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Apesar de show curto e pouca produção, Rihanna faz Rock in Rio tremer

Tiago Dias

Do UOL, no Rio

27/09/2015 01h49

A cidade do rock tremeu com a chegada de Rihanna ao Palco Mundo, neste sábado (26) de Rock in Rio 2015. Quatro anos após sua última passagem pelo Brasil, e cinco meses depois de seu último show, realizado em Indianapolis (EUA), a cantora aportou no meio de uma cortina de fumaça cantando "Hey Baby, I'm Rockstar", o refrão de "Rockstar 101".

Show mais concorrido dessa edição até agora, o pop de Rihanna fez com que as atrações mais roqueiras ficassem, por um momento, pequenas. Pelo menos quanto ao tamanho da ovação do público.

Embora tenha voltado com uma banda mais pesada, a celebração não foi pelo valor musical, que continua sem aprofundamento, mas sim pela sua figura provocativa. Poucos astros do festival exercem tamanho fascínio, mesmo fora do palco. Ela é, definitivamente, uma rockstar.

Em cima dele, vestida com um jaquetão e calça larga amarelos (que virou meme na internet por parecer uma capa de chuva), além dos colares que chegavam a cintilar no escuro, Rihanna não faz um show com a mesma parafernália e efeitos de BeyoncéKaty Perry. Sua aposta é no próprio rebolado, no twerk e na interação com o público. 

"Rio, está quente pra cacete aqui. Gosto disso", disse, em resposta ao calor da plateia, antes de apresentar uma sequência de hits como se fosse um grande medley: "Only Girl (In The World)", "Rude Boy", "What's My Name" e "Umbrella".

A pressa de Rihanna em apresentar suas canções colocou ânimos para o alto, mas resultou em um show curto e sem bis. Foi a menor apresentação de todos os headliners: 1h10 de duração. Foi tanto sucesso que ela ainda avisou: "Vocês ligam para as músicas mais lentas? Aqui vão algumas delas". 

Na passarela lateral do palco, mostrou o vozeirão, pela primeira vez sem as bases pré-gravadas. Ao lado de um violão e um piano, cantou "Unfaithful" e trechos de "Love the Way You Are".

Mas entre o eletrônico de "Where you Have Been", o reggae "Man Down" e a inspiração roqueira de "Phresh Out The Runway", a cantora se saiu melhor quando se jogou no trap rap de "Pour it Up" e "Bitch Better Have My Money", seu mais recente sucesso, celebrado em uníssono pelos fãs.

Depois de se jogar nos passos de break com suas dançarinas, enquanto os telões laterais derretiam em espuma, ela se encantou com o dólar falso impresso com seu rosto e jogado para o alto pelos fãs. "Amei essa m****. Nunca vamos esquecer esse show", disse, deixando o palco.

Um dia pop no Rock in Rio

O dia começou cedo na Cidade do Rock. Por volta de 7h30 da manhã deste sábado, as filas já estavam formadas e até uma passagem de som de Rihanna aconteceu no horário, fazendo a festa para os integrantes do fã-clube da cantora. Neste sexto dia de festival, o sol deu uma trégua e cedeu lugar ao céu nublado.

Do lado de dentro da Cidade do Rock, um problema em um exaustor causou incêndio em um bar da área de alimentação próxima ao palco Street Dance. O fogo foi notado por volta das 13h e, segundo a organização, foi rapidamente controlado pela Brigada de Incêndio, antes mesmo de abrir os portões para o público.

A programação musical começou com os irmãos Supla e João Suplicy. A dupla, que se apresenta como Brothers of Brazil, tinha como convidado especial o baixista Glen Matlock, ex-Sex Pistols. Mas o que acabou roubando a cena foi a questão política. A dupla cantou "É Tudo pelo Poder", com Supla conclamando a plateia a mostrar o dedo médio aos principais partidos políticos do país, citados nominalmente na letra, incluindo o PT, do pai Eduardo Suplicy (que estava na plateia), e o PMDB, da mãe Marta Suplicy.

Ainda no Sunset, Ultraje a Rigor e Erasmo Carlos se dividiram na apresentação. Enquanto Erasmo trouxe sua fase mais roqueira, com "Terror dos Namorados" e "Minha Fama de Mau", da ingênua época da Jovem Guarda, o Ultraje focou nos hinos dos anos 1980, como "Inútil" e "Filha da Puta". O vocalista Roger Moreira vestia uma camiseta preta com os dizeres: "A gente não sabemos escolher presidente. Inútil".

A africana Angelique Kidjo era praticamente desconhecida do público do festival, mas nada intimidou a cantora, que surpreendeu com muita energia e botou todo mundo para dançar --inclusive em cima do palco-- com sua mistura de ritmos marcada por percussão. Da metade para a frente da apresentação, a banda da cantora ainda ganhou o reforço do baixista camaronês Richard Bona, conhecido músico do gênero jazz fusion.

Lulu Santos, que abriu o Palco Mundo, fez um show inteiro só de sucessos. E trouxe para o público seu discurso sobre igualdade nas relações humanas, emendando "Apenas Mais uma de Amor". "Não se pode regulamentar o amor. Família é o que for do coração", disse. A apresentação dele teve participações de Mr. Catra, Rodrigo Suricato e o sambista Pretinho da Serrinha.

De volta ao Palco Sunset, Sérgio Mendes trouxe sucessos "para gringo ver", como "País Tropical", "Água de Beber" e "Águas de Março". E mesmo com o currículo de peso e a participação de um rapper norte-americano chamado H2O, o show só chegou a engrenar mesmo com a entrada de Carlinhos Brown.

Já no Palco Mundo, os australianos do Sheppard estrearam no Brasil em um horário e em um palco nobres do Rock in Rio 2015.  Um dos vocalistas, George Sheppard, fez uma entrada triunfal pela tirolesa. A banda, com apenas dois anos de existência, foi agenciada pelo empresário de Justin Bieber nos Estados Unidos, mas o único sucesso deles fora da Austrália é "Geronimo".

Sensação do pop britânico, o cantor Sam Smith, que também veio pelam primeira vez ao Brasil, deu as pistas do estilo neo-soul do século 21: falsete, faixas românticas e com alto teor de dor de cotovelo. De visual clássico e voz limpinha, exemplarmente afinada, ele conquistou pela fossa. Mesmo com alguns momentos mais animados no show, com covers de Amy Winehouse, Marvin Gaye e Chic, foram as baladas que se sobressaíram.

O Rock in Rio 2015 chega ao fim neste domingo com shows de Cidade Negra, AlunaGeorge, A-ha e Katy Perry no Palco Mundo. Já no Palco Sunset, os encontros são de Suricato e Raul Midón; Aurea e Boss AC; a apresentação de Al Jarreau e um show especial em homenagem aos 450 anos da cidade do Rio de Janeiro.