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Sem glamour de reality, dono da franquia "Idol" busca estrela pop no Brasil

Renata Nogueira

Do UOL, em São Paulo

10/12/2016 07h00

Esqueça as filas quilométricas na Arena Corinthians e o desespero dos milhares deixados de lado na audição para o "X Factor Brasil". Longe dos holofotes da TV, o britânico Simon Fuller, ex-empresário das Spice Girls, enviou seu braço direito ao Brasil em busca de um talento para sua maís nova empreitada: o Now United.

A mulher que conquistou a confiança do dono da franquia "Idol" (dos realities "Pop Idol", "American Idol" e "Ídolos") tem nome e sobrenome: Yonta Taiwo. A diretora de casting dedicou 12 horas de seu dia na última sexta-feira (9) para avaliar talentos brasileiros que disputarão uma vaga dentro do grupo pop multicultural que deve contar com 11 integrantes ao final das audições.

Cidadã do mundo, a caça-talentos combina perfeitamente com o perfil que Simon busca para o grupo. Nascida na Tasmânia, uma pequena ilha ao sudoeste da Austrália, Yonta mantém residência em Los Angeles, nos Estados Unidos, nos últimos quatro anos. Seu trabalho a obriga a rodar o mundo todo. Antes de vir ao Brasil avaliar os talentos, ela já havia passado por México e Japão. Em sua rota ainda estão Índia, Coréia do Sul e Senegal. 

No total, onze países terão as audições abertas presenciais para o Now United. Mas isso não impede que candidatos de outros territórios tentem uma vaga. As inscrições estão abertas a interessados do mundo todo, que podem enviar seus vídeos pela internet para a avaliação da equipe e do próprio Simon Fuller. 

"Este é o principal projeto do Simon no momento. Eu faço uma pré-seleção daqui e encaminho alguns vídeos. É um trabalho em equipe, mas ele está completamente envolvido", esclarece Yonta. A representante do britânico também deixa claro que o Now United não é um programa como os da franquia "Idol".

Lucas Lima/UOL
Yonta Taiwo busca estrela pop no Brasil Imagem: Lucas Lima/UOL

"Definitivamente não é um reality show. Ao final da seleção cerca de 30 escolhidos vão passar por uma espécie de acampamento em Los Angeles e serão treinados pelos melhores professores de canto e coreógrafos do mercado. Destes, 11 serão escolhidos e passarão por um 'media training' para serem lançados até o segundo semestre de 2017", conta sobre o processo.

"A ideia é celebrar a diversidade em um momento tão complicado como o que estamos passando no mundo", finaliza Yonta sobre o objetivo de lançar uma banda com onze integrantes de diferentes nacionalidades.

Sem glamour e sem pressão

A reportagem do UOL pode acompanhar de dentro da sala de apresentação duas das audições para o Now United. Ainda em fase preliminar, o ambiente é tranquilo e completamente diferente das audições que o público está acostumado a acompanhar pelos programas de talento que pipocaram nos últimos anos na TV.

Sem grande alarde e divulgação, os candidatos foram recebidos em um hotel de luxo na região da avenida Paulista, coração de São Paulo. Havia cadeiras para espera e o ar condicionado disponível tanto para os que tentavam a sorte como seus acompanhantes. Apesar do limite de idade entre 16 e 19 anos divulgado previamente nas convocações, alguns candidatos acima dos 20 apareceram e foram ouvidos mesmo assim.

Lucas Lima/UOL
Jay Kei: primeiro da fila para a audição Imagem: Lucas Lima/UOL

Entre os talentos, jovens cantores de chuveiro até uma ex-participante do "The Voice Brasil". A audição podia ser conduzida em inglês ou português, da forma que o avaliado se sentisse melhor e mais confortável. Muito tranquila, Yonta Taiwo chegou até mesmo a oferecer seu próprio celular para tocar as músicas de quem chegasse mais despreparado. 

O paulistano Jay Kei, nome artístico de Jonas Martins, foi o primeiro da fila. Ele chegou ao hotel às 8h40 da manhã apesar de a audição estar marcada para começar ao meio-dia. "Já estava com passagem comprada para Los Angeles, onde vou atrás do sucesso, mas uma tia minha viu o anúncio no jornal e me avisou. Senti que era algo diferente", conta. 

Misturando o inglês e português, Jay se arrisca na carreira artística desde 2011, quando fez um intercâmbio para Miami, nos Estados Unidos. "A partir daí comecei a compor e misturar ritmos. Minhas músicas têm até um pouco do funk brasileiro. Eu apresentei uma música autoral e acho que eles curtiram", conta sobre a audição. E sobre a sorte de ser o primeiro a se apresentar? "'Always the first' (sempre o primeiro), esse é meu lema".

Outra que estava tranquila era a atriz e modelo Janayna Schmidt, de 16 anos. Ela foi avisados sobre o teste pelo booker da agência e chegou até a conversar com Yonta pelo Skype antes de ir ao hotel se apresentar para a representante de Simon Fuller. 

Filha de alemão e brasileira, Janayna é multi-instrumentista, bailarina e costumava acompanhar a mãe que é cantora. "Minha família é de músicos, fazia backing vocals na banda dela. Já é um mundo que estou acostumada", conta sobre a chance de viver em Los Angeles e dividir o palco com mais dez pessoas. 

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Gabi Mattos cantou Beyoncé e dançou Fifth Harmony no teste para entrar no Now United Imagem: Lucas Lima/UOL

Gabi Mattos, que participou do "The Voice Brasil" como integrante do time de Daniel, arriscou a sorte mais uma vez na música, desta vez arriscando um repertório pop. No reality show da Globo, ela virou as quatro cadeiras intepretando "Whola Lotta Love", do Led Zeppelin. Acabou seguindo pela estrada do rock depois da experiência. 

Hoje, aos 22 anos, seu objetivo é ser uma estrela da música pop. Para isso cantou "Baby Boy", de Beyoncé, e dançou "Work From Home" da girl band Fifth Harmony. Acompanhada de seus empresários, Gabi quis fazer o teste mesmo com três anos a mais do que a idade limite. "A audição é aberta. Se eles forem negar, que pelo menos que fosse na minha cara". O empresário foi enfático sobre a chance de agenciamento internacional: "Não vejo a hora de perder ela".

Depois dos testes, alguns candidatos foram convidados a voltar. Satisfeita com os resultados, a equipe do empresário britânico deve retornar ao Brasil no final do mês de janeiro para uma segunda fase de audições. Os candidatos devem ser escolhidos até março e o Now United lançado até o meio do ano. Ou seja, a sensação do verão americano de 2017 vai ter tempero brasileiro.

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