Música

A-ha instaura karaokê coletivo em show na Barra Funda, em SP

Jotabê Medeiros

Colaboração para o UOL, em São Paulo

Após uma maratona de 20 dias correndo o Brasil, com shows no Rock in Rio, Fortaleza, Recife, Brasília, Pará (e nesta quinta em Curitiba, no Curitiba Master Hall), o grupo norueguês A-ha baixou na noite dessa quarta-feira (14) no Espaço das Américas, na Barra Funda, em São Paulo, mais uma vez com casa lotada. Impressiona sua consistente popularidade: no final de semana, hospedados no mesmo hotel da seleção brasileira de futebol em Fortaleza, fizeram com que ninguém se lembrasse de Daniel Alves e Hulk por ali.

Em São Paulo, em 1h40 de show, o A-ha instaurou uma espécie de karaokê coletivo. O primeiro grande coral de 8 mil pessoas da noitada foi com "Stay on These Roads" (música-título do terceiro álbum da banda, de 1988). Depois, prosseguiu com a balada "Crying in the Rain", "Hunting High and Low" (que tem 30 anos de idade e fica cada vez melhor) e "You are the one". De vez em quando, o tecladista Magne até virava o microfone para o público, para que fizesse a sua parte.

Mas a plateia esperava mesmo era por "Take on me", que pedia aos berros. A canção veio no finalzinho, após um longo bis de três músicas. A satisfação do público era evidente.

“Boa noite! Nós estamos muito felizes de estar aqui”, disse o tecladista Magne Furuholmen, encarregado do português de viagem, ao iniciar o show com "Cast in Steel", do seu disco mais recente, lançado este ano. Abrindo a noite, "Cast in Steel" chegava a causar espanto: como é que um grupo de pop rock faz uma música tão pueril, tão manjada, tão “antiga” em pleno século 21? "Cast in Steel" soaria ousada em 1985, quando o A-ha começou, mas hoje parecia brincadeira. De fato, é no passado que está o futuro do A-ha: assim que a banda empunhou "Cry Wolf" (do disco Scoundrel Days, de 1986), ficou evidente o quanto eles eram visionários em seu synthpop inaugural.

Com bases orquestrais que evocam, não raro, música clássica, Bach ou Beethoven, e lições do minimalismo pré-robótico do Kraftwerk, o A-ha conseguiu sintetizar uma linguagem desconcertantemente popular e simples, mas sem ser simplória. Magne e mais Paul Waaktar-Savoy (guitarras)  e Morten Harket (voz) são o A-ha (que conta com três músicos extras, um baterista, um baixista e um programador). Com uma touquinha de lã e parecendo coadjuvante, Waaktar-Savoy é na verdade o principal compositor do grupo. No show dessa noite, ele assumiu um coté mais para The Edge, flutuando pelo palco com texturas quase invisíveis, mas de eficiência irrepreensível.

Morten Harket é tão cool que parece um homem de gelo. Não é um entertainer, quase não fala com o público – e mesmo quando desceu do palco e foi até ele, parecia uma entidade. Mas é impressionante como sustenta um falsete por mais de 20 segundos, um portento vocal. Também seu rosto, a máscara trágica de sobrancelhas arqueadas e os gestos lentos contribuem para dar credibilidade ao conceito de “melancolia melódica” da banda – uma melancolia dançável, paradoxalmente eufórica, à maneira do New Order.

A vantagem, em relação aos shows nos estádios e ao Rock in Rio, é que o Espaço das Américas possibilitou uma apresentação mais intimista, mais generosa com os detalhes. Houve uns problemas no telão, que estava com delay entre a imagem e a voz e instrumentação. Na saída do show, o conterrâneo do grupo, o cantor Sondre Lerche (que se apresenta nesse final de semana no Popload Festival, no Audio Club), que estava vendo o concerto, comentou: “Foi um show de som mais encorpado, com uma guitarra mais agressiva. Fantástico”.

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