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Prince teria sofrido overdose há 6 dias; polícia divulga áudio do resgate

Do UOL, em São Paulo

21/04/2016 21h31

O cantor Prince, que morreu nesta quinta-feira (21), teria recebido tratamento por conta de uma overdose que sofreu seis dias antes de sua morte. A informação foi divulgada pelo site "TMZ", que noticiou em primeira mão a morte do cantor.

De acordo com a reportagem, na última sexta-feira (15), o jato particular do cantor fez um pouso de emergência em Moline, Illinois, porque o músico estaria sofrendo uma forte gripe.

Artistas homenageiam Prince; ouça no UOL Música Deezer

Porém, segundo fontes ouvidas pelo "TMZ", os médicos aplicaram em Prince uma medicação para conter os efeitos de drogas derivadas de opiáceos (morfina, heroína, entre outros).

Os médicos teriam recomendado também internação de 24 horas. A equipe do cantor pediu quartos privados, porém o hospital disse que seria impossível. Então eles decidiram assumir o risco e voltaram para casa três horas depois.

Os oficiais de Minnesota estão levantando os dados médicos do hospital em Moline para determinarem a causa da morte. Uma necropsia será feita ainda nesta sexta-feira.

Áudio do pedido de resgate

Os policiais de Minesota divulgaram a transcrição do áudio de uma pessoa não identificada que ligou pedindo uma ambulância. Na ligação, a pessoa não soube informar o endereço e diz que se tratava da "casa do Prince".

Em seguida, a pessoa não identificada afirma que há alguém morto lá. "Qual é o endereço", diz o oficial. "Estou procurando", responde. "Então se concentre nisso", retrucou.

Quando o oficial pergunta quem é o morto, a pessoa responde que não sabe. Em seguida, uma mulher assume o telefone e confirma que o corpo é de Prince.

Ouça o áudio abaixo:

A morte

Pela manhã, a polícia de Minneapolis, no estado de Minessota, nos EUA, divulgou que um corpo não identificado havia sido encontrado em Paisley Park, onde o cantor morava e mantinha um estúdio. As autoridades afirmam que receberam uma chamada médica às 9h43 da manhã, horário local. Segundo a polícia, o artista foi encontrado desacordado no elevador do local, e tentativas de reanimá-lo não tiveram sucesso. A causa da morte ainda não foi informada.

Prince fez sua última apresentação há uma semana, em Atlanta, no dia 14 de abril. Logo após o show, passou mal dentro de seu jatinho particular. O avião fez um pouso não programado em Quad City International Airport na madrugada e o artista foi levado imediatamente para o hospital, onde ficou por três horas, sendo liberado em seguida.

O motivo do mal-estar, segundo os representantes do artista, teria sido uma forte gripe que enfrentava havia semanas. Prince já tinha cancelado dois shows no início de abril, mas voltou à atividade no fim de semana após o incidente, quando fez um show privado e foi visto andando de bicicleta.

Prince fez sua única apresentação no Brasil, em 1991, no Rock in Rio.

Prince canta "Purple Rain" no Rock in Rio 1991

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Trajetória

Filho de um músico de jazz, Prince Rogers Nelson nasceu em 1958, em Minneapolis, nos Estados Unidos, e logo na adolescência montou uma banda com vizinhos e um primo, o Grand Central. Já de início, carregava na parte instrumental extensa bagagem de influências, que iam de James Brown a Jimi Hendrix. Exímio instrumentista, foi eleito 33º melhor guitarrista de todos os tempos pela revista norte-americana "Rolling Stone".

Aos 19 anos, lançou o álbum de estreia, “For You”, em 1978, seguido de "Prince" (1979), "Dirty Mind" (1980) e "Controversy" (1981), movimentando a cena musical com seu som característico: baladas funkeadas com sintetizadores, letras provocativas e falsete.

Emplacou os hits “Why You Wanna Treat Me So Bad?” e “I Wanna Be Your Lover” nas paradas norte-americanas e se tornou um fenômeno pop dois anos depois, com o filme "Purple Rain" e a trilha sonora de mesmo nome. O longa contava uma história autobiográfica, sobre um roqueiro problemático de Minneapolis com problemas familiares. 

Com a força dos singles "When Doves Cry" e "Let Go Crazy", o álbum vendeu mais de 20 milhões de cópias em todo o mundo. "Purple Rain", a canção, ganhou o Oscar e se tornou uma das baladas memoráveis do rock.

Em 1986, lançou um novo filme, "Sob o Luar da Primavera", sem repetir o sucesso. O disco "Parade", que servia como trilha, se saiu melhor e imortalizou o sucesso "Kiss".

Mesmo com sucessos na parada, Prince sempre foi na contramão da indústria musical. Costumava formar bandas para acompanhá-lo nos projetos e chegou a trocar o próprio nome para um impronunciável glifo -- uma união dos símbolos do sexo masculino e feminino.

A mudança tinha como alvo a gravadora Warner, com quem o artista travou uma briga pública e constantemente chamava de "escravidão" o contrato assinado com a multinacional.

Em 2001, Prince se tornou Testemunha de Jeová e se mudou para Los Angeles para "entender melhor a indústria da música". 

Nos 15 anos seguintes, lançou 15 álbuns em que experimentou gêneros diversos e parcerias com artistas contemporâneos, como Lianne La Havas e Rita Ora.

No ano passado, decidiu retirar toda a discografia das plataformas de streaming e os icônicos clipes do YouTube e da Vevo. Manteve seus discos apenas no Tidal, 
serviço de streaming de Jay-Z, e no iTunes, da Apple.

Nos últimos meses, excursionava com o show "piano e microfone" para promover seu último álbum, o 39° da carreira, "HITnRUN Phase Two", lançado em dezembro de 2015. O single "Baltimore" menciona a morte do jovem negro Freddie Gray pela polícia norte-americana.