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Música


Especial de fim de ano traz Roberto Carlos mais aberto musicalmente

Mariana Costa

Colaboração para o UOL, no Rio

2015-11-08T08:51:59

08/11/2015 08h51

Tradicional atração natalina da televisão brasileira, o especial com Roberto Carlos na Globo vai ao ar este ano trazendo algumas novidades, com um Rei mais atualizado e aberto em termos musicais, dissociado de sua orquestra. O formato também está diferente das monótonas apresentações dos anos anteriores. A gravação aconteceu neste sábado (7), no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, para uma plateia formada por fãs e convidados anônimos no lugar dos artistas e personalidades ilustres de sempre.

O especial, desta vez, foi dividido em três partes. Uma estratégia que talvez busque agradar aos diferentes perfis de fãs de Roberto, desde os que torcem o nariz para a produção pós anos 1990 até os mais fiéis seguidores. E também atrair novos súditos, com a pegada mais moderna presente no recém-lançado "Primeira Fila", álbum ao vivo gravado no lendário estúdio londrino de Abbey Road pelas mãos de Tim Mitchell, mesmo produtor de Shakira.

A presença dos fãs na plateia foi resultado de ações promocionais que distribuíram convites e, entre outras coisas, sugeriam que fossem enviados vídeos com as músicas preferidas do cantor, para que entrassem no set list. Artistas globais e demais famosos presentes (Luiza Brunet, Fátima Bernardes, Marcos Caruso, Zeca Camargo, entre outros) tiveram que circular entre o público comum, no hall do Municipal, nas fileiras e acessos.

A homenagem aos 50 anos da Jovem Guarda, comemorados em 2015, abriu o especial, com Carlinhos Brown, Paulo Ricardo e Jota Quest conduzindo Roberto no lugar da orquestra "real”. No repertório, clássicos como "Eu Sou Terrível", "Namoradinha de um Amigo Meu", "Negro Gato", e "Calhambeque" ganharam arranjos funkeados e uma sonoridade mais atual na performance da banda mineira e de um competente trio de sopros. Roberto fez ainda um dueto com Wanderlea em "Eu te Darei o Céu" e com Erasmo Carlos em "Pode Vir Quente que Estou Fervendo". À vontade com os amigos e os músicos convidados, trocou declarações e tirou "selfies", mas escorregou nas letras em ao menos dois momentos.

Na segunda parte do especial, o espectador vai poder acompanhar um Roberto dissociado de sua orquestra, desta vez acompanhado pelos músicos estrangeiros que gravaram com o Rei em Abbey Road. "São arranjos totalmente novos, alguns até radicais. Foi um momento inesquecível para mim", avaliou Roberto sobre o trabalho criado por Tim Mitchell. "Esse disco me deu muitas alegrias, esses caras são fantásticos", prosseguiu.

O resultado da nova parceria é uma repaginada – em alguns casos surpreendentes – nas mesmas canções de sempre. As velhas canções passeiam em novos ritmos como o reggae, presente em “As Curvas da Estrada de Santos” e "Eu te amo, te amo, te amo”, tons latinos em “Mulher Pequena” e abordagens mais modernas e dançantes, como em “Ilegal, Imoral ou Engorda". Sem os velhos e batidos arranjos de sempre, “Detalhes”, uma das maiores canções de Roberto, ficou ainda mais bonita, introduzida por um delicado solo de violino.

Na terceira e última parte do especial, o Roberto mais tradicional reaparece com "Emoções" e a orquestra completa no palco, agora com cenografia mais elaborada e semelhante às edições anteriores do especial. A bela “Olha” é interpretada por Thiaguinho, com quem Roberto ainda dividiu "Além do Horizonte" e arriscou alguns versos do pagode-chiclete "Caraca, Muleke".

Elegantemente vestida de um longo coral e com uma notável segurança para quem estreava ao lado do Rei, a funkeira Ludmilla surpreendeu mostrando afinação e grande potência vocal na interpretação da romântica "Café da Manhã". Antes, aos versos do hit "É Hoje", abraçou e beijou Roberto, que não cantou o funk, mas se arriscou murmurando um "tcha-tcha-tun-tun-tcha".

O especial vai ao ar no dia 23 de dezembro, uma quarta-feira. O espectador pode esperar a sofisticação melódica e interpretação impecável características de Roberto Carlos, que permanecem inalteradas, assim como o previsível final com o repertório de inspiração religiosa e as tradicionais rosas – vermelhas e brancas – jogadas para a plateia.