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"Era subestimada pelos colegas da música popular", desabafa Negra Li

Do UOL, em São Paulo

18/07/2015 04h23

Negra Li voltou a integrar o grupo de rap RZO e, no “The Noite” desta sexta-feira (17), aproveitou o espaço para fazer um desabafo. A cantora lembrou que fará 20 anos de carreira em 2016 e que teve de driblar muitas dificuldades por preconceitos vindos do público e dos outros artistas.

“Tinha dificuldade por ser mulher, por ser negra, por ser da periferia e por começar no rap. Por um tempo, eu fiquei no limbo. Quando assinei com uma gravadora, as pessoas da periferia não gostaram e, quando cheguei até quem tinha grana, eles me subestimavam porque eu era muito do rap, não achavam que era música e era pobre. Nos prêmios era subestimada pelos colegas da música popular. Me viam e não davam nada por mim. Com muitos anos conquistei meu respeito e meu lugar na música brasileira”, pontuou ela.

A rapper ainda continuou seu discurso e falou que a comunidade negra vive em uma escravidão mental por não poder fazer o que quer.

“O negro não pode fazer plástica porque quer mudar sua raça, mas branca faz plástica o tempo todo. Não podemos alisar o cabelo, mas branca alisa o tempo todo. Isso não é liberdade. Falam que acabou a escravidão, mas somos escravos de nossa condição social, de nosso tom de pele. Isso tem de acabar”, bradou.

O RZO está produzindo um novo álbum, com composições inéditas, e que possivelmente poderão se tornar um DVD. Sandrão, um dos componentes do grupo, analisou que o rap tem ganhado mais espaço na mídia nos últimos anos devido ao fim do estigma de que o ritmo prega a violência.

“Antigamente, na TV, tinha menos oportunidades para as pessoas do rap. Também aconteceram muitos problemas, como brigar ou mortes, em baladas, festas e shows e as notícias falavam somente sobre este assunto. Não falavam sobre o nosso trabalho e não tínhamos nada a ver com isso”.

Ainda sobre o estilo musical, Helião se posicionou a favor do novo “rap ostentação”. “Tem de ter todas as tendências, senão fica chato todo mundo contundente, gângster ou bandido. Tem de ter outras tendências para ser uma parte legal da música”, concluiu.