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Veja o que rolou na primeira edição do Maximus Festival 2016 em São Paulo

Rodolfo Vicentini

Do UOL, em São Paulo

07/09/2016 14h16Atualizada em 14/09/2016 11h35

Este feriado de 7 de setembro chegou pesado a São Paulo. Pelo menos em relação à música. A primeira edição do Maximus Festival reuniu, no Autódromo de Interlagos, 15 bandas de rock e metal em três palcos diferentes durante toda a tarde desta quarta-feira. Entre as principais atrações, Marilyn Manson, Rammstein, Disturbed, Bullet For My Valentine e Halestorm, além das brasileiras Project 46 e Far From Alaska.

Em sua estreia, o festival trouxe o esperado para um evento desta proporção: line-up diversificado e preços altos de bebidas e comidas. A infraestrutura, menor do que a do Lollapalooza, também realizado em Interlagos, aproximou os três palcos, o que facilitou o deslocamento do público.

Logo no início do evento, que começou por volta do meio-dia, a organização anunciou a segunda edição do Maximus Festival: 20 de maio de 2017, também no Autódromo de Interlagos.

Além do som, o evento também reservou uma área de entretenimento e gastronomia, com exposição de fotos e área de alimentação com o chef Henrique Fogaça, do programa "MasterChef".

Para entrar no festival, o público recebeu uma pulseira que funcionou como um cartão pré-pago, que podia ser carregada com "metals", a moeda local do evento. Para comprar qualquer produto, só era preciso passar a pulseira nas máquinas. Mesmo assim, os donos das lojas admitiram que as vendas não foram muito boas, justamente pela necessidade de ter créditos na pulseira para realizar qualquer compra.

Lá dentro, a água em copo custava 1,5 "metal", que convertendo para o real saia por R$ 5,62. Já uma lata de cerveja Budweiser saia por 3 "metals", ou R$ 11,25. Para se alimentar, era preciso desembolsar um mínimo de R$ 11,25 (ou 3 "metals") por um pastel ou churros, ou até R$ 18,75 (5 "metals"), preço de um hambúrguer ou de um prato de lasanha.

A primeira atração do dia foi a Ego Kill Talent, que abriu a programação de shows. A banda é formada por Jonathan Corrêa, líder da Reação em Cadeia, com os músicos Jean Dolabella (ex-Sepultura), Theo Van Der Loo e Raphael Miranda (ambos ex-Sayowa) e Estevam Romera (Desalmado).

Veja abaixo o que rolou nos principais shows da primeira edição do Maximus Festival, que segue para Buenos Aires (Argentina) neste sábado:

Flávio Florido/UOL
Steve 'N' Seagulls: Bluegrass com hard rock Imagem: Flávio Florido/UOL

Steve 'N' Seagulls

Apesar de o evento reunir grandes nomes de diferentes estilos de metal, o palco Rockatansky abriu com a banda finlandesa de bluegrass Steve 'N' Seagulls. Munidos de violão, contrabaixo, bandolin, banjo e bateria, o quarteto tocou vários clássicos do metal e do hard rock. Abrindo com "Paradise City", do Guns N' Roses, o quarteto ainda passou pela discografia de Iron Maiden, com direito a solo de banjo em "The Trooper", Metallica e AC/DC. Essa é a estreia no Brasil deste simpático grupo que explodiu na internet em 2014 com o cover de "Thunderstruck", do AC/DC, com mais de 27 milhões de visualizações, e desde então entrou em turnê. O público aprovou o karaokê metaleiro e cantou junto, além de arriscar uns passos desengonçados.

Flávio Florido/UOL
Far From Alaska: vocal poderoso de Emmily Imagem: Flávio Florido/UOL

Far From Alaska

Banda de Natal (RN), o Far From Alaska movimentou o público do Maximus Festival mesmo com apenas meia hora de show. O palco Thunder Dome, o menor do evento e que juntou as bandas nacionais da edição, foi dominado pela poderosa vocalista Emmily Barreto, mas fazendo jus à banda toda, o grupo mostrou mais uma vez porque é um dos grandes nomes da nova geração do rock brasileiro. Formada em 2012, a banda dedicou maior atenção ao elogiado álbum de estreia, "Mode Human", lançado em 2014 e que foi considerado um dos melhores daquele ano pela mídia especializada. Mesmo com alguns problemas técnicos no fim do show, o público apoiou a banda.

Flávio Florido/UOL
Hellyeah: sangue falso e poder gutural Imagem: Flávio Florido/UOL

HellYeah

HellYeah subiu ao palco principal festival sendo liderado pelo vocalista Chad Gray, que além de explodir sangue falso no rosto, mostrou todo o poderio gutural. "Eu não falo português, mas falo metal", brincou o cantor, antes da introdução de "Reign in Blood", do Slayer, soar no gigantesco complexo de som de Interlagos. Milhares de pessoas se deslocaram até o palco Maximus para ver a banda, que ainda conta com o ex-Pantera Vinnie Paul comandando as baquetas. Para quem estava mais afastado do palco, o som do Thunder Dome, em que a banda Project46 se apresentava, acabou vazando um pouco. O HellYeah também foi responsável pelo primeiro grande mosh orquestrado, claro, pelo vocalista.

