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Ivete Sangalo diz que artista não é priorizado e critica "business" do axé

Thays Almendra

Do UOL, em Salvador

31/01/2014 05h35

Depois de Saulo Fernandes dizer que o "sistema axé está gasto", a cantora Ivete Sangalo criticou nesta quinta-feira (30) a maneira como os artistas do ritmo são tratados pelos empresários do ramo musical.
 
Segundo a baiana, o artista "não é ouvido". "O artista não é priorizado dentro do esquema axé, não é priorizado no business da música. Muitos artistas estão começando e não sabem qual vai ser o rumo de suas carreiras, e são dominados por esse receio", disse ela após show no segundo dia do Festival de Verão.

Ivete não se incluiu nesse problema, mas acredita que a ânsia por seguir carreira solo --caso de Bell Marques (Chiclete com Banana), Alinne Rosa (Cheiro de Amor) e Léo Santana (Parangolé)-- aconteça por falta de valorização do artista. "É muito fácil [um empresário] dizer para o músico que ele não precisa saber de nada e insistir que vai continuar sem saber. E dizer ainda: 'Continua cantando porque essa é uma grande oportunidade para você'", falou a cantora, que alcançou sucesso na década de 1990 como vocalista da Banda Eva.

Após participação com os veteranos Asa de Águia --banda que existe há 26 anos-- no palco do Festival de Verão, a cantora Margareth Menezes disse que o problema atual do axé está na "falta de compartilhar coisas novas". "É preciso de uma renovação, deixar coisas novas acontecerem. O problema é que existe uma necessidade de tratar o axé como algo generalizado. E esquecem que a Bahia sempre foi padrão de variação musical", afirmou ela, que canta desde 1986.

Com a intenção de promover essa diversidade musical, Margareth apoiou a saída de Saulo Fernandes da banda Eva no ano passado e acredita que esse é um dos passos para abrir as portas para um novo axé. "Agora Saulo enriqueceu. Temos que dar espaço para esse tipo de talento, por exemplo".

Carnaval engessado

Assim como Saulo Fernandes, Margareth acha que a fórmula do Carnaval atual está ultrapassada. "O sistema do Carnaval está engessado. Esse sistema precisa ser mais descompromissado, como era antes, mais cultural. Isso é um apelo que faço há muitos anos", contou ela. "Precisamos trazer uma liberdade para o Carnaval deixar um espaço mais amplo e mais aberto para a gente se manifestar de todas as formas".

Ivete Sangalo, por outro lado, acredita que essas mudanças venham naturalmente com o passar dos anos. "O Carnaval vai mudando. Há dez anos não tinha os camarotes, hoje tem. Daqui dez anos não vai ter mais porque existem outras válvulas de escape. Vejo uma transformação natural do Carnaval. Outros circuitos vão existir e outros artistas também. É um ciclo".

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