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Com mantra do "bem", filha de Baby defende família: "Não somos reprimidas"

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Zabelê lança single sobre positividade e defende quem não quer ver "aquilo maravilhoso" Imagem: Divulgação

Tiago Dias

Do UOL, em São Paulo

08/02/2017 04h00

“Vamos praticar o bem. Conectar o corpo, olhar o novo. Será bom”. Nascida em pleno retiro hippie dos Novos Baianos, Zabelê carrega, assim como a mãe Baby do Brasil e as irmãs Sarah Sheeva e Nãna Shara, certa espiritualidade na vida. Sua mensagem é clara e está no single que acaba de lançar, “Prática”, composição de André Carvalho (filho de Dadi Carvalho).

“É um mantra que se repete com o intuito de levar as pessoas a essa positividade. É uma coisa muito da minha personalidade, da minha vida”, conta, em conversa com o UOL.

Seu cartão de visita ao mundo, lançado no primeiro disco solo em 2015, ganha agora um remix festivo e dançante pelo DJ Leo Breanza (que já trabalhou com Vanessa da Mata e Seu Jorge). “As pessoas estão meio para baixo, não é? Com a política, a economia. É uma maneira de olhar para frente. Acho que é um tempo bom para essa música”.

Com traços idênticos ao da mãe e das irmãs -- com quem manteve, nos anos 1990, o grupo pop SNZ --, Zabelê aparenta ser a voz dissonante na família, que tem reafirmado nos palcos e nas redes sociais a crença ao evangelho e a abstinência do sexo como prova de fé. A filha n° 2 de Baby e Pepeu Gomes, no entanto, garante que não existe conflito algum.

“Minha mãe teve seis filhos e sempre disse que cada um ali era um universo diferente”, pontua. “Fomos criados sempre para nos colocarmos de forma autêntica, expondo o que sente, o que gosta, o que faz. A gente se entende”, garante.

Para ela, a posição messiânica de Baby do Brasil, que se mantém intacta mesmo com a volta aos palcos dos Novos Baianos, ou o testemunho de Sarah Sheeva, que virou meme ao relatar que estava há anos sem ver “aquilo maravilhoso”, choca as pessoas pela liberdade e autenticidade.

“Por que ela não pode seguir com ‘aquilo maravilhoso’ que