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Metallica une os anos 80 e 90: novo álbum traz peso, rapidez e homenagens

Capa do novo álbum do Metallica - Divulgação
Capa do novo álbum do Metallica Imagem: Divulgação

Rodolfo Vicentini

Do UOL, em São Paulo

18/11/2016 00h20

Os fãs esperaram quase uma década, mas finalmente o Metallica lançou nesta sexta-feira (18) o álbum sucessor de “Death Magnetic” (2008). Em “Hardwired...To Self-Destruct”, James Hetfield (vocal e guitarra), Kirk Hammett (guitarra), Robert Trujillo (baixo) e Lars Ulrich (bateria) revisitam a rapidez que definiu o thrash metal da década de 80 e ainda passam pelo peso visto nos clássicos “Ride The Lightning” (1984), “Master of Puppets” (1986) e “Metallica” (1991).

Até este trabalho, o Metallica tinha lançado uma parceria com o falecido compositor Lou Reed, “Lulu” (2011), e o single “Lords of Summer” (lançado em 2014 e que vem como faixa bônus em “Hardwired...”), para as plataformas digitais e em uma edição especial em vinil. Especulações e promessas de novidades andaram lado a lado com a banda, que já passou 8 vezes pelo Brasil e está confirmada no festival Lollapalooza 2017, em São Paulo.

A temática do novo álbum é a relação entre as pessoas e como o homem lida com o universo. Um desses aspectos é a tecnologia, como fala a faixa “Spit Out The Bone”. “É se livrar da carne humana. O maquinário é muito mais eficiente. Nós queremos as coisas mais rápidas e a conveniência da tecnologia, e tudo isso leva à dependência”, disse o vocalista em entrevista a uma rádio colombiana.

Com James, Lars e Greg Fidelman encarregados da produção, a banda já havia liberado 3 músicas do novo projeto, causando um rebuliço. “Hardwired...” é duplo e apresenta 12 músicas, quase 80 minutos de porrada sonora.

12 músicas e 12 clipes

Entre quarta (16) e quinta-feira (17), a banda disponibilizou, a cada 2 horas, um clipe de cada música do novo álbum, o que deixou os fãs aflitos para ouvir as novidades.

Todos os 12 clipes são criativos, mas alguns acabam se sobressaindo. “Murder One” apresenta uma retrospectiva animada do início da carreira do falecido Lemmy Kilmister, líder do Motörhead, e é um adeus da banda ao baixista.

Lemmy Kilmister no palco ao lado de Kirk Hammett e James Hetfield, do Metallica - Reprodução/Facebook/OfficialLemmy - Reprodução/Facebook/OfficialLemmy
Lemmy Kilmister no palco ao lado de Kirk Hammett e James Hetfield, do Metallica
Imagem: Reprodução/Facebook/OfficialLemmy

Em “ManUNkind”, uma banda maquiada ao estilo black metal sobe ao palco para um final sangrento. Outro destaque é o fantástico e assustador “Here Comes Revenge”, que mostra um animal surpreendido pelas suas presas.

Leia abaixo as primeiras impressões de “Hardwired... To Self-Destruct":

“Hardwired”

A música que abre o novo álbum do Metallica foi a primeira divulgada em agosto, e é um resgate dos primórdios da banda visto em “Kill’ Em All” (1983), evocando a faixa “Metal Militia”. É pesada, rápida e agressiva.

“Atlas, Rise”

Mais uma excelente faixa. Com passagens que lembram (eu disse lembram, então muita calma nessa hora) alguns trabalhos do Iron Maiden, a música é a primeira do trabalho com mais de 6 minutos. O ponto negativo é o solo sem graça de Kirk.

"Now That We're Dead"

7 minutos de porrada e um refrão fantástico, pode entrar facilmente no repertório dos shows. Típico estilo que o Metallica vem fazendo dos anos 90 para cá. Kirk usa novamente o wah-wah, mas dessa vez acerta na escolha.

“Moth Into Flames”

James acaba dando um show à parte aqui. Com um riff marcante e um refrão para lá de pegajoso, a música foi a 2º divulgada do novo trabalho.

"Dream no More"

Metallica encontra Alice in Chains? Na faixa que conta com o peso visto no clássico “Sad But True”, do começo dos anos 90, James incorpora em alguns momentos a melodia lenta e sinistra da banda de Seattle, com um vocal pouco usual ao que está acostumado. O solo de Kirk também remete ao da faixa do Black Album, como observou um seguidor no Youtube: “Parece até um ‘Sad But True II’”. Para uma banda que tem 3 versões de “The Unforgiven”, até que faria sentido.

“Halo On Fire”

A música mais longa de “Hardwired...” traz Kirk e James em boa forma. O primeiro pelos excelentes solos e o segundo pela performance vocal mesmo cinquentão. Mesmo assim, mudando de ritmo a todo minuto, ora veloz ora calma, a música acaba não conquistando e passa despercebida.

"Confusion"

Para um álbum recheado de homenagens (a melhor ainda está por vir), o Metallica não poderia esquecer o NWOBHM. A introdução da faixa “Confusion” lembra o clássico do Diamond Head “Am I Evil”, gravado pela banda britânica em 1980, e regravado pelo Metallica em “Kill’ Em All”. Com mais um clipe sobre guerra (lembram-se de “One” e “The Day That Never Comes”?), a música é a mais fraca da primeira parte de “Hardwired...To Self-Destruct”.

"ManUNkind"

Uma bela surpresa, mostrando a diversidade do Metallica. A música tem a pegada característica da banda norte-americana, mas introduz riffs mais puxados para o hard rock, com um toque meio Black Sabbath.

"Here Comes Revenge"

“Revenge!”, grita James na faixa de “Hardwired… To Self-Destruct” que poderia facilmente ter entrado no Black Album ou no Load (1996), e que traz o melhor solo de Kirk. Com uma intro que soa como a fantástica “Lepper Messiah”, de “Master of Puppets”, a música é a mais agressiva do novo trabalho e traz um clipe para lá de sinistro.

“Am I Savage”

Outra porrada na sequência. A música relembra o groove do Pantera e traz um lado um pouco diferente do que estamos acostumados do Metallica.

“Murder One”

Hora do tributo definitivo do álbum. O nome dessa música é uma homenagem ao falecido Lemmy, morto em dezembro de 2015, que chamava o seu cabeçote do amplificador Marshall preferido de “Murder One”. A letra cita algumas faixas clássicas do baixista do Motörhead, como “Ace of Spades”, “Born to Lose”, “Iron Fist” e outras.  

“Spit Out The Bone”

E o Metallica fecha “Hardwired... To Self-Destructed” da melhor forma possível – e com talvez a melhor música. Misturando a velocidade dos anos 80 com o groove dos 90, a faixa é um épico e uma das candidatas a melhor trabalho da banda nos últimos 20 anos. Lars pode não ser o baterista mais técnico do metal, mas cumpre bem seu trabalho e aqui está certeiro. A dupla de guitarristas mostra todo o arsenal de riffs e trabalha muito bem com  o baixista Trujillo. 

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