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Eddie Vedder abre as portas de seu mundo em show com ukulele e skate

Tiago Dias

Do UOL, em São Paulo

07/05/2014 01h00

Acostumados com o peso do Pearl Jam e das estripulias no palco de seu frontman, Eddie Vedder, os fãs da banda tiveram uma noite intimista nesta terça-feira (6), durante show solo do vocalista em São Paulo --o primeiro de cinco apresentações no país, todas com ingressos esgotados.

Munido de um banquinho e cercado de quinquilharias, violões, guitarra, bandolim e ukulele --espécie de cavaquinho havaiano--, Vedder era, nesta noite, a banda de um homem só, sem nenhum músico de apoio. Poderia, com sua aventura solo, causar protestos dos roqueiros mais xiitas. Mas foi ovacionado ao abrir seu mundo por vezes esquizofrênico, mas sincero e original, como poucos ídolos do rock já fizeram.

Com carisma e despojamento, Vedder falou em português com a ajuda de uma cola. "Meu português está uma merda. Obrigado por serem como a lua iluminando o mar e ser como a força da gravidade para eu estar aqui em São Paulo." E prometeu: "Vou entrar em uma escola para aprender seu bonito idioma".

Os fãs, que já haviam entrado no Citibank  Hall entregues, se deleitaram com o show. O palco serviu como um casebre para Vedder, que cantou acompanhado de um gravador de rolo antigo (de onde saiu o som de ondas logo na primeira canção, "The Moon Song", música de Karen O. para o filme "Ela", uma surpresa no setlist), um piano e um amplificador decorado com asas douradas. Maletas abertas guardavam partituras das tantas canções possíveis --assim como no Pearl Jam, Vedder não é chegado em setlists previsíveis no show solo.

Uma fogueira cenográfica emulava fogo e fumaça nos momentos mais bucólicos, como nas canções compostas para o filme "Na Natureza Selvagem". Na sequência, foram tocadas "Far Behind", "Guaranteed", "No Ceiling" e "Rise". O cenário, que variava entre imagem de prédios antigos e de uma tenda, deu espaço a um céu estrelado. "Me lembra as fogueiras de Seattle quando queimávamos erva." O público riu. Vedder completou. "Eu não fumo, só sinto falta da fumaça da fogueira."

Eddie Vedder interage com o público - Reinaldo Canato/UOL - Reinaldo Canato/UOL
Eddie Vedder interage com o público em seu primeiro show em São Paulo
Imagem: Reinaldo Canato/UOL

Era o ídolo de muitos despido da pose de rock star que costuma se pendurar nas estruturas do palco. Visto mais de perto do que em um show do Pearl Jam e entregue ao que uma vez chamou de "pintar um quadro com uma cor", ao explicar a carreira solo. Vedder consegue entrar em sintonia seja qual for o violão escolhido e a origem da canção: pode ser uma cover (como "The Needle and the Damage Done", de Neil Young) ou sucessos do Pearl Jam (como "Better Man", "Driftin'", "Porch" e "Parting Ways").

Pedaços de seu mundo inquieto e desafiador. Quando a apresentação caminhava para a seara folk, o músico apareceu no palco andando com um de skate ou sacando uma garrafa de cerveja escondida. Para fazer mais barulho na percussão em seu pé, deu a garrafa para um fã e grudou a tampa na sola do tênis, em "I Believe In Miralcles" (Ramones).

Até mesmo a performance vocal do músico, uma das mais marcantes do rock e do grunge dos anos 90, ganha sutilezas, da inquieta "Bugs" ao cântico "Arc", canções mais obscuras de sua banda. Com as surpresas, o público pediu músicas durante toda a apresentação. "Não ouço nem vejo nada, devo estar ficando velho", caçoou. À vontade, deu atenção aos gritos femininos: "Ouvi uma mulher gritando que quer dormir comigo? Sabe como é, o homem só ouve o que quer ouvir. Não que seja o caso", disse.

Em "Elderly Woman Behind the Counter in the Small Town", Vedder foi à beira do palco com o violão, enquanto o público entoava a canção a plenos pulmões. Antes, estavam todos aos risos quando o cantor chamou para o palco o irlandês Glen Hansard, que havia feito o show de abertura. A plateia, porém, gritou por outro irlandês, Bono Vox. "Esse é amanhã", brincou o cantor. Com o convidado ao lado, apresentou o músico em português, dizedo "ele gosta de pornô". Errou a introdução da canção e se desculpou: "Difícil tocar com pornô na cabeça".

Com a guitarra em punho, encerrou a apresentação com "Hard Sun", da banda Indio. O cenário deu vez a uma imagem do céu e do mar azuis. O público se despediu das duas horas de pura intimidade com o músico, enquanto ele se deitava no palco.

Confira o setlist:

The Moon Song
(cover de Karen O)

Can't Keep
(Pearl Jam)

Without You
Sleeping by Myself

More than You Know
(cover de Vincent Youmans)

Sometimes
(Pearl Jam)

Immortality
(Pearl Jam)

The Needle and the Damage Done
(cover de Neil Young)

Driftin'
(Pearl Jam)

Good Woman
(cover de Cat Power)

Thumbing My Way
(Pearl Jam)

Far Behind

Guaranteed

No Ceiling

Rise

Better Man
(Pearl Jam)

Lukin
(Pearl Jam)

Hold on for Your Dearest Life
(cover de Name Taken)

Porch
(Pearl Jam)

Bis:

Just Breathe
(Pearl Jam)

Unthought Known
(Pearl Jam)

Crazy Mary
(Cover de Victoria Williams)

Sleepless Nights
(cover de The Everly Brothers, tocada com Glen Hansard)

Society
(cover de Jerry Hannan, tocada com Glen Hansard)

Falling Slowly
(cover de The Swell Season, tocada com Glen Hansard)

Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town
(Pearl Jam)

Parting Ways
(Pearl Jam)

I Believe in Miracles
(cover de Ramones)

The End
(Pearl Jam)

Arc
(Pearl Jam)

Bugs
(Pearl)

Hard Sun
(cover de Indio, tocada com Glen Hansard)