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Condenado por "incitar crime", grupo mineiro UDR anuncia término

Repdorução/Facebook/UDR
Rafael Mordente (esq.), o professor Acquaplay, e Thiago Machado, o MC Carvão Imagem: Repdorução/Facebook/UDR

Do UOL, em São Paulo

15/06/2016 14h44

O grupo mineiro UDR, condenado pela Justiça de Minas Gerais por incitar crimes e discriminação em suas letras, anunciou nesta quarta (15) o fim de suas atividades. Em nota oficial, os músicos MC Carvão e Professor Aquaplay afirmam discordar com veemência da decisão proferida pelo juiz Augusto Fonseca Barreto, da 8ª Vara Criminal de Belo Horizonte.

"A UDR comunica a todos os seus fãs o término de suas atividades e o cancelamento de sua participação em quaisquer eventos previamente agendados", escrevem os integrantes, que irão recorrer da decisão, originada de uma denúncia do Ministério Público Estadual baseada na divulgação das letras na internet.

"A UDR reitera que sempre promoveu a inclusão, o combate a toda e qualquer forma de preconceito e o questionamento das mazelas da nossa sociedade, por meio da sátira e do escárnio. A UDR agradece o carinho de todos os nossos fãs."

O juiz informou, por meio da assessoria do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que "não existem direitos absolutos e, neste caso, o direito à liberdade de expressão foi claramente ultrapassado, pois violou o respeito e a dignidade humana".

Fixada em três anos, cinco meses e sete dias de reclusão e 120 dias-multa, a pena foi substituída por duas restritivas de direitos. Assim, os músicos terão de prestar serviços à comunidade ou a entidades públicas, além do pagamento de quatro salários mínimos (R$ 3.520).

Letras explícitas

Formado em 2003 pela dupla Thiago Ataíde Machado e Rafael Mordente —nome real dos integrantes— o grupo satírico misturava rock, rap, hip-hop e funk carioca, abordando temas religiosos e polêmico e fazendo uso de palavrões e expressões sexuais.

Na letra de "Bonde do Jesus", por exemplo, Jesus Cristo é retratado de forma libertina, enquanto "Orgia de Travesti" faz apologia ao satanismo, ao uso de drogas e ao contágio da AIDS por meio de sexo gay.

Procurada pela reportagem do UOL, a banda não quis se manifestar sobre o caso. Segundo Sílvio Mendes Arruda, advogado de Rafael Mordente, os músicos não cometeram nenhum crime e a decisão fere o direito à liberdade de expressão.

"Em nenhum momento houve qualquer tipo de incitação, qualquer tipo de incentivo a discriminações de qualquer ordem que seja. Eles se definem, inclusive pela crítica especializada, como idealizadores de um trabalho humorístico e satírico. Não existe comprometimento com o que está escrito nas letras, são apenas sátiras", afirmou.