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Rei da dor de cotovelo, Lupicínio é redescoberto em shows e DVDs

O cantor e compositor Lupicínio Rodrigues (São Paulo, 1959)  - Acervo UH/Folha Imagem
O cantor e compositor Lupicínio Rodrigues (São Paulo, 1959) Imagem: Acervo UH/Folha Imagem

Do UOL, em São Paulo

08/05/2015 13h08

Lupicínio Rodrigues (1914 - 1974) está mais vivo do que nunca. No ano em que seu centenário --iniciado em setembro de 2014-- é celebrado, a obra do compositor gaúcho é revisitada agora por Elza Soares, Gal Costa e Adriana Calcanhotto.

Boêmio e romântico, Lupicínio ficou conhecido como o rei da dor de cotovelo --a arte de afogar as mágoas com os cotovelos cravados no balcão do bar. A quantidade de bons shows em sua homenagem prova duas coisas: sofrer de amor é algo atemporal.

Os versos encharcados de sentimentos, interpretados no passado por Paulinho da Viola, Jair Rodrigues, Gilberto Gil, Elizete Cardoso e Beth Carvalho, trazem toda a melancolia de um amor perdido --matéria-prima da música universal durante décadas. “É uma obra que se eterniza, não possui uma época definida. Ela foi construída em um momento, mas avançou uma época”, comenta o filho do compositor, Lupicínio Rodrigues Filho.

Prova disso é o show “Ele Disse-Me Assim”, de Gal Costa, que chega a São Paulo nesta sexta-feira (8), no HSBC Brasil. Acompanhada de músicos mais jovens, como Pupilo, baterista da Nação Zumbi, e o jovem Silva nos teclados, a cantora dá uma roupagem moderna a “Nunca”, “Judiaria” e “Esses Moços”.  “A Gal acompanha o tempo de hoje, e não aquele tempo em que a canção foi criada”,  observa o filho do compositor.

Em show, Elza canta ao lado de um retrato do compositor gaúcho - Leonardo Soares/UOL
Em show, Elza canta ao lado de um retrato do compositor gaúcho
Imagem: Leonardo Soares/UOL
Por ter convivido diretamente com Lupi, Elza Sopares resgata a aura da época no show "Elza Canta e Chora Lupicínio Rodrigues". A cantora relembra histórias acompanhada de um retrato de Lupicínio em cima de uma mesa e se supera na releitura de “Se Acaso Você Chegar”, seu primeiro sucesso, gravado em 1960.

Em entrevista ao UOL no ano passado, Elza Soares enfatizou a importância de Lupicínio no início de carreira. “Ele me deu a chance de criar meus filhos, sair do barraquinho, viver um pouco melhor com um pouco mais de dignidade. Ganhei do Lupicínio o direito de sair daquela situação”, disse. O show continua na estrada.

Adriana Calcanhotto, por sua vez, também preparou um show especial em homenagem a Lupi no ano passado. A apresentação aconteceu em Porto Alegre e recriou o clima de boemia dos anos 1940. Vestida de terno e gravata, segurando um charuto nas mãos, Adriana usa elementos teatrais, como na interpretação de “Volta”, quando canta sentada no chão, abraçada a uma cadeira vazia.

Diferente dos outros shows, Adriana não levou o espetáculo para outras cidades, mas, assim como Gal e Elza, ela prepara o lançamento da apresentação em DVD ainda este ano.

Lupicínio Filho festeja a redescoberta das canções de seu pai. “Ele queria ver a longevidade de sua obra. Ele sempre esteve essa preocupação em que eu continuasse e interpretasse sua obra. Por isso que sempre autorizamos o uso de suas canções. Ele ficaria muito feliz em ver isso acontecer”, conta.

Serviço:
Gal Costa - "Ele Disse-me Assim"
8/5 no HSBC Brasil, em São Paulo
Ingressos: http://www.hsbcbrasil.com.br/