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Em Porto Alegre, Black Sabbath começa despedida do Brasil com dignidade

Alexandre de Santi

Colaboração para o UOL, em Porto Alegre

29/11/2016 06h17

Foi um único erro. Na 12ª música, “Children of the Grave”, a última antes do bis, Ozzy Osbourne começou a cantar cedo demais, percebeu o deslize e disse “Sorry” (“desculpa”) no microfone. O guitarrista Tony Iommi caiu na gargalhada.

Na sua turnê de despedida dos palcos, o Black Sabbath chegou ao Brasil na noite desta segunda-feira (29) e empolgou a plateia de 18 mil pessoas em Porto Alegre. Serão mais três shows no país (em Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo) – e os brasileiros podem ficar tranquilos. Embora quase setentões, os ingleses continuam entregando o peso que, ao longo de quase 50 anos, tornou o Black Sabbath uma das maiores bandas de heavy metal de todos os tempos.

Para evitar erros ou desgaste físico, a banda vem repetindo o repertório de 13 músicas nos shows – uma preocupação justificada para um vocalista de 67 anos que abusou das drogas ao longo de décadas e um guitarrista de 68 anos que vem tratando um câncer desde 2012. Portanto, não espere surpresas. O setlist pelo Brasil deve ser o mesmo executado no show do Estacionamento da Fiergs, na capital gaúcha. A única diferença pode ser a entrada de “Hand of Doom”, música do segundo disco da banda, “Paranoid”, que constava no setlist divulgado pela produção, mas que não foi tocada em Porto Alegre e vem aparecendo em alguns shows da turnê.

Desde 2013, na última vez que o Black Sabbath se apresentou no Brasil, o show também diminuiu de duração, de quase 2h para 1h35min. A grande diferença do repertório de lá para cá foi o corte das músicas do último disco de estúdio, “13”. Neste setlist, predominam faixas dos discos “Paranoid” (5), “Black Sabbath” (3) e “Master of Reality” (3), todos do início da carreira da banda, nos anos 1970.

A banda está empenhada em encerrar o roteiro mundial de megashows com dignidade. Ozzy parece ler parte das letras nos monitores em frente ao seu microfone. A manobra tira um pouco da naturalidade da performance, mas garante que o vocalista não se perca nos versos – como já ocorreu inúmeras vezes em shows do Sabbath no passado. Ozzy sentiu o peso da idade nos últimos anos: até 2013, ainda era o frontman incendiário, apelidado de “Madman” (o “louco”), que corria de lado a lado interagindo com o público.

Em Porto Alegre, pouco deixou seu posto em frente à bateria, arriscando corridas pelas laterais do palco apenas durante “Children of the Grave”, já no final do show. No resto da noite, comandou coreografias da plateia com os braços e pouco falou com o público. O comportamento contido e a apresentação mais concisa, no entanto, deixam a banda mais concentrada na música. Iommi reduziu os solos rápidos ao longo dos anos, mas vem compensando com frases mais melódicas e expressivas. Além disso, ele conta com o apoio do público para cantar junto os riffs de guitarra, um luxo que poucos guitarristas do mundo podem se gabar. O baixista Geezer Butler foi prejudicado pela equalização do som e pouco foi ouvido em alguns setores da pista, mas distribuiu pancadas nas cordas como de costume, colaborando com a força da banda no seu estilo peculiar de atacar as notas.

O único que não precisa se poupar é o atlético baterista Tommy Clufetos, de 36 anos, que substituiu o integrante original do Sabbath, Bill Ward. Depois do clássico “N. I. B.”, Clufetos fica sozinho no palco para um solo de nove minutos, quando os companheiros podem aproveitar para tomar uma água no backstage. O público entrou no clima e interagiu com a apresentação do baterista.

Mas uma turnê batizada como “The End” tem ares de evento histórico que vai além da preocupação com a execução das músicas. As camisetas oficiais estampam a frase “Black Sabbath's last show ever in Porto Alegre, BR - 28/11/2018” (“o último show do Black Sabbath em Porto Alegre”). Na tenda de souvenirs, é possível levar CDs autografados pelos integrantes da banda por R$ 250. Após o bis, com “Paranoid”, o quarteto saúda o público a frente de telões com a frase “The End” em letras garrafais, enquanto alguns fãs enxugavam as lágrimas na pista vip.

Na quarta-feira, 30, será a vez dos curitibanos se despedirem dos astros do metal na Pedreira Paulo Leminski. Os cariocas poderão prestar homenagens na sexta, dia 2, na Praça da Apoteose. O último show do Black Sabbath em solo brasileiro ocorre em São Paulo, no domingo, dia 4, no estádio do Morumbi.

Depois do Brasil, a banda volta para a Europa, onde tem mais nove shows agendados. Se tudo seguir conforme o planejado até o momento, os ingleses encerram a carreira nos palcos no dia 4 de fevereiro de 2017, em Birmingham, a terra natal do grupo que inventou o rock pesado.

Veja abaixo o setlist do show:

Black Sabbath
Fairies Wear Boots
After Forever
Into the Void
Snowblind
War Pigs
Behind the Wall of Sleep
N.I.B.
Rat Salad (e solo de bateria)
Iron Man
Dirty Women
Children of the Grave

Bis:
Paranoid

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