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Ringo Starr, Lenny Kravitz e outros famosos lamentam a morte de B.B. King

Do UOL, em São Paulo

2015-05-15T05:27:45

15/05/2015 05h27

A morte de B.B. King tem causado grande comoção entre os internautas e, principalmente, entre músicos do mundo inteiro. Eric Clapton decidiu expressar sua tristeza com um vídeo publicado em seu Facebook, no qual agradece King pela amizade e inspiração como guitarrista. "Queria expressar minha tristeza e agradecer meu querido amigo B.B. King por toda a inspiração e incentivo que me deu como guitarrista. Não restaram muitos para tocar da maneira pura como ele tocava. Se você não está muito familiarizado com seu trabalho, recomendo que ouça "B.B. King Live At The Reagal", que serviu como grande começo para mim como jovem músico".

Através de suas redes sociais, Ringo Starr, Lenny Kravitz, Snoop Dog, Genne Simmons e outros artistas lamentaram a perda do rei do blues na noite desta quinta-feira (14), em Las Vegas nos Estados Unidos. Segundo informações da imprensa americana, o guitarrista, premiado com 15 Grammys, morreu em casa.

"BB, qualquer um poderia interpretar mil notas e nunca chegar a dizer o que você dizia com apenas uma delas. #RIP", escreveu no Twitter o músico Lenny Kravitz.

O cantor canadense Bryan Adams também fez sua homenagem no Twitter: "RIP BB King, um dos melhores guitarristas de todos os tempos, talvez o melhor. Ele podia fazer mais que qualquer um com apenas uma nota".  

O ator Hugh Laurie, que publicou dois álbuns de blues nos anos 2011 e 2013, escreveu em seu perfil no Twitter: "Oh Deus. BB King. Deixemos que os tempos tristes fluam".

O cantor Will Young disse que B.B. King é o "cantor e guitarrista mais maravilhoso do blues". "Recomendo que todo mundo ouça seus discos e veja o que são alma e espírito verdadeiros", acrescentou Young em sua conta no Twitter.

Em comunicado, o presidente Barack Obama também lamentou a morte do músico: "O blues perdeu seu rei e os Estados Unidos perderam uma lenda", declarou Obama, que lembrou o dia em que, encorajado por King durante um show na Casa Branca, ele mesmo assumiu o microfone para cantar a clássica "Sweet Home Chicago".

King nasceu em uma fazenda de algodão em setembro de 1925, no Mississipi. Foi criado pela avó e comprou um violão para animar as noites de sua casa, que não tinha energia elétrica. Autodidata, iniciou sua carreira na música quando conseguiu se apresentar no programa de rádio do lendário Sonny Boy Williamson, em 1948. Logo depois passou a ter um quadro de dez minutos dentro da programação da emissora.

O apelido B.B. seria uma sigla de "Blues Boy" (garoto do Blues), enquanto seu sobrenome "King" significa Rei, pseudônimo que ele usava em seu programa de rádio.
Em 1952, estourou nacionalmente com seu sucesso "Three O'Clock Blues". A partir daí, o guitarrista emendou um hit atrás do outro e passou a ser o maior astro do blues. Em 1969, conseguiu mais visibilidade ao ser convidado pelos Rolling Stones para abrir os show da turnê que a banda inglesa fez pelos Estados Unidos.

Apesar dos problemas de saúde, King vinha se apresentando regularmente, mesmo tocando sentando o tempo todo. Nos últimos anos, fazia cerca de 100 shows por ano e veio ao Brasil cinco vezes, a última em março de 2014.
Uma de suas marcas, o rei tinha o costume de chamar suas guitarras de Lucille. O apelido carinhoso surgiu quando King enfrentou um incêndio em um show para salvar um de seus instrumentos. O fogo começou depois de uma briga entre dois homens do público por causa de uma mulher que se chamava Lucille. A marca de instrumentos Gibson fez uma linha exclusiva de guitarras com o mesmo nome para King. O Papa João Paulo 2º chegou a ganhar um exemplar das mãos do músico.

Era conhecido por usar poucas notas em suas canções.
Com influências de Blind Lemon Jefferson e T-Bone Walker, entre outros, o "vibrato", a precisão de sua pegada, sua sutileza e o domínio das pausas, as "dead notes", transformaram o som de "King" em um componente fundamental do vocabulário musical, do qual beberam figuras como Eric Clapton, George Harrison e Jeff Beck e que o levou a entrar para o Hall da Fama do Rock and Roll Hall em 1987.

Esses ingredientes permitiram que B.B. King transitasse entre o blues, o swing e o pop mais comercial. "Quando canto, estou tocando em minha cabeça; assim que deixo de cantar com a voz, na realidade continuo 'cantando' através de Lucille", revelou uma vez King.
Seu legado musical também teve continuidade com a inauguração de vários clubes de música com sua própria assinatura, sendo o B.B. King's Blues Club de Beale Street, em Memphis, o primeiro a abrir suas portas em 1991.

Ao longo da carreira ganhou 15 Grammys, sendo o último em 2009 pelo álbum "One Kind Favor". De acordo com o site da premiação, ele é o quarto músico que mais ganhou o troféu.
King se casou em duas ocasiões. Primeiro, com Martha Lee Denton, entre 1946 e 1952, e depois, com Sue Carol Hall, de 1958 até 1966. O artista deixa 14 filhos e mais de 50 netos.