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Voz das trilhas de novela, Tiago Iorc abraça o pop e o português

Tiago Iorc troca likes e idiomas em novo disco - Rafael Trindade/Divulgação
Tiago Iorc troca likes e idiomas em novo disco Imagem: Rafael Trindade/Divulgação

Tiago Dias

Do UOL, em São Paulo

29/07/2015 06h00

Já faz sete anos que Tiago Iorc vem angariando fã-clubes e se firmando no pop brasileiro. Com a faixa "Nothing But a Song" na trilha sonora de “Malhação” em 2007, antes mesmo de lançar o primeiro disco, “Let Yourself In” (2008), o cantor e compositor brasiliense de 29 anos agora quer um contato ainda maior com o seu público.

A capa do recém-lançado “Troco Likes” contrasta com as artes mais introspectivas de seus trabalhos anteriores “Umbillical” (2011) e “Zeski” (2013). Em uma ilustração colorida, o rosto de Tiago aparece com um sorriso aberto, forçado por um pregador em cada bochecha. Já o conteúdo do disco, pela primeira vez, traz Iorc dedicando-se a um repertório inteiramente em português.

"Troco Likes", quarto disco de Tiago Iorc - Divulgação - Divulgação
"Troco Likes", quarto disco de Tiago Iorc
Imagem: Divulgação
 

A gravadora que o abraçou desde o começo, Somlivre, já havia sugerido essa mudança no início do contrato, mas Tiago não quis forçar. “Não é bem o que eu sei fazer”, respondeu na época. Acostumado a compor em inglês, graças aos anos em que morou na Inglaterra, o cantor diz que a ficha só caiu quando apresentou uma de suas poucas canções na língua materna em um pocket show em Curitiba.

“Estava passando o som, e chegou um senhor dizendo que tinha adorado a letra. Era ‘Um Dia Após o Outro’ [uma das quatro canções em português do disco anterior]. Percebi aí como era importante essa linguagem direta com as pessoas, se conectar e transparecer o que eu queria passar com a música”, observa, em entrevista ao UOL. “Foi um incentivo.”

Intérprete da versão de “What a Wonderful World”, de Louis Armstrong, música de abertura da novela “Sete Vidas” --que chegou ao fim no último dia 10/7--, Tiago ganhou, pouco antes do novo disco, uma coletânea precoce só com as canções emplacadas nas trilhas da Globo --algo que Ana Carolina, Rita Lee e Guilherme Arantes só conquistaram com carreiras mais longevas. Ele acredita, porém, que não desfruta da mesma fama que as músicas-tema. "Ainda hoje acontece de as pessoas não saberem que eu sou brasileiro." Mas aposta: "Estou curioso para ver como seria [a repercussão na trilha] com uma música em português". 

Mesmo sem ser fã de TV, ele acompanhou a novela --menos pela sua música do que pelo desempenho de sua namorada, a atriz Isabelle Drummond, uma das protagonistas da história. "Ela gosta de saber o que eu penso em relação ao que ela está fazendo."

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Tiago Iorc foi acompanhar o último capítulo de "Sete Vidas" com Isabelle Drummond
Imagem: Felipe Assumpção / AgNews


A mudança também atingiu a sonoridade do novo disco. Com a pegada do blandpop --cujos representantes são cantores sensíveis e melódicos, sempre com violão na mão, como Ed Sheeran e George Ezra--, Tiago se sai bem. “Alexandria”, que abre o disco, é um bom exemplo. Traz no refrão o "ô ô ô" característico de bandas como Coldplay e uma letra com certo amargor: “A gente queima todo dia mil bibliotecas de Alexandria. A gente teima, antes temia”.

O novo show, que estreia nesta quarta-feira (28) em São Paulo, no Teatro Net (ingressos esgotados), já vem com essa pegada –inglês mesmo, só no ato em voz e violão, no qual cantará sucessos como “Nothing but a Song”, “It’s a Fluke” e a versão de “My Girl”, do Temptations, as duas últimas temas das novelas "Flor do Caribe" e "Viver a Vida".

Cantor colírio
O namoro com uma atriz global, ele reconhece, o coloca em colunas e publicações que um cantor e compositor que canta em inglês (e chegou a ser apresentado como indie) não costuma frequentar. É a vida do “troco likes” e do “me segue que eu sigo de volta”.

A crítica à exposição e ao narcismo nas redes sociais ganha destaque em “Bossa”, do novo disco. “Atenção, as pessoas não precisam ser iguais às outras, aceite ou não, mas você é única / No mundo assim, uns são mais coordenados, determinados, obcecados”.

"Acho que a dimensão [da fama] é muito mais interna que externa. Acaba se tornando irrelevante, perto da sensação que isso provoca na gente. Seja quando você está no colégio e estão fofocando sobre você, seja agora. Todo o mundo lida com isso o tempo inteiro", observa.

Boa pinta, Tiago por pouco não foi modelo. Enquanto se preparava para lançar o primeiro disco, foi escolhido para ser um dos "colírios" da revista “Capricho”, que elencava os “gatos” para adolescentes --base de seu público fiel. O jeito é usufruir da exposição: "Eu quero mais é usar essa atenção a meu favor, fazer música, dividir algo bonito com as pessoas".