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Público do Rock in Rio sofre com maior temperatura do ano e disputa fontes

Felipe Branco Cruz

Do UOL, em São Paulo

24/09/2015 16h21

O forte calor que atingiu o Rio de Janeiro nesta quinta-feira (24) fez com que a organização do Rock in Rio abrisse os portões para a entrada do público 20 minutos antes das 14h, horário previsto inicialmente.

A capital fluminense registrou temperatura de 41,3ºC, na estação Rio Centro (região oeste, próximo ao local do Rock in Rio) e sensação térmica de 44,4 °C, às 15h, em Santa Cruz, também na região oeste. Segundo dados do sistema Alerta Rio, é a maior temperatura de 2015. As 16h05, a temperatura na estação Rio Centro havia caído para 34,5ºC.

Entre as pessoas que aguardavam desde a manhã para entrar na Cidade do Rock neste quarto dia do festival, algumas passaram mal e tiveram que receber atendimento médico. Os bombeiros usaram jatos de água para refrescar o público.

Na entrada do evento, muita gente aproveitou a fonte e o chafariz que decoram o local para amenizar o calor. Algumas pessoas até mergulhavam a cabeça na água.

A reportagem do UOL visitou os seis postos médicos espalhados pela Cidade do Rock. Todos estavam atendendo gente que passou mal com o calor, embora nenhum deles estivesse lotado. A adolescente Camila Sampaio, 17 anos, teve queda de pressão assim que entrou na Cidade do Rock. Ela estava acompanhada por outras duas amigas. "Fui super bem atendida. Me deram glicose e mandaram eu me hidratar ainda mais. Só fiquei chateada porque eu perdi o meu horário na roda gigante. Agora eu estou indo para a montanha russa, mas também não vou poder andar. Vou só acompanhar as minhas amigas", disse. 

Pedro Gonzaga, 26 anos, de Congonhas, Minas Gerais, foi ao Rock in Rio com a clavícula quebrada, após cair de skate. Ele foi ao ambulatório não para cuidar de seu ferimento, mas para ajudar um amigo que bebeu vodca além da conta e teve que ser atendido. "Ele está lá dentro tomando soro. Já entrou passando mal e veio direto para cá. Já tem duas horas que ele está aí dentro", disse ele, que além da vodca, acredita que o calor tenha colaborado para o amigo ter passado mal. "Vodca é transparente mas não é água, não", alertou o mineiro, que foi ao festival acompanhado de mais sete pessoas.

Já dois dos seis amigos de Herbert Fagundes, 20, de São José dos Campos (SP), tiveram que ser atendidos por causa da insolação. "Chegamos aqui no festival às 14h. O sol estava muito forte. Entramos e ficamos procurando bebedouros, mas eles estão escondidos, perto dos banheiros", reclamou. "Nossos amigos estão recebendo soro e devem sair rapidamente daí", completou.

Outra queixa comum no ambulatório, além de queda de pressão e insolação, foram bolhas nos pés, principalmente de garotas que usavam sandálias ou rasteirinhas. "Nosso pé está cheio de bolhas", disse Ana Carolina, 21 anos, de Barra Mansa, no interior fluminense. Ana, que estava acompanhada com outros quatro amigos, ganhou um curativo no pé. 

Na noite de quarta, a organização do evento já alertava sobre as altas temperaturas previstas e reforçava a importância do consumo de água e do uso de protetor solar. O comunicado informava que é permitida a entrada de garrafas de água sem tampa e de protetores solares na Cidade do Rock. Ainda segundo a organização, o número de bebedouros disponíveis foi reforçado, com 104 pontos de água.

Na abertura do Rock in Rio, na última sexta, a proibição de garrafas de água causou indignação entre o público e fez com que a organização alterasse o procedimento.

Entre os itens mais vendidos por ambulantes na fila, estavam sombrinha a R$ 10 e uma espécie de borrifador para ser acoplado em garrafas de água, por R$ 30.