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Ex-backing do Jota Quest, cantor gospel Thalles lançará disco pela Motown

Thalles Roberto
O cantor gospel Thalles Roberto Imagem: Thalles Roberto

Alexandre Coelho

Do UOL, no Rio

13/02/2014 17h08

Para Thalles Roberto, recém contratado da gravadora Universal, ter uma carreira internacional sempre esteve nos seus planos. De backing vocal da banda Jota Quest até se tornar um dos maiores fenômenos da música cristã no Brasil, o cantor terá seus primeiros testes já neste ano: um disco bilíngue e o respaldo do emblemático selo Motown.

O cantor lançará em julho um disco voltado para o público da América Latina e dos Estados Unidos, que incluirá a regravação de alguns de seus sucessos e músicas em inglês e espanhol. Em outubro, deve sair um DVD ao vivo, também direcionado ao público estrangeiro.

"Eu sempre achei que meu estilo tinha entrada lá fora, mas é difícil. É mais fácil ficar aqui, no mercado que a gente já conquistou. Mas eu sempre pensei em ter uma carreira internacional. Tenho certeza de que conseguiremos. Acredito que uma música que tenha verdade, com letra boa, uma pegada boa e uma mensagem de Deus, as pessoas vão gostar. Quem sonha e se dedica chega lá", disse ele durante um encontro com jornalistas no Rio de Janeiro.

Como fã dos artistas da Motown, pesa no meu coração a responsabilidade de ser ainda melhor. Eu temo lançar um disco com aquele selo ali na capa. É uma grande responsabilidade, mas também uma grande felicidade

Thalles

Thalles também vai integrar o cast da Motown, braço da gravadora Universal e célebre por impulsionar a música negra norte-americana, desde meados do século passado, entre eles Jackson 5, Marvin Gaye e Stevie Wonder. E, para ele, ter no currículo o nome Motown tem um peso do tamanho da história e da fama do selo de Detroit.

"Eu sempre ouvi a Motown. A negrada, que é o meu povo, é também o meu som. O nome Motown carrega um peso artístico e de qualidade muito grande. Como fã dos artistas da Motown, pesa no meu coração a responsabilidade de ser ainda melhor. Eu temo lançar um disco com aquele selo ali na capa. É uma grande responsabilidade, mas também uma grande felicidade. Deus falou assim: 'Eu vou colocar você lá, junto com seus irmãozinhos de cor'. Tem que ter gabarito para chegar lá, mas é um orgulho".

A trajetória de Thalles foi árdua. Seu estilo arrojado, tanto nas letras quanto em suas interpretações, e o som que mistura pop com soul, passando por reggae e dub, não se encaixava na tradicional música religiosa. "Meu trabalho é muito audiovisual. As pessoas querem me ouvir e me ver. É o jeito de dançar nos shows, eu vou falar com as pessoas, dou o microfone para elas cantarem. Meu público se identifica com meu jeito".

Por outro lado, segundo Thalles, muita gente o desanimou no início da carreira. "Acredito que quem me conhece vai continuar me acompanhando, e quem não conhece vai ter essa oportunidade. Acho que vai dar certo. Sempre acreditei. Acho que eu fui chamado para um ministério diferente para falar com outro público".

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A "escola" do Jota Quest

Muito do jeito despojado de Thalles tem explicação em suas origens musicais. Ex-cantor de jingles, Thalles foi descoberto por um amigo de Rogério Flausino, vocalista do Jota Quest, que ouviu uma gravação dele no rádio. Na época, a banda mineira precisava de dois cantores negros com experiência para os backing vocals, e ele foi um dos escolhidos.

"O Jota Quest foi a minha escola. Eu via o Rogério Flausino no palco, e ele é muito comunicativo, muito carismático. Acho que Deus me colocou ali para eu aprender. Apesar de, naquela época, eu estar muito perdido, muito doidão de álcool e de drogas. Mas eu olhava como ele se comportava no palco, como ele se vestia, como fazia nas entrevistas, no trato com as pessoas. Nós nos falamos sempre pelo telefone e, quando nos encontramos, sempre damos boas risadas. Eu gostaria de cantar com ele ou de fazer uma música com ele. Nunca falei isso para ele, mas tudo tem que ser na hora certa. O Jota Quest foi uma escola muito boa para mim", elogia.