Flávio Florido/UOL
Project46: set curto, mas invocado Imagem: Flávio Florido/UOL

Project46

O público que não acompanhava o HellYeah esteve no palco Thunder Dome para ver o show do Project46. A banda é um dos maiores nomes do metal nacional e foi acompanhada pelos fãs que curtiram um set curto, mas invocado. O último álbum, "Que Seja Feita a Nossa Vontade", teve atenção especial no show, que encerrou a participação do Brasil no festival. "Me faltam palavras para agradecer a participação de vocês aqui", completou o vocalista Caio MacBeserra antes de se despedir.

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Halestorm: desfile sonoro de Lzzy Hale Imagem: Flávio Florido/UOL

Halestorm

O sol tinha acabado de dar as caras quando Lzzy Hale e seu Halestorm começaram o show. A excelente cantora distribuiu charme e técnica ao passar pela discografia da banda. Ora raivosa, ora chamando o público como se estivesse em um culto religioso, como na música "Amen", Lzzy não poupou a voz para elogiar o Brasil, e em cada intervalo entre as músicas alcançava notas cada vez mais altas, quase em um desfile sonoro. A banda se apresentou na última edição do Rock in Rio e, desde então, lançou o álbum "Into the Wild Life". Em 50 minutos de show, o baterista Arejay também mostrou o lado carismático enquanto fazia seu solo, que ainda teve participação do baterista John Fred Young, do Black Stone Cherry, que havia tocado horas antes.

Flávio Florido/UOL
Bullet For My Valentine: Ícone do metalcore Imagem: Flávio Florido/UOL

Bullet For My Valentine

Ícone do metalcore, o Bullet For My Valentine tocou no palco Rockatansky do Maximus Festival. O último álbum deles, "Venon", lançado em 2015 teve destaque, mas a banda também tocou sucessos do início da carreira, que completa quase 20 anos. Com um palco simples, com as letras B F M V em tiras, a banda mostrou peso principalmente com o bumbo duplo do baterista Michael Thomas. O frontman Matthew Tuck, que faz o tipo galã do metal, trocou algumas palavras com os fãs. Mesmo assim, o publico pareceu um pouco disperso durante a apresentação, boa parte se deslocando para as áreas de recreação e alimentação antes dos três últimos shows da noite.

Flávio Florido/UOL
Disturbed: pulso ao alto e muitos covers Imagem: Flávio Florido/UOL

Disturbed

A noite chega e com ela o Disturbed sobe ao palco Maximus para fazer sua apresentação no festival. O vocalista David Draiman logo chama o público com a faixa "Ten Thousand Fists", que coloca a platéia em êxtase, jogando o pulso para cima em resposta. No alto da estrutura do palco, labaredas eram impulsionadas contrastando com a luz vermelha que invadia o palco. O último álbum do grupo, "Immortalized", ganhou destaque, principalmente na bela e pesada versão do clássico "Sound of Silence", de Siomon & Garfunkel, com direito a violino e um mar de celulares acesos. Uma sequência de covers também pintou no repertório, caso de "Still Haven't Found What I'm Looking For", do U2, "Baba O' Riley", do The Who, e "Killing In The Name" , do Rage Against the Machine. Voltando às músicas da banda, "The Light " foi regida por David, que pediu no refrão para que o público iluminasse o autódromo de Interlagos.

Raphael Castello/AgNews
Marilyn Manson: "É tão bom estar de volta" Imagem: Raphael Castello/AgNews

Marilyn Manson

Depois de quase uma década sem pisar em solo brasileiro, Marilyn Manson foi o último artista a subir no palco Rockatansky. Com um colete discreto por cima de uma camisa sem mangas e a tradicional maquiagem preta nos olhos, o cantor saudou o público. "É tão bom estar de volta, vocês são lindos", disse. Marilyn trocou de roupa e vestiu um blazer dourado antes de tocar um trecho de "Moonage Daydream", de David Bowie, em um tributo ao cantor que morreu em janeiro deste ano. Outra parte do show que chamou a atenção, foi quando um retrato de Marilyn apareceu em uma nota de dólar americano, com o valor 666. "Quantas pessoas aqui estão drogadas essa noite? Vou pedir para prenderem vocês", declarou em tom de brincadeira. "Sweet Dreams (Are Made of This)", maior hit do cantor, também não ficou de fora. Leia aqui o relato completo da apresentação que encerrou o palco Rockatansky.

Flávio Florido/UOL
Rammstein: esqueçam o celular e curtam Imagem: Flávio Florido/UOL

Rammstein

Com um palco móvel, cheio de surpresas, o Rammstein fechou o evento com o melhor show do dia. Antes do início do show, a banda alemã pediu que o público não se preocupasse em tirar fotos e curtisse o show. O vocalista Till Lindemann surgiu então todo de branco e com uma cartola que logo viraria uma explosão ensaiada. Referência do metal industrial, a banda não vinha para o Brasil desde 2010, por isso a ansiedade dos fãs. Ora com roupa de couro, ora com um grande capuz marrom, Till também atraiu as atencões por todo o trabalho teatral com o qual comanda o grupo. Leia mais.