Música

Lenda da percussão brasileira, Naná Vasconcelos morre aos 71 anos

Do UOL, em São Paulo

09/03/2016 08h40

Um dos maiores percussionistas brasileiros, Juvenal "Naná" Vasconcelos morreu na manhã desta quarta-feira (9), às 7h39. O músico pernambucano estava internado desde o último dia 29 no Hospital Unimed Recife III com complicações por causa de um câncer no pulmão. Segundo boletim médico, o músico não resistiu à progressão da doença.

O velório será realizado na Assembleia Legislativa de Pernambuco, no Palácio Joaquim Nabuco, a partir das 14h, e segue até amanhã. O enterro acontece na quinta-feira (10), às 10h, no Cemitério de Santo Amaro.

Referência internacional na música brasileira, jazz e world music, Naná Vasconcelos já venceu oito prêmios Grammy e também foi eleito oito vezes o melhor percussionista do mundo pela revista americana de jazz "Down Beat", que é publicada desde 1934.

A última apresentação de Naná foi em Salvador, no I Festival Internacional de Percussão. Ele se apresentou com Lui Coimbra no dia 27 de fevereiro. O percussionista teria passado mal logo após o show. Naná Vasconcelos tinha apresentações agendadas na Ásia para o mês de abril.

O músico ficou encarregado de quase toda a trilha de "O Menino e o Mundo", animação brasileira de Alê Abreu indicada ao Oscar deste ano. Segundo Naná, a parceria com o diretor deu certo porque a trilha foi orgânica, acompanhando os passos do menino retratado no filme. 

Em 2013, Naná Vasconcelos foi o grande homenageado do Carnaval do Recife, festa que abria desde 2002. Na época, ele declarou ao UOL: "Ser homenageado vivo já é uma vitória. Na minha terra, são duas. O que mais posso querer?".

O músico tratava a doença desde 2015, quando chegou a se submeter a sessões de quimioterapia. No mesmo ano, ele recebeu título de doutor honoris causa pela UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco). 

Trajetória 

Nascido no Recife em 2 de agosto de 1944, Naná começou a fazer música ainda criança, tocando bateria em cabarés e se envolvendo com o movimento do maracatu em Pernambuco. Além da habilidade com os tambores, também era referência pela habilidade em tocar berimbau.

Nos anos 1960, chegou a acompanhar Gilberto Gil e Gal Costa em shows. Mas a carreira tomou novos rumos quando ele viajou para o Rio, conhecendo nomes Maurício Mendonça, Nélson Angelo, Joyce e Milton Nascimento, com quem gravou dois LPs.

Em São Paulo, Naná fez parte do Quarteto Livre, que acompanhou Geraldo Vandré na histórica "Pra não Dizer que Não Falei de Flores" na fase paulista do III Festival Internacional da Canção.

Posteriormente, depois de formar Trio do Bagaço, com Nélson Angelo e Maurício Maestro, Naná empreendeu em uma bem-sucedida carreira internacional.

Utilizando instrumentos de percussão como o berimbau e a queixada de burro, chegou a tocar com ícones do jazz, incluindo Miles Davis, Art Blakey, Tony Williams, Don Cherry e Oliver Nelson. O pernambucano ainda fez shows históricos em Nova York e no prestigiado festival de jazz de Montreaux, na Suiça, encantando público e crítica.

Eclético, Naná também fez parcerias com nomes como Paul SimonB.B. King, Jean-Luc Ponty e com a banda Talking Heads.

No cinema, além de "O Menino e o Mundo", esteve em trilhas sonoras de filmes internacionais, como "Procura-se Susan Desesperadamente", estrelado por Madonna, e "Down By Law", do cineasta Jim Jarmusch.

No Recife, o músico marcou época abrindo por vários anos o Carnaval do Recife, regendo uma espécie de procissão com centenas de batuqueiros de diferentes nações de maracatu.

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