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"Reizinho da Jovem Guarda" teve churrascaria "salva" por Roberto Carlos

Felipe Branco Cruz

Do UOL, em São Paulo

20/08/2015 05h01

São por volta de 15h e Ed Carlos, 63, está no fundo de seu restaurante, limpando a churrasqueira antes de dar por encerrado mais um dia de trabalho no Ed Carnes, localizado no bairro do Cambuci, em São Paulo. 

Quem hoje vê o senhor com dificuldade para caminhar e falar --sequelas de um AVC que sofreu há dez anos-- talvez não reconheça o "Reizinho da Jovem Guarda", apelido que o então jovem de 13 anos ganhou por ter sido apadrinhado por Roberto Carlos e se tornado um dos artistas mais novos a fazer parte daquele movimento musical, que completa 50 anos no sábado (22).

"É bastante tempo, não é?", comenta o artista, que encerrou a carreira aos 35 anos. "Aquele foi um ótimo período, todos éramos bons amigos".

Rodrigo Capote/UOL
Ed Carlos em frente ao seu restaurante Imagem: Rodrigo Capote/UOL

O programa "Jovem Guarda" estreou na TV Record no dia 22 de agosto de 1965 e durou apenas quatro anos, mas foi responsável por lançar diversos artistas e moldar a cultura dos jovens da época. Daquele tempo, Ed mantém uma grande amizade com Roberto Carlos, que é proprietário do prédio onde funciona seu restaurante.

"Quando eu sofri o AVC, a antiga dona queria que eu desocupasse o imóvel, que era alugado. Carlos Alberto Braga, irmão do Roberto, que sempre almoça aqui, soube disso e providenciou para que o cantor comprasse o prédio", revela. "O Roberto nunca me cobrou nenhum aluguel. Ele não me deixa pagar nem o IPTU. É um grande amigo".

O restaurante, localizado no bairro do Cambuci, em São Paulo, respira a Jovem Guarda. As paredes estão repletas de fotos de Ed no palco e, principalmente, de Roberto Carlos. Mas há espaço nas paredes para todos, como Wanderléa, Golden Boys, Erasmo Carlos, Vanusa, Cauby Peixoto, Trio Esperança, Juca Chaves, entre outros. A maioria deles são clientes cativos da churrascaria, cuja especialidade é a tradicional Costela do Edão, da qual Ed diz vender mais de 100kg todas as semanas. "A mais macia da cidade", garante.

O prédio tem três andares e o restaurante tem capacidade para 150 pessoas. No terceiro andar fica um escritório onde Roberto Carlos guarda algumas coisas pessoais. "Mas eu não tenho acesso", conta Ed. Nos outros andares ficam as mesas. O local tem dois palcos e, no último sábado do mês, Ed promove bailes dançantes com shows de artistas da Jovem Guarda.

Nesta sexta-feira (21), o grupo Demônios da Garoa fará show por lá. No passado, já se apresentaram Jerry Adriani, Wanderley Cardoso  e Wanderléa.

Ed Carlos

  • Ele [Roberto Carlos] come carne sim. Adora a Costela do Edão"

    Ed Carlos, dono do restaurante Ed Carnes

A mulher de Ed, Vânia, 54, e os filhos Rafael, 26, e Vinícius, 23, se revezam na administração do restaurante. Há quase um mês, a família sofreu um baque: o primogênito, que também se chama Ed Carlos, morreu aos 28 anos em um acidente de carro. Roberto ligou para o amigo para prestar suas condolências e mandou uma coroa de flores. "Acho que nunca vou superar essa dor", diz o comerciante, emocionado. "Roberto disse que sabia como eu estava me sentindo, já que ele também perdeu uma filha, a Ana Paula, que morreu em 2011 aos 45 anos".

Rodrigo Capote/UOL
Ed Carlos em seu restaurante Imagem: Rodrigo Capote/UOL

Ed conta também que Roberto sempre vai ao restaurante quando está em São Paulo, mas se disfarça para não chamar a atenção. "Ele come carne sim. Adora a Costela do Edão. O médico disse para ele que era importante continuar consumindo proteína animal". Outro famoso que também adora a costela é Jô Soares. "Ele manda vir buscar toda semana".

O nome de batismo de Ed é Oscar Teixeira, mas depois de tanto tempo, ninguém o chama assim. "Escolhi 'Ed' porque era o nome americano mais comum na época. Já 'Carlos' é em homenagem ao Rei", revela. A amizade entre os dois é tanta que Roberto o chama pelo carinhoso apelido de "Biquinho". Ed, por sua vez, chama Roberto de Zunga. "É a maneira como a mãe dele o chamava". No passado, os dois costumavam sair para pescar no interior de São Paulo e também na represa de Guarapiranga. "Mas tem tempo que não vamos", conta.

Embora a fama de Ed Carlos não tenha resistido aos 50 anos da Jovem Guarda tanto como resistiu a de Roberto Carlos, o empresário diz que não tem do que reclamar. "Deixei a carreira artística porque me casei e queria formar uma família. Sou muito feliz com o que conquistei e com as amizades que fiz".