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Chitãozinho e Xororó regravam Tom Jobim com viola: "Ele era um sertanejo"

Chitãozinho e Xororó extraem essência sertaneja das canções de Tom Jobim em novo disco - Junior Lima/Divulgação
Chitãozinho e Xororó extraem essência sertaneja das canções de Tom Jobim em novo disco Imagem: Junior Lima/Divulgação

Tiago Dias

Do UOL, em São Paulo

09/12/2014 07h00

Um dos maiores compositores do século 20, Antonio Carlos Jobim não foi apenas um dos pais da bossa nova, e sua obra não apenas abrange o jazz, a música erudita e o samba. Vinte anos após sua morte --completados nesta segunda (8)--, Tom é relembrado pela simplicidade e pela poesia de um Brasil profundo, mais rural. Prestes a lançar um álbum em homenagem ao compositor, a dupla Chitãozinho & Xororó não tem dúvidas: Tom Jobim era um compositor sertanejo.

"Tom do Sertão" - Divulgação - Divulgação
"Tom do Sertão" traz releituras da dupla para canções de Tom Jobim. Álbum será lançado em janeiro
Imagem: Divulgação
“Ele escrevia canções sobre a natureza, mas as duplas sertanejas não cantavam. Se alguma tivesse se interessado na época, teriam saído coisas maravilhosas”, defende Chitãozinho, em entrevista ao UOL sobre o álbum “Tom do Sertão”, com lançamento previsto para janeiro. “No íntimo, ele era um compositor de música sertaneja. Quando você ouve o som e os arranjos, você percebe isso.”

A ideia de revisitar o vasto cancioneiro jobiniano é antiga. Fãs do maestro, Chitãozinho e Xororó conquistaram a confiança e conseguiram colaboração da viúva do compositor, Ana Jobim, que cedeu a eles o baú de Tom com suas partituras e anotações.

“Pensamos nesse disco há muito tempo, mas o título veio apenas no ano passado. A ideia sempre foi cantar as músicas dele, mas não da maneira da bossa nova, e sim, do nosso jeito, do jeito sertanejo”, conta. “Encontramos inúmeras coisas maravilhosas, e acabou virando um disco mais sertanejo do que imaginávamos.”

Entre os sucessos já assimilados no imaginário brasileiro, há a regravação de “Águas de Março”, “Se Todos Fossem Iguais a Você” e “Correnteza”.

A última (ouça e assista ao clipe aqui), peça clássica imortalizada no disco “Urubu” (1976), é acompanhada de viola e acordeom, o que realça as imagens bucólicas presentes na letra, como “E choveu uma semana e eu não vi o meu amor / O barro ficou marcado aonde a boiada passou / Depois da chuva passada céu azul se apresentou  / Lá na beira da estrada vem vindo o meu amor / vem vindo o meu amor / vem vindo o meu amor”.

Não a toa, a música foi tema da novela "O Rei do Gado", na voz de Djavan. Para Chitãozinho, a canção sempre foi muito sertaneja. “É que ninguém tinha gravado ela com uma viola ainda”, argumenta.

A simplicidade da vida no campo e a força que os elementos da natureza têm sobre a obra de Jobim é o elo principal no álbum. Canções como “Chovendo na Roseira”, cantada por Elis no seminal “Elis e Tom” (1974), “Estrada Branca”, conhecida do repertório de Elizeth Cardoso, e “Caminho de Pedra” se destacam na releitura dos sertanejos.

“Demos um tratamento para o disco respeitando as harmonias. Não mudamos nada, só o jeito de cantar. Tivemos um trabalho muito grande para colocar a segunda voz, porque são harmonias difíceis, mas chegamos a um ponto bom”, explica o cantor. O álbum deve ser acompanhado de uma turnê nacional e um DVD. “Queremos mostrar esse Tom para todo o país.”

Chitãozinho aposta: Tom teria gostado da homenagem. “Eu o vi pessoalmente uma vez. Foi a única vez, fui até ele em um restaurante e conversei um pouquinho. Ele falou que a gente tinha muito talento. E eu nunca me esqueci disso”, conta.

Especial Tom Jobim

  • Montagem/UOL

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