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Música

Coldplay estrela, Stevie Wonder piadista: fotógrafo revela casos de músicos

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

25/08/2015 06h00

Em 25 anos de carreira, o fotógrafo Marcos Hermes já clicou, segundo as próprias contas, cerca de 700 capas de discos e outras milhares de imagens de divulgação de músicos consagrados. É dele capas icônicas como a do "Acústico MTV" de Cássia Eller, do ao vivo "Ney Matogrosso interpreta Cartola" e do primeiro trabalho da cantora Maria Gadú. Apenas para citar três exemplos.

Parte considerável desse acervo autoral 115 fotos estará exposta desta terça (25) até quinta (27) no pavilhão Verde da Expo Center Norte, em São Paulo, como parte da 23ª PhotoImage Brasil. A mostra leva o sugestivo nome de "Brasilerô", um compêndio do "mainstream" brasileiro das últimas duas décadas.

"Não tenho a pretensão de contar a história da música popular, mas queria dimensionar parte dessa história sob o meu olhar", contou ele ao UOL, enquanto dava as últimas coordenadas na montagem dos quadros. "É uma grande mistura, uma salada. O nome veio justamente disso. De que tudo no Brasil acaba se mesclando, ganhando um jeito abrasileirado que é único."

Somados, os negativos e arquivos digitais acumulados por Hermes em 25 anos já ultrapassaram o absurdo número de 1 milhão de fotos, que começaram a ser tiradas profissionalmente ainda na adolescência, no final dos anos 1980.

De lá para cá, além de trabalhar com brasileiros, ele se tornou uma espécie de fotógrafo oficial das grandes turnês internacionais no país: Paul McCartney, Bob Dylan, The Police, Amy Winehouse, Iron Maiden e Beyoncé estrelam seu portfólio.

Hermes, claro, coleciona histórias. Muitas inesquecíveis, como o dia em que Stevie Wonder se ofereceu para ser seu assistente. Outras, que ele faz questão de apagar do HD, como o trauma que viveu ao acompanhar o Coldplay.

A pedido do UOL, Hermes elegeu alguns dos momentos mais marcantes da carreira. Veja a seguir.

Melhor músico para fotografar

"Foram vários: Caetano [Veloso], [Gilberto] Gil, Sepultura, Maria Rita, Ney Matogrosso. Acho que os melhores foram os que ficaram amigos. São aqueles que adquirem confiança em você. Que sabem que, se for preciso, você não vai apertar o dedo para tirar a foto. Essa é a diferença."

O inesquecível

"Dorival Caymmi. O trabalho com o Caymmi foi muito rápido, mas ele foi maravilhoso comigo. Só tenho boas lembranças. Nunca vou esquecer dele."

O mais "gente boa"

"Pô, difícil essa [risos]. São muitos. Mas, recentemente, posso dizer que trabalhar com a Ivete Sangalo foi do c*. Ela é daqueles artistas que te deixam à vontade, em que tudo funciona, tudo dá certo. Gil e Caetano também são assim."

Mais "mala"

"Prefiro não falar nomes, mas sempre acontece. Sempre há aquele que não está em um dia bom, aquela que está de TPM. Às vezes, eles se mostram difíceis simplesmente porque ninguém os respeita. Nessa hora, você precisa respirar fundo para tirar leite de pedra. Tem que ter paciência e quebrar o gelo."

Melhor foto

"Fiquei muito feliz com a capa do 'Atento aos Sinais', do Ney. Além de tudo, eu me senti homenageado por ele ter escolhido a foto sem nada, sem nenhuma letra por cima. Representa muito para mim."

Foto mais difícil

"A mais difícil é quando a pessoa não quer. Já tive uma experiência complicada com a Beyoncé. Tinha 90 segundos para esperar ela entrar, desfilar, fazer a pose dela e tirar a foto. É o 'american way', o jeito que eles fazem. Ela é controladora. Queria divulgar só uma pose. E, mesmo com toda essa dificuldade, o cliente ainda queria abaixar meu cachê."

Foto mais rentável

"Uma do Guns N' Roses, de 2001. Acabou saindo em uma edição especial de um CD ao vivo deles, o 'Live Era'. Gostei muito. Também tive trabalhos bons com o Padre Marcelo [Rossi]."

Trabalho mais gratificante

"Acompanhar a Cássia Eller me marcou demais. Repercute muito até hoje. Recentemente, participei do documentário dela cedendo 25 fotos."

Pior experiência

"Com certeza com o Coldplay. Foi um saco. Os caras são uns babacas. Não consigo nem ouvir mais a banda. Joguei os discos fora. Eles me trataram muito mal quando vieram, durante todos os três dias. São muito estrelas."

Sonhos

"Gostaria de ter feito o Michael Jackson, mas eu tinha o sonho de fotografar o Stevie Wonder, algo que acabei realizando. Tive a felicidade de conhecê-lo pessoalmente no Rock in Rio. Disse para ele que me sentia privilegiado de trabalhar com as duas coisas que mais amo na vida: fotografia e música. Daí ele me perguntou se poderia então vir trabalhar comigo e ser meu assistente [risos]."

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