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Mais rentável, forró universitário sobrevive em meio "underground"

Falamansa foi a precursora no forró universitário com os integrantes  Alemão, Tato, Dezinho e Valdir  - Eder Nascimento/Divulgação
Falamansa foi a precursora no forró universitário com os integrantes Alemão, Tato, Dezinho e Valdir Imagem: Eder Nascimento/Divulgação

Thays Almendra

Do UOL, em São Paulo

29/08/2013 10h23

No início dos anos 2000, o forró universitário estourava nas paradas de sucesso de todo o Brasil. Casas noturnas do ritmo dominavam a noite de cidades como São Paulo e bandas como Falamansa, Rastapé, Bicho de Pé, Circuladô de Fulô e Peixe Elétrico tomavam força na música brasileira. Quase 13 anos depois, com o novo sertanejo e o funk roubando os holofotes, esses músicos dizem que o chamado forró pé de serra ainda existe em um meio “underground” e que chegam a faturar até mais do que naquela época.

O vocalista Tato, da banda Falamansa, que acaba de completar 15 anos, explica que o forró universitário ainda é “muito forte entre os jovens, principalmente, nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo”. “É claro que não tem mais aquela presença marcante na mídia, mas, independentemente disso, mantém o roteiro das casas de forró semanalmente e sempre com música ao vivo”, disse ele, um dos precursores do ritmo universitário no país com o hit “Xote dos Milagres” – que vendeu mais de 1,5 milhão de cópias.

Assista ao vídeo da banda finlandesa tocando forró universitário

Com a mesma idade, a banda Bicho de Pé seguiu o embalo do Falamansa e, na época, chegou a vender quase um milhão de cópias do primeiro disco “Com o Pé nas Nuvens”, que continha o hit “Nosso Xote”. De acordo com o empresário e baixista do grupo, Daniel Teixeira, o forró universitário ainda está espalhado pelo mundo em pequenos redutos.

“Existe um meio muito underground do forró universitário. Nós tivemos quatro turnês pela Europa, até lá existe um público e um reduto de forró que nem se imagina. As pessoas aprendem a dançar, se apaixonam e viciam naquilo. Até na Finlândia temos fãs e existe uma banda finlandesa que toca forró em português e finlandês, por exemplo”, explicou Daniel, que acredita que a banda está em uma das melhores épocas.

Tocando duas vezes por mês em uma casa noturna de São Paulo, o vocalista do grupo Rastapé, Jorge Filho, diz que o forró está fora de moda, mas tem um público tão fiel como no início dos anos 2000. “Claro que a moda agora é o sertanejo universitário. E pode ser que o forró não seja o ritmo do momento, mas tem os seus adeptos e está sempre em evidência porque é raiz”, disse ele. O Rastapé chegou a vender mais de um milhão de cópias no primeiro CD “Fale Comigo” de 2000 com o hit “Colo de Menina”.

"Não vivemos como a Ivete Sangalo, mas vivemos bem"
De acordo com o empresário da Bicho de Pé, Daniel Teixeira, mesmo perdendo boa parte de seus lucros para o forró eletrônico de bandas como Calypso e Aviões do Forró, eles fazem cerca de três shows por semana e, nos meses de junho e julho, durante as festas de São João, têm mais de 60 apresentações.

  • O vocalista da banda Rastapé, Jorge Filho, acredita que todos os grupos gostam de estar em evidência

“Vivemos melhor financeiramente, porque naquela época tínhamos gravadoras que ficavam com todo o lucro dos nossos discos. Além de termos empresários, equipe técnica e etc. naquela época. O que ganhávamos tínhamos que pagar muitas coisas, hoje enxugamos a equipe. Não vivemos como a Ivete Sangalo, por exemplo, mas vivemos bem”, disse Teixeira.

Jorge Filho, do Rastapé, explica que no início da carreira a “banda tinha que trabalhar o dobro para provar do que era capaz”. “Hoje todo mundo contrata o nosso show, temos um público fiel e não temos que provar nada para ninguém”, disse.

Também com selo independente, o Falamansa se apresenta em eventos abertos ao público contratados por prefeituras de cidades de todo o país e grandes shows. De acordo com Tato, a grande demanda por shows se deve pelo público diferenciado. “Os fãs já não são mais só os jovens universitários, mas também donas de casa, crianças, roqueiros, regueiros, pagodeiros e sertanejos. Muitos dizem até não gostar de forró, mas gostam da Falamansa”, explicou ele.

Assista ao vídeo da música "Xote dos Milagres" do Falamansa

Volta para a mídia
Nas últimas semanas, o Falamansa participou dos programas da Globo “Encontro com Fátima”, “Altas Horas” e “Esquenta”. Com tantas aparições na mídia, o grupo relembrou momentos do início dos anos 2000. Em um único dia, as bandas se revezavam em três a quatro programas naquela época.
    
De acordo com os músicos, o Falamansa está tentando investir novamente em aparições na mídia para reaproximar o forró universitário do grande público. “Estão tentando fazer com que o nosso forró se reaqueça, mas algumas rádios de São Paulo só funcionam à base do jabá”, lamentou Daniel do Bicho de Pé, que acaba de lançar o DVD “Olhando Pra Lua”, em Tributo a Luiz Gonzaga.

“Todo artista gostaria de estar em programas de televisão, rádio etc., mas acredito que o mercado está de portas abertas para o Rastapé”, disse o vocalista Jorge.

Assista ao vídeo da música "Nosso Xote" do Bicho de Pé

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