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Conheça Eduardo Pepato, o ex-office boy por trás dos hits do sertanejo

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Eduardo Pepato e Wanessa Camargo trabalham na nova música da cantora Imagem: Reprodução/Facebook

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

2016-08-08T06:00:00

08/08/2016 06h00

Tudo o que o paranaense Luiz Eduardo Pepato produz vira ouro. “Amar Não é Pecado”, de Luan Santana, “Balada Boa”, de Gusttavo Lima, “Camaro Amarelo”, de Munhoz & Mariano. Não fosse o trabalho desse ex-office boy de 29 anos, natural de Marialva (PR), a “Capital da Uva Fina" do país, talvez o sertanejo que domina o Brasil tivesse outra cara.

Não é exagero. Segundo a Crowley, que monitora programação no país, 4 das 10 faixas mais executadas nas rádios atualmente levam a assinatura de Pepato. Entre elas, a número 1 do momento, “Medo Bobo”, da dupla sensação Maiara & Maraisa.

“Eu atribuo tudo isso a Deus. A gente é usado como instrumento. Quando vejo que meu trabalho está na boca do povo, só agradeço e procuro trabalhar com mais foco, da melhor forma”, diz ao UOL Pepato, sotaque paranaense e simplicidade carregada em cada palavra. Ele nunca chegou a cursar faculdade.

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Eduardo Pepato em estúdio Imagem: Reprodução/Facebook

Vindo de uma família de músicos, ele começou na noite tocando rock, gospel, forró e sertanejo no teclado. Seu primeiro estúdio, mambembe, criou no aperto da garagem de casa. Quando juntou as economias e se mudou para São Paulo, em 2007, a ideia era apenas ser roadie, assistente de produção e o que mais pintasse nos bastidores.

Com o êxito nos primeiros trabalhos, logo conseguiu apoio para montar o próprio estúdio profissional, batizado de “Na House”, onde astros têm livre acesso. Lá, Henrique & Juliano depuraram seu som e estética e Wanessa Camargo gestou o recente retorno ao sertanejo.

Hoje um dos produtores mais requisitados do país, Pepato conta que teve a sorte de estar na hora certa e no lugar exato. Quando começou a empreitada de diretor musical freelancer, era 2012, época em que o mundo ainda se requebrava ao som de "Ai se eu te pego", de Michel Teló. O sertanejo se preparava ali o seu grande salto. Até hoje, o estilo não voltou a tocar o chão.

“Nada é eterno. Acho que esse sertanejo de hoje ainda vai ter uma vida bem longa por estar no melhor momento. Mas tudo isso vai depender do compositor, produtor e principalmente dos artistas e de seus escritórios. Eles precisam manter o mercado bom em todos os sentidos para atender o público”, entende.

Conheça alguns dos hits produzidos por Eduardo Pepato

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Desafio da produção

Atualmente finalizando o DVD da dupla Wellington e Nilo, o produtor tem como desafio constante empregar identidade aos diversos artistas que produz. Muitos chegam a ele com timbre, sotaque letras e até visual praticamente idênticos.

“Quando a dupla tem voz muito parecida, a gente tem que mudar o tema. Eles precisam falar de outros assuntos. Já aconteceu de eu produzir dois artistas que tinham os timbres iguais. Então tive de fazer arranjos bem diferentes, para tentar achar um diferencial”, entende.

"Mas a matéria-prima vai ser sempre a composição. É a chave-mestre. Como produtor, tenho que olhá-la com muita atenção. Gosto de receber os compositores em estúdio, passar o feedback de como vai ser o projeto, para a gente trabalhar em cima disso.”

Segundo Pepato, quem mais tem o hábito de ser debruça sobre sua mesa de som nem sempre é o artista mais consagrado. “As mulheres geralmente são mais detalhistas. A Marília Mendonça e Maiara & Maraísa, que foram as primeiras mulheres com quem trabalhei, elas participaram muito de todo o processo, de cada detalhe das músicas. Não só do repertório, mas também de arranjo e mixagem.”

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Pareceria de sucesso: produtor trabalha ao lado do cantor Gusttavo Lima Imagem: Reprodução/Instagram

Futuro e (falta de) "glamour"

Apostas dele para o futuro? Elas mesmas: as duplas femininas. As produções devem continuar "maduras" e diversificadas, com arranjos bebendo ainda do pop internacional. E isso tem a ver com que Pepato escuta. "Gosto de Paralamas, Titãs, Bon Jovi, Coldplay, Aerosmith. Toquei muito na noite."

Se o sucesso e o retorno financeiro são certos, o glamour na vida de um produtor como ele vai só até a página 2. “O público geralmente não faz a menor ideia do que a gente faz. Mas acho isso normal. O que acontece, às vezes, são as próprias pessoas do meio não te valorizarem. Mas isso é normal", afirma o produtor, que se diz "tímido" e "caipira", pouco afeito à badalação de seu meio.

"É como no futebol. Às vezes o técnico está ganhando muito, mas empata uma e o cara já é o primeiro na berlinda. É assim com o produto. É como um diretor de cinema, mas sem ser estrela”, compara Pepato, que prefere não dizer quanto tira em cada música ou DVD que produz. “Melhor deixar essa pergunta, né?”

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Eduardo Pepato: "O produtor precisa olhar com muita atenção para a composição" Imagem: Reprodução/Intagram

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