assunto aí, virou bagunça.
Me esculachou, haha, ô sorte. (que sorte hem)
Também agora sai fora, xô xô. (vai embora pode descer a ladeira.
Vai, sai, sai andando, não merecia nem esse rap, gastando tinta com isso aí, tá louco!)
Mas que era bom, era. (verdade)