Música

Morre José Rico, da dupla sertaneja Milionário e José Rico

Do UOL, em São Paulo

03/03/2015 15h41Atualizada em 03/03/2015 21h47

O músico José "Rico" Alves dos Santos, voz principal da dupla Milionário e José Rico, morreu nesta terça-feira (3), aos 68 anos, no Hospital da Unimed de Americana, interior de São Paulo.  De acordo com um comunicado divulgado pela assessoria de imprensa, a morte ocorreu às 14h18 por infarto do miocárdio.

O velório ocorre nesta terça-feira, desde das 20h, na Câmara Municipal de Americana, e é aberto ao público. O corpo será sepultado no Cemitério da Saudade, na mesma cidade. O horário do enterro ainda não foi divulgado.

A notícia da morte foi divulgada na página oficial dos artistas no Facebook. "É com muita dor no coração e profunda tristeza que comunicamos o falecimento do nosso ídolo José Rico", diz o comunicado. O cantor de sucessos como "Estrada da Vida" foi internado pela manhã, em Americana (SP), com problemas no coração, rins e joelho, ainda segundo a nota. 

"Vamos rezar por este homem que tanta alegria nos deu. É impossível descrever nossa tristeza, estamos todos em estado de choque", conclui a nota.

De acordo com a assessoria de imprensa, a dupla fez shows no sábado e no domingo no interior de São Paulo. José Rico teria sentido fortes dores na perna e cantou sentando em um banquinho.

Ainda segundo a assessoria, o músico tinha previsão de alta do hospital para esta terça e voltaria para São Paulo na quarta-feira, onde faria uma participação no programa "Ritmo Brasil", da RedeTV!.

Um dos últimos registros da dupla, que vendeu 35 milhões de discos em 43 anos de carreira, é uma participação no DVD ainda inédito de Victor e Leo, gravado no dia 29 de janeiro, em São Paulo. Na ocasião, a dupla cantou a música "Estrada Vermelha", composta por Victor.

Biografia

Nascido em São José do Belmonte (PE) e criado na cidade de Terra Rica, Paraná, o cantor adotou o nome artístico de José Rico em referência à cidade. Participou de outras duplas até mudar-se para a capital de São Paulo, em 1968. Lá, conheceu Romeu Januário de Matos, o Milionário, no hotel em que estavam hospedados. 

Depois do início em São Paulo, a dupla mudou-se para Londrina (PR). Lá começaram a cantar em um estúdio de gravação de jingles comerciais. Foram apresentados à gravadora Chantecler em 1973, pelo compositor Prado Júnior, que também trabalhava na produção de jingles. Em 1982, a dupla alcançou grande sucesso com "Tribunal do Amor".

Entre os sucessos de Milionário e José Rico estão músicas como "Jogo de Amor", "De Longe Também se Ama", "O Tropeiro", "Amor Dividido" e especialmente a canção rancheira "Estrada da Vida", que vendeu mais de dois milhões de cópias e deu origem ao roteiro do filme homônimo, dirigido por Nelson Pereira dos Santos.

Apesar de não estarem mais no "mainstream" da atual música sertaneja, o sucesso da dupla Milionário e José Rico continuava pelo interior do país, em festas de peão e em lugares improváveis, como um restaurante em São Bernardo do Campo, onde a reportagem do UOL acompanhou um show da dupla em 2013.

"A gente folga janeiro e fevereiro, depois do Carnaval começa. De 15 a 20 shows por mês. Só em Franca a gente já cantou 203 vezes, e vamos voltar agora de novo. Estivemos sábado em Paranavaí, com chuva e tudo, deu 15 mil pagantes", contou na época José Rico.

Naquele dia, a histeria dos fãs, de todas as faixas etárias, quase atrasou o show. Mas José Rico era o retrato da simpatia. Chegou de óculos escuros, o bigode (sua marca registrada que, segundo ele, era inspirado no visual de Raul Seixas), bota de pele de arraia, cheio de anéis nos dedos, colares no pescoço, camisa aberta até a altura da barriga e a unha do dedo mindinho sempre grande e pintada de vermelho.

Ao tentar explicar a longevidade da dupla em seus então 43 anos de carreira, José Rico filosofou: "O segredo do sucesso é simplicidade e humildade. A música também, claro. Mas a maneira como a gente conduz é diferente de muitos outros. Porque fazer sucesso é fácil. Difícil é manter. O cara faz um sucesso e já quer ser dono do mundo. Isso tudo é frescura. A arte não gosta disso. A arte e o artista têm uma diferença muito grande. O artista passa, e a arte fica. Aqui no Brasil, pelo menos, é assim."

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