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Música


Gilberto Gil encerra festa dos 462 anos de São Paulo

Carlos Minuano

Colaboração para o UOL, em São Paulo

26/01/2016 00h44

Depois do samba do grupo Demônios da Garoa, que terminou com o secretário municipal dos Direitos Humanos, Eduardo Suplicy e Luiz Ayrão no palco, foi a vez de Gilberto Gil homenagear São Paulo, que completou 462 anos nesta segunda, 25. O show, que aconteceu no Centro Esportivo e de Lazer Tietê, começou pouco depois das 18h com a canção “Tempo Rei”. O calor intenso não intimidou o público. O espaço com capacidade para cerca de 3 mil pessoas pareceu pequeno para tanta gente, durante a apresentação do cantor baiano.

“São Paulo merece essa festa”, disse Gil, que em seguida cantarolou um “Parabéns a você” para a cidade. Pessoas de todas as idades cantaram e dançaram embalados por sucessos conhecidos como “A Novidade”, “No Woman no Cry” e “Is This Love”, de Bob Marley.

Para pegar um bom lugar para assistir o show, a cearense Zilda Lopes, 47, que vive há 28 anos na capital paulista, chegou bem cedo com a filha Isabela Araújo, 14. Apesar do sol forte, desde as 14h30 ela não abandonou o cantinho na grade em frente ao palco. E não reclamou de nada. “Trouxe sombrinha, frutas, água e biscoitos”, disse ela.

Nascido no Piauí, mas em São Paulo há 23 anos, Francisco Chagas, 44, chegou mais tarde, mas a tempo de também conseguir um espaço próximo ao palco para conferir de perto o show de Gil, que ele considera o melhor cantor do país. “Não acho que tem as melhores músicas, mas o que ele faz com a voz é incrível”.

O artista baiano mostrou estar em boa forma. Bem à vontade, quase todo o tempo, Gil interagiu com o público, cantou, rebolou, soltou gritinhos, chamou a tribo e não se via ninguém parado. Durante a esperada “Sampa”, de Caetano Veloso, teve a multidão cantando junto com ele.

Com algumas exceções o show seguiu sem problemas. Durante a música “Punk da Periferia”, um jovem exaltado invadiu a área de imprensa, abaixo do palco, e jogou uma camisa com a sigla MPL (Movimento Passe Livre).

Algumas pessoas passaram mal, possivelmente por causa do forte calor. Uma mulher desmaiou logo no início do show, e segundo apuração da reportagem do UOL, um homem de 60 anos sofreu um infarto, e foi levado ao Hospital Santana.

Muitos reclamaram da infraestrutura do Centro Esportivo e de Lazer Tietê.  O local não tem lanchonete, e não teve nenhuma estrutura montada para alimentação. Água só em poucos bebedouros, e sem gelo. O comércio de ambulantes não foi permitido. “Também tem poucos cestos de lixo”, reclamou a paulistana Poline Manhas, 41. 

Depois de encerrar o show, Gil voltou ao palco, atendendo ao chamado do público. “Vou tocar mais duas porque eu quero pegar o transporte cedo para a casa”, brincou o artista. A multidão agradeceu em coro: “Gil eu te amo”. Em seguida aplausos que duraram mais de um minuto emocionaram o cantor. “São momentos assim que fazem o coração desse velho artista bater mais forte”. O show terminou quase 20h, com as canções “Realce” e “Toda Menina Baiana”.

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