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Mulher do ano, Madonna diz: "Sou controversa porque eu permaneço aqui"

9.dez.2016 - Madonna posa no tapete vermelho do evento da Billboard, em Nova York - REUTERS/Shannon Stapleton
9.dez.2016 - Madonna posa no tapete vermelho do evento da Billboard, em Nova York Imagem: REUTERS/Shannon Stapleton

Do UOL, em São Paulo

10/12/2016 10h58

"Eu estou diante de vocês como um capacho... Oh, quero dizer, como uma artista feminina”. Foi dessa maneira, intercalando uma piada ou outra durante um relato forte e pessoal, que Madonna emocionou toda a plateia do 11ª Billboard Women in Music, evento anual da publicação americana voltado às mulheres na música.

Eleita a mulher do ano pela premiação, a cantora agradeceu: "Obrigado por reconhecer minha capacidade de continuar minha carreira por 34 anos diante do sexismo e da misoginia explícitos, do bullying constante e do abuso implacável", disse ela.

A cantora ainda fez um longo desabafo sobre a vez que foi estuprada, sob a ameaça de uma faca em sua garganta, e de como lutou contra rótulos machistas, após se separar do ator Sean Penn.

“Eu fiz o meu álbum ‘Erotica’ e meu livro ‘Sex’ foi lançado. Eu me lembro de ser a manchete de todos os jornais e revistas e tudo que eu li sobre mim era condenável. Eu era chamada de prostituta, uma bruxa. Uma manchete me comparou com Satanás. Eu disse: 'Espere um minuto, não é Prince correndo por aí com meias, saltos altos e batom com a bunda a mostra?' Sim. Mas ele era um homem.”

 

"As pessoas dizem que eu sou tão controversa, mas acho que a coisa mais controversa que já fiz é permanecer aqui", disse Madonna em outro momento. "Michael [Jackson] se foi, Tupac se foi, Prince se foi, Whitney se foi, Amy Winehouse se foi, David Bowie se foi. Mas eu ainda estou de pé"

Aos 58 anos, a artista pop vendeu um milhão de ingressos de sua última turnê, "Rebel Heart Tour”, mas revelou que ainda sofre com o machismo na indústria. "Se você é uma menina, você tem que jogar o jogo. Você tem permissão para ser bonita, fofa e sexy. Mas não para agir com inteligência. Não tenha uma opinião que fuja do status quo”, disse. “E, finalmente, não fique velha, porque envelhecer é um pecado. Você será criticada, vilipendiada e definitivamente não tocará na rádio.”

Kesha: "Me sinto presa"

O evento também homenageou a cantora Kesha - que está atualmente em uma batalha legal contra seu ex-mentor e produtor Dr. Luke. 

"É espantoso ser honrada depois desse ano que eu tive. Eu me sinto presa, e me sinto triste", disse a cantora. "Eu realmente não tinha vontade de me levantar e receber um prêmio - eu não me sentia digno disso, mas eu sabia que tinha que me arrastar para fora da minha cama, colocar minhas botas e subir até aqui e dizer obrigado a vocês”.

Em tom sério, acrescentou: "O mais importante, não deixe que ninguém mais leve sua felicidade, você vale a pena, e obrigado por me lembrar que eu também valho a pena". Kesha foi aplaudida de pé pela plateia.

O evento, que aconteceu em Nova York, deu a Shania Twain o prêmio de ícone, e também homenageou as cantoras Maren Morris, Halsey, Andrea Day e Meghan Trainor.

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