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Avião do Iron tem assentos de luxo e boca-livre; só não dá para tomar banho

Felipe Branco Cruz

Do UOL, em São Paulo

24/03/2016 06h00

Assim como o vocalista Bruce Dickinson, o guitarrista Adrian Smith deixou o Iron Maiden por um breve período em meados dos anos 90. Em 1999, os dois retornaram juntos para a banda restaurando a formação clássica que dura até hoje. No palco, a interação entre os seis músicos é tão intensa e natural, que nenhum fã discorda de que esta formação sempre foi a melhor.

Smith conversou com o UOL por telefone sobre a turnê “The Book Of Souls” e falou sobre a sua relação com o grupo e as composições que fez para o Iron Maiden (ele só perde em número de músicas para Steve Harris e Bruce Dickinson). “Tocamos juntos por tanto tempo que nos comunicamos sem palavras, apenas pela músicas e expressões faciais”, diz.

A nova turnê pelo Brasil já passou pelo Rio de Janeiro (16/03), Belo Horizonte (22) e Brasília (22). Nesta quinta, eles se apresentam pela primeira vez em Fortaleza (24). No sábado, os britânicos enceram o giro brasileiro em São Paulo, no Allianz Parque. A abertura de todos os shows está sendo feita pelo Anthrax, amigos de longa data do Iron Maiden.

O guitarrista comentou também sobre as mordomias do avião da banda, o Ed Force One, um Jumbo Jet 747-400, que é pilotado pelo vocalista Bruce Dickinson. "Não tem chuveiro. São assentos de primeira classe, como se fosse uma cama. É um mega avião. Dá para dormir e descansar depois de um grande show".

 

 

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Uma das composições favoritas de Adrian é “Wasted Years” que fecha o set list da atual turnê. Nela, já virou tradição ouvir Bruce Dickinson gritando “Adriaaaan” no momento em que o guitarrista faz o backing vocal. “Mesmo depois de 20 anos, ainda tocamos ‘Wasted Years’. Tenho muito orgulho dela porque ela ainda consegue soar bem”.

O guitarrista comentou também sobre o câncer na língua que Bruce Dickinson enfrentou no ano passado. “Ele superou o câncer porque é um cara muito forte física e mentalmente”, analisa. Embora “Aces High” (que fala sobre um ataque aéreo durante a guerra) não tenha sido incluída no set list desta turnê, Adrian brincou que nunca ouviu Bruce cantando a faixa enquanto pilotava o Ed Force One, o avião da banda. “Sinceramente, eu espero que ele fique completamente focado enquanto pilota o avião (risos)”, afirmou. 

Acompanhe abaixo os principais trechos da entrevista:

Adrian no show do Rio de Janeiro - Douglas Shineidr/UOL
Adrian no show do Rio de Janeiro
Imagem: Douglas Shineidr/UOL
UOL: Depois de tantos anos trabalhando juntos, parece que no palco vocês se comunicam mentalmente. Como é essa interação?

Adrian Smith: Sim. Acho que você está certo. Tocamos juntos por tanto tempo que nos comunicamos sem palavras, apenas pelas músicas e expressões faciais. Sabemos o que o outro quer. É uma coisa louca. Isso acontece quando você já está junto há muito tempo.

Dá para sentir quando algum integrante está doente, nervoso ou feliz?

Sim, absolutamente. Só de olhar. Algumas vezes, tocamos diferente sim. Dá para sentir se eles estão felizes ou tristes. Mas na maioria das vezes, sempre é uma coisa boa. Pode acreditar.

Como essa interação entre vocês ajudou no período que vocês escreveram as faixas do novo disco?

Também nos entendemos muito bem no estúdio. Mas é difícil porque ficamos preocupados em não conseguir recriar a mágica do começo. A química ainda continua porque continuamos fazendo álbuns juntos. Por outro lado, é mais fácil do que no começo, porque a criatividade flui e gravamos as músicas rapidamente. Sabemos como tocar o instrumento para deixar a voz de Bruce perfeita. “Death or Glroy” [do novo álbum “The Book of Souls"], por exemplo, gravamos em apenas dois takes.

Como vocês lidaram com o câncer na língua de Bruce Dickinson? Você acha que a total recuperação dele em tempo recorde foi um milagre?

É claro que foi chocante. Foi muito triste para nós, para o Bruce e sua família. Não sei... Eu tinha um sentimento de que ele iria destruir o câncer. Ele superou o câncer porque é um cara muito forte física e mentalmente. Agora, ele está mais forte do que nunca. É incrível mesmo.

No backstage, antes de entrar no palco, vocês brindam com a cerveja da banda, a Trooper?

Não, nunca bebemos antes de um show. Eu me permito uma cerveja durante as viagens, para dar uma relaxada. Sempre a Trooper, é claro.

A turnê vai passar por 35 países. Aos 59 anos, como se prepara para aguentar essa maratona?

Para ser honesto, não queríamos fazer um troço tão grande. Foi até estressante ver o tamanho disso. O palco é imenso. Não nos comprometemos com o público para fazer um show ruim. Você sabe, temos que nos preparar fisicamente. Mas, o mais difícil é mentalmente. Fisicamente, nós vamos para a academia mas, mentalmente, tem que ser forte. Preciso acreditar que sou capaz de subir no palco e fazer a mágica acontecer. Conseguimos isso ficando juntos. O que mais me preocupa é pensar na turnê. Temos que considerar muitas coisas. Depois que ela começa, é ótimo. Antes, no entanto, nossa…

Você já ouviu o Bruce Dickinson cantando “Aces High” enquanto pilotava o Ed Force One?

(Risos) Não. Quer dizer, não sei. Nunca ouvi o Bruce cantando "Aces High" enquanto pilotava. Sinceramente, espero que ele fique completamente focado no voo.

Vocês já enfrentaram alguma situação realmente assustadora a bordo do avião?

Não. Bruce é um ótimo piloto. É a paixão dele. Ele sabe tudo sobre aviões. Além disso, temos três pilotos que se revezam porque existem regras e regulamentos que os obrigam a descansar por várias horas antes de pilotar.

Algum dia vocês imaginaram que fariam uma turnê a bordo de seu próprio jumbo?

Sabe, hoje brincamos com isso. Viajamos em carros e kombis velhas, dormindo em cima do equipamento. Passamos até fome. E agora temos um jumbo e nosso vocalista é o piloto! Temos boa comida, boa bebida. Acho que conseguimos isso com trabalho duro, não é? Com o tempo de carreira, aprendemos a viajar melhor.

Como é o lugar de vocês no avião?

Não tem chuveiro. São assentos de primeira classe, como se fosse uma cama. É um mega avião. Dá para dormir e descansar depois de um grande show, com certeza. Somos muito amigos do pessoal do Anthrax, que viaja conosco no avião.

Na sua opinião, qual solo de guitarra que você compôs é o mais memorável?

Mesmo depois de 20 anos, ainda tocamos “Wasted Years”. Acho impressionante isso. Tenho bastante orgulho dessa música. Ela ainda soa muito bem.

Você pretende continuar com seu projeto solo no Primal Rock Rebellion?

Possivelmente. Definitivamente quero fazer um novo álbum de rock. Um pouco de blues, quem sabe? Ainda não sei. Tenho muitas coisas para fazer. 

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