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Música


Scorpions: Pesado, romântico e ainda relevante

Ricardo Batalha

Do UOL, em São Paulo

2015-05-30T08:40:59

30/05/2015 08h40

Ao contrário de alguns grandes nomes do hard rock, que ultimamente quase se arrastam no palco, a idade não parece ser problema para os alemães do Scorpions, que completam cinquenta anos de estrada e atualmente promovem seu décimo nono disco de estúdio, "Return to Forever" (2015). Em boa forma física, eles desistiram da aposentadoria, anunciada para depois da turnê de "Sting in the Tail" (2010), e seguem encantando fãs de três gerações. Mais que a heterogenia, a versatilidade musical foi um dos fatores que fez o grupo ter admiradores dentro e fora da esfera do rock.

Após a primeira passagem pelo Brasil na primeira edição do "Rock In Rio", ocorrida em janeiro de 1985, clássicos como "Blackout", "Rock You Like a Hurricane", "Big City Nights" e "Bad Boys Running Wild" foram a porta de entrada para muitos brasileiros caírem de cabeça no heavy metal. "Começamos como uma simples banda de rock. Nunca fomos 100% heavy metal, mas obtivemos sucesso com 'Rock You Like a Hurricane' e músicas que estavam ligadas a este cenário", explicou Meine.

Mesmo figurando ao lado de Iron Maiden, Ozzy Osbourne, Black Sabbath e Judas Priest na preferência dos fãs brasileiros de rock pesado, as baladas caíram bem para as rádios FM. O apelo popular veio através do romantismo de "Holiday", "Still Loving You" e "Send Me An Angel". Já a emblemática "Wind Of Change", canção que simbolizou as mudanças políticas na Europa Oriental no final dos anos 1980, ainda pode ser ouvida em várias estações brasileiras de AM.

Se a faixa "We Built This House", de "Return to Forever", fala de forma metafórica de como o Scorpions construiu uma carreira de sucesso, quem sabe a vontade de sair de cena não voltará a ser cogitada tão brevemente. A empolgação que Klaus Meine, Rudolf Schenker e Matthias Jabs (guitarras), Paweł Mąciwoda (baixo) e James Kottak (bateria) passam em seus shows, e em suas declarações à imprensa, comprovam que a vontade de abandonar os palcos ficou no passado. "Costumamos fazer turnês mundiais com frequência desde a década de 70. Isto faz com que você seja comentado e visto", analisou o vocalista, que completou 67 anos de idade no último dia 25 de maio. "Se você sabe fazer uma grande apresentação, a boa imagem irá perdurar por muito tempo", concluiu.