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Diretor fala de "abismo" em Prêmio Multishow: "Não dizemos quem é melhor"

Eric Oliveira/Divulgação/Divulgação
Ava Rocha, Cidadão Instigado e Tulipa Ruiz: quem tem o disco do ano? Imagem: Eric Oliveira/Divulgação/Divulgação

Mariana Tramontina

Do UOL, em São Paulo

01/09/2015 14h12

Você ouviu o álbum de estreia de Ava Rocha e os novos de Cidadão Instigado ou Tulipa Ruiz? São esses os indicados a "Disco do Ano" no Prêmio Multishow 2015, que acontece nesta terça-feira (1º), a partir das 22h, com transmissão ao vivo pelo canal. E se você não sabe quem são esses artistas, bem, não deve ser o único: nenhum deles ganhou indicações nas categorias escolhidas por voto popular. Por outro lado, os indicados pelo grande público, como Luan Santana, Anitta ou Jota Quest, também nem sequer aparecem entre os indicados do júri. Está claro o que já é óbvio: um lado não fala a língua do outro.

A questão do abismo cultural, da crítica versus público, é histórica e vemos se manifestar da música e do cinema ao humor e à literatura. Sempre houve muita discrepância em todas as instâncias da arte e, para o Prêmio Multishow, isso não é um problema. "Essa desconexão acontece em todos os níveis", define Guilherme Zattar, diretor do canal Multishow. "A gente está num país com uma desigualdade cultural muito radical, então nem todos os artistas chegam nas pontas. É de propósito que fazemos essa mistura. O papel do júri é justamente trazer à tona uma turma maravilhosa que está sob a água."

Para essa função, o Prêmio Multishow investe desde 2013 em dois grupos diferentes de júri que ditam os rumos do que há de mais interessante na música: o especializado —composto por jornalistas, críticos e profissionais do meio musical— foi instituído com o intuito de filtrar e lançar novos nomes para ouvidos cansados da mesmice. Já o "superjúri", uma pequena "academia" formada por dez especialistas, é responsável pelas escolhas de melhor disco, artista revelação e nova canção. Nos últimos anos, saíram dali troféus para Banda do Mar, Karol Conká, Mahmundi, Metá Metá e Silva, artistas que continuam caminhando pelas beiradas do chamado mainstream, sem grandes solavancos.

Para a banda goiana Boogarins, celebrada como artista revelação na cerimônia do ano passado, é difícil dimensionar a exposição ao aparecer em um evento como o Prêmio Multishow. "É certo que éramos uma completa novidade para 98% da audiência do programa", lembra Benke Ferraz, guitarrista do grupo. "Foi engraçado ver a reação da galera que estava comentando no Twitter e no Facebook, poucos se mostraram abertos para ouvir uma 'revelação'. Simplesmente falavam que nunca tinham ouvido falar ou que parecíamos drogados (risos)".

Enquanto isso, o público de massa não mede esforços para ajudar seus ídolos: nos últimos anos, Paula Fernandes, Ivete Sangalo, Thiaguinho e Sorriso Maroto seguem, firmes e fortes, marcando presença entre os indicados da premiação. Parece não haver dúvidas: apesar de reafirmar a questão da qualidade no nome das categorias, a premiação do Multishow não celebra os melhores, e sim os mais populares. "O voto popular é o retrato da voz do povo, e são sempre os mesmos artistas, ano após ano. Eles aparecem e ficam dez anos ali, não se renova muito", diz Zattar. "A ideia do júri especializado é provocar essa renovação. Enquanto um reflete o que o povo assiste, o outro gera a curiosidade."

Sem o VMB (Video Music Brasil) da MTV, extinto desde 2013, o Prêmio Multishow figura sozinho no cenário da música brasileira contemporânea. E, ainda assim, o evento não quer para si a pretensão de ser o dono da verdade. "A premiação, na verdade, é até secundária. O que a gente quer é fazer uma grande homenagem à música, aos compositores, aos intérpretes, e por isso fazemos essa grande festa de reunião", considera Zattar.

"Não queremos dizer quem é melhor, não é esse o objetivo do prêmio. O Kanye West disse perfeitamente em seu discurso no VMA 2015: quando há um vencedor, há também um perdedor, mas nós não estamos aqui para denegrir ninguém. Queremos celebrar a música brasileira em todos os seus gêneros", diz Zattar. Para Benke, do Boogarins, o prêmio ainda é sinônimo de reconhecimento. "As pessoas, em geral, respeitam esse tipo de coisa. Minha mãe certamente ama ter o troféu em casa."

Veja os indicados ao Prêmio Multishow 2015:

Categorias do superjúri

NOVA CANÇÃO
Criolo - Cartão de Visita
Karol Konká - Tombei
Maglore - Mantra
Tulipa Ruiz - Proporcional

MELHOR DISCO
Ava Rocha - Ava Patrya Yndia Yracema
Cidadão Instigado - Fortaleza
Tulipa Ruiz - Dancê

ARTISTA REVELAÇÃO
Ava Rocha
Dônica
Lila

Categorias do júri especializado

NOVO HIT
Anitta - "Deixa ele sofrer"
Ava Rocha - "Você não vai passar"
Figueroas - "Melô do Jonas"
Karol Conká - "Tombei"

VERSÃO DO ANO
Bonde do Rolé - "Rainha dos Darks"
Céu - "Mil e uma noites de amor"
Metá Metá - "Me perco nesse tempo"
Rashid - "tudo o que você podia ser"
Tiê - "A Noite"

MELHOR CLIPE
Emicida - "Boa Esperança"
Karol Conká - "Tombei"
Nação Zumbi - "Um Sonho"
Nego do Borel - "Redes Sociais"

MÚSICA COMPARTILHADA
Cidadão Instigado - "Fortaleza"
Criolo - "Convoque seu Buda"
Siba - "De Baile Solto"

Categorias de voto popular

MELHOR CANTORA
Anitta
Paula Fernandes
Ivete Sangalo
Pitty
Ana Carolina

MELHOR CANTOR
Sam Alves
Gusttavo Lima
Lucas Lucco
Thiaguinho
Péricles

MELHOR SHOW
Luan Santana
Anitta
Paula Fernandes
Sorriso Maroto
Henrique & Juliano

MELHOR GRUPO
Sorriso Maroto
Skank
Turma Do Pagode
Malta
Banda Calypso

MELHOR MÚSICA
Escreve Aí - Luan Santana
Ritmo Perfeito - Anitta
Dentro de um abraço - Jota Quest
Coração selvagem - Ana Carolina
Esquecimento - Skank

EXPERIMENTE
Suricato
Jamz
Mosquito
Onze:20
Henrique & Diego

MÚSICA CHICLETE
Eu não merecia isso - Luan Santana
Cobertor -  Anitta part. Projota
Hoje - Ludmilla
Eu sou a Diva que Você Quer Copiar - Valesca Popozuda
Suíte 14 - Henrique & Diego c/ MC Guimê