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Com tributo a Cobain, Muse deixa plateia cantar em show apoteótico no Lolla

Do UOL, de São Paulo

05/04/2014 21h35Atualizada em 06/04/2014 00h46

O Muse chegou ao Lollapalooza 2014, neste sábado (5), com uma dívida para saldar com o público: compensar o show cancelado na última quinta-feira em uma pré-festa do festival por causa de problemas na garganta do vocalista Matthew Bellamy. A dúvida era se o cantor iria manter a apresentação no Autódromo de Interlagos de São Paulo, mas a banda subiu ao palco do evento --que recebeu 80 mil pessoas-- e o líder mostrou que estava com a voz praticamente intacta.

Em sua quarta passagem pelo Brasil, a banda --que não liberou a transmissão do show para a TV-- fez um espetáculo de luzes, telões e canhões de fumaça com hits escolhidos para o público cantar junto, como se fosse um reforço para a voz de Bellamy supostamente prejudicada. No repertório de sucessos entraram "Bliss", "Plug In Baby", "Hysteria", "Time Is Running Out", "Stockholm Syndrome" e até uma versão de "Lithium", do Nirvana, em homenagem a Kurt Cobain --a morte do líder do grupo completou 20 anos neste sábado.

O rock de arena com influências de heavy metal, música eletrônica e progressivo empolgou a plateia de um dia que recebeu atrações com grande apelo do público adolescente, como Lorde e Imagine Dragons. O Muse, uma bandas preferidas da autora Stephenie Meyer, ficou ainda mais popular após ter músicas incluídas nos três filmes da saga "Crepúsculo" --nenhuma delas, no entanto, entrou no repertório da noite.

Escoltada por Christopher Wolstenholme no baixo e Dominic Howard na bateria, a banda de Bellamy mostrou versatilidade tanto quanto pendia para o peso ("Stockholm Syndrome" e "Knights of Cydonia") quanto para sonoridades mais radiofônicas ("Starlight" e "Madness"). Com ar semi-blasé, Bellamy é o maestro. Faz poses, vai ao público e pede palmas. Viibra, sempre demonstrando energia. Em alguns momentos, chega a encarnar o filho arquétipo do guitar hero, arremessando sua guitarra contra o piano.

Se alguém ainda tinha dúvidas da popularidade, o grupo passou com sobras em seu derradeiro teste indie no Brasil. Com o Autódromo ainda lotado, praticamente todas as músicas foram acompanhadas com entusiamos pela plateia. Antes do Lollapalooza, o Museu também fechou uma das noites do Rock in Rio 2013.

Mudança de casa e atrações pop

O primeiro dia do Lollapalooza BR 2014 foi marcado pela surpresa da casa nova: depois de dois anos instalado no Jockey Club de São Paulo, o festival foi parar no Autódromo de Interlagos, a cerca de 18km distante do antigo local. Bem mais amplo e com mais atrações, o festival agradou pelo clima, mas recebeu críticas pela distância entre um palco e outro, separados por até 900 metros, e pela aglomeração.

falta de vazão para as cerca de 80 mil pessoas que passaram pelo evento foi uma das maiores reclamações. O público levava em torno de 30 minutos para se locomover por 250 metros. As grades e os guard rails da pista do Autódromo forçavam as pessoas a passar por apenas uma saída.

Qual foi o melhor show do primeiro dia do Lollapalooza 2014?

Resultado parcial

Total de 2236 votos
3,62%
6,57%
1,48%
28,13%
7,87%
8,63%
9,44%
4,20%
25,67%
4,38%
Total de 2236 votos

O forte sol que bateu no Autódromo durante a tarde também pegou parte do público desprevenido. Alguns improvisavam uma cobertura com os folhetos da programação do festival, enquanto outros se cobriam com bandeiras e lenços. Por causa do calor de quase 30ºC, os borrifadores de água espalhados pela extensão do local concentravam filas constantemente. Por outro lado, os posto médicos registraram baixas ocorrências de socorro.

Nos palcos, uma das bandas mais esperadas deste sábado foi o Imagine Dragons, novatos recebidos como grande atração. Pela primeira vez no país, o grupo de Las Vegas chegou com jogo ganho, embalado principalmente pelo mega hit "Radioactive". Com a turnê em andamento desde 2009, a banda anunciou que vai fazer uma pausa para descanso. "Este é o último show nosso por algum tempo, e não tinha lugar melhor para encerrar essa turnê", disse o vocalista Dan Reynolds no palco.

Fenômeno pop atual, a cantora neozelandesa Lorde também arrastou uma multidão para sua primeira apresentação no Brasil. Depois de dominar as paradas com o hit "Royals" --que ganhou versão até de Bruce Springsteen-- a popstar se baseou o show em seu disco de estreia, "Pure Heroine", e arriscou um rap na versão de "Hold My Liquor", de Kanye West.

Do outro lado do Autódromo, os franceses do Phoenix também reuniram grande público em sua terceira volta ao Brasil, dessa vez com o recém-lançado "Bankrupt!" na bagagem. Mesmo sem a força de um "Lisztomania" na manga, megahit do disco anterior, "Wolfgang Amadeus Phoenix" (2009), a banda tem um forte grupo de fãs no país.

Banda mais veterana do dia, o Nine Inch Nails quebrou a linha pop rock ensolarada que embalou toda a tarde, antes de Trent Reznor assumir o microfone. A banda emplacou uma atmosfera soturna, vigorosa e violenta com seu rock industrial, misturando instrumentos orgânicos a elementos de música eletrônica. O disco "The Downward Spiral", que completa 20 anos, foi lembrado com "Piggy", "The March of Pigs" e "Hurt".

Julian Casablancas, o vocalista do Strokes, veio com seu projeto solo e decepcionou. Ao vivo, as referências --que vão de jazz e world music até o punk rock do Black Flag e a suavidade de Sébastien Tellier-- soaram desconexas em uma confusão sonora. Dos fãs, as reações empolgadas vieram apenas dos hits do Strokes e de "11th Dimension", seu único sucesso em carreira solo.

Entre os poucos brasileiros na programação, o Nação Zumbi tocou para 1/3 do público de Lorde, que se apresentou antes, mas totalmente revigorado após férias dos palcos. Eles apresentaram três canções novas que integram o disco "Nação Zumbi", prestes a ser lançado, incluindo o novo single "Cicatriz", e que revelaram um som mais rock, cru e pesado. O primeiro dia também teve bons shows de Vespas Mandarinas, Silva, Cage the Elephant, Café Tacvba, Portugal the Man, Kid Cudi e Disclosure.

A programação de domingo reserva boas expectativas como os novatos Jake Bugg e Savages, veteranos como Pixies e Soundgarden, trabalhos novos de Vampire Weekend e Ellie Goulding, o DJ Baauer --dono do hit-sensação de 2012, "Harlem Shake"--, e os headliners Arcade Fire e New Order, que tocam no mesmo horário.

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