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Discografia e clipes online consolidam ano digital de Roberto Carlos

Alexandre Matias

Colaboração para o UOL, em São Paulo

04/11/2015 07h00

O novo álbum de Roberto Carlos, "Primeira Fila", lançado na última sexta-feira (30), foi gravado no estúdio que os Beatles imortalizaram em Londres, o Abbey Road. Além do formato físico de CD e DVD, o trabalho também chegou instantaneamente aos serviços de streaming (você pode ouvir no UOL Música Deezer). Esse lançamento ainda acontece pouco depois de o cantor disponibilizar cem videoclipes seus em seu próprio canal no site Vevo, um braço do YouTube para artistas de grande porte. Algo mudou: Roberto Carlos finalmente aceitou a nova realidade do mercado digital.

"Primeira Fila" foi oferecido ao público de forma gratuita. O cantor já havia feito isso no primeiro semestre deste ano, ao negociar seu acervo com plataformas de streaming. "Este é o ano digital de Roberto Carlos", explica ao UOL Marcelo Castello Branco, executivo com passagens pelas gravadoras Universal e EMI e que, hoje, trabalha como consultor estratégico para a área digital. "O momento estratégico era perfeito e necessário para abrir o diálogo com um público mais jovem também", conta, lembrando que também "havia uma demanda reprimida do próprio público de Roberto Carlos."

Capa do disco "Primeira Fila", de Roberto Carlos - Divulgação
Capa do disco "Primeira Fila", de Roberto Carlos
Imagem: Divulgação

A estratégia digital, portanto, não é mais uma alternativa para falar com um público jovem, uma vez que grande parte do público de Roberto Carlos, de todas as idades, já está habituada a diferentes novas formas de se consumir música, seja no YouTube ou em plataformas de streaming.

O que não impede que o cantor ainda insista no contato com um público mais novo ao lançar uma inusitada versão jamaicana para "Eu Te Amo, Eu Te Amo, Eu Te Amo". "Cartas já não adiantam mais", ele canta, sobre um meio de comunicação em extinção, em cima de uma base reggae que parece posta de forma irônica sob o vocal de Roberto Carlos.

"No final do ano passado, o Dody Sirena, empresário do Roberto Carlos, conversou comigo em Nova York sobre suas inquietações com relação ao mundo digital", lembra Castello Branco. "Com o crescente e inevitável amadurecimento deste mercado, achamos que o momento era oportuno para disponibilizar o rico catálogo de mais de mil músicas e 60 álbuns dele".

A música digital no Brasil

O executivo nota a maturidade do mercado digital brasileiro, que pela primeira vez vai terminar um ano vendendo mais música no formato digital do que no formato físico. "A entrada tardia do iTunes [no país] desencadeou a entrada de agregadores e outras plataformas no Brasil, e o streaming começou a dominar o interesse de novas gerações com uma plataforma fácil, amigável, portátil, barata para o consumidor. Existe um novo mercado, promissor, inclusivo, de muitas opções."

A chegada tardia do iTunes ao país, a que se refere Castello Branco, foi dada em 2011, e agora funciona como termômetro para uma nova década na música digital brasileira. A princípio, a pirataria física era mais nociva do que a digital, mas à medida que os hábitos de consumo foram mudando do CD para o MP3, as gravadoras multinacionais no Brasil foram reticentes e preferiram não arriscar, deixando espaço aberto para outros nomes crescerem.

A Trama Virtual, portal de MP3 da gravadora Trama, antecipou a vinda do MySpace ao Brasil ao permitir que artistas subissem seu próprio conteúdo online e permitindo que o público baixasse músicas sem pagar por elas. Essa lógica passou a dominar o mercado independente brasileiro do final da década passada e novos nomes da música brasileira --Tulipa Ruiz, Criolo, Marcelo Jeneci, Emicida, BNegão, entre outros-- começaram a oferecer seus discos gratuitamente para que eles pudessem ser ouvidos, uma tendência ainda em voga.

Neste período, a tecnologia começava a se tornar onipresente com smartphones e redes sociais, algo que aos poucos mudou o comportamento do consumidor de música. A chegada da loja virtual da Apple ao Brasil --com Roberto Carlos também como protagonista-- calhou de estrear por aqui no momento em que os aplicativos de streaming começavam a ganhar popularidade no mundo, fazendo muitos ouvintes --novos e velhos-- começarem a pagar para ouvir música digital.

Além do streaming e dos clipes online, Roberto Carlos também disponibiliza 50 músicas para o modelo ringtone para celulares, em exclusividade com a Vivo. "Há muitas fronteiras que estão pela frente, ainda bem", conclui Castello Branco. "Agora, nada e nenhum modelo é definitivo para nenhum artista, isso tem que ser validado periodicamente. O mercado agora tem mais curadores que consumidores. O desequilíbrio é o novo equilíbrio."

 

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