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Após sucesso meteórico, "bandas coloridas" vivem momento cinzento

Patrícia Colombo

Do UOL, em São Paulo

07/08/2014 07h00

Há menos de cinco anos, as bandas Cine e o Restart dominavam as paradas musicais nacionais e causavam alvoroço aonde quer que fossem. Após prêmios da extinta MTV Brasil, vaias, avaliações críticas sobre a importância delas no cenário musical e milhares de fãs espalhados pelo país, o que se vê no mainstream hoje, após tão curto tempo, é o foco em gêneros como o sertanejo e o funk ostentação. Mas os grupos seguem na ativa e em constante produção embora os holofotes tenham mudado de direção.

A Cine, por exemplo, que lançou “Flashback” (2009) e “Boombox Arcade” (2011), levou estatueta de banda revelação no Video Music Brasil e banda revelação e melhor banda nos prêmios Multishow de 2009 e 2010, respectivamente, vive a calmaria dos dias atuais, distante da fase dos hits  "Garota Radical" e "Se Você Quiser". Colocou um EP no mercado no ano passado, “Verano”, que conta com participação de MC Guimê, e atualmente segue divulgando faixas inéditas em pílulas mensais para abastecer os fãs com novidades. “Não nos importamos com essa ‘baixa’. Isso tudo faz parte do mercado”, comenta o baterista Dave Casali ao UOL. “Quando estouramos na mídia, mal conseguíamos passear no shopping e hoje estamos mais tranquilos. Não paramos nunca de produzir e nunca encaramos nada disso como dificuldade. Da mesma forma que aconteceu para nós naquela época, pode acontecer novamente com materiais novos.”

O produtor Rick Bonadio, que supervisionou a produção do disco de estreia da banda Caps Lock ("Um Pouco Mais", de 2007) , outra da mesma geração pop rock, concorda com as instabilidades do mercado, mencionadas pelo baterista. “O segredo é cada artista saber que pode ter seu momento de baixa, mas se manter firme e respeitar seu repertório. Existem grandes chances de ele se tornar grande novamente em algum momento. Já vimos isso acontecer com as bandas dos anos 80 que desapareceram entre os anos 90 mas voltaram e hoje estão firmes”, afirma. “Mas de um modo geral a arte no mundo tem se tornado cada vez mais fugaz. Nossos ídolos eram mais duradouros. Acredito que isso se deva ao advento da internet que torna o acesso a tudo muito rápido e consequentemente acaba cansando rápido também.”

Dave conta que há planos para a produção de um álbum de inéditas em um futuro próximo, mas que a princípio o grupo pretende investir na divulgação das faixas inéditas. A formação completada por Diego Silveira (DH), Bruno Prado, Danilo Valbusa e Pedro Caropreso (Dash), segundo Dave, se encontra mais amadurecida. “Crescemos tanto em idade quanto em conhecimento musical. Eu já tenho 30 anos e, claro, ouço coisas que não ouvia antes. Estamos acrescentando metais nos nossos shows, o que já é um reflexo disso. Acredito que todo mundo tem tido seu grau de evolução”, comenta. O visual sóbrio é o aspecto mais nítido da nova fase.

No ano passado a banda se apresentou no festival South by Southwest, que acontece anualmente em Austin, no Texas. O show, aliás, encerrou a turnê de oito datas pelos Estados Unidos, que passou por Las Vegas, San Diego e Phoenix.

Dividindo opiniões do público até hoje, ele afirma, no entanto, que a evolução não vem munida de arrependimento quanto ao que foi produzido no passado da banda. “Muito pelo contrário. Tudo o que fizemos foi de acordo com o que planejamos”, diz. “Eu acho que naquela época tínhamos um direcionamento maior ao público adolescente mesmo. Hoje em dia queremos algo mais neutro. Se conseguirmos agradar os dois públicos será ótimo. Eu diria que temos Skank, Paralamas do Sucesso e Charlie Brown Jr. como as nossas maiores influências hoje em dia.”

Restart
Os contemporâneos do Restart, formado por PeLanza, PeLu, Koba e Thomas, também vivem fase de “calmaria” em termos de mercado nacional, argumentam maturidade atingida, lançaram EP também em 2013, intitulado “Renascer”, e andam divulgando carreira internacional em países da América Latina. “Claro que o Restart perdeu a popularidade inicial. É a ordem natural das coisas e ninguém fica no ápice o tempo inteiro”, comenta o produtor da banda, Marcos Maynard.

Sobre o referido amadurecimento dos integrantes, o produtor cita Roberto Carlos. “Eu o vi cantando rocks como ‘Namoradinha De Um Amigo Meu’ a baladas como ‘Detalhes’ anos depois. Roberto foi mudando ao longo dos anos e o público seguiu acompanhando sua genialidade. O mesmo aconteceu com o Paul McCartney. Isso pode acontecer com muitos artistas. Se o Restart conseguir amadurecer com os fãs, durarão muitos anos no mercado.”

A faixa “Poesia”, que os fãs conhecem desde o ano passado, ganhará nova versão com influências de reggae e será divulgada nas rádios ainda neste semestre. “Pelas mudanças no mercado, é mais inteligente trabalhar as canções individuais em um primeiro momento”, comenta. “Quem sabe mais para frente sai um disco, mas não por enquanto.”

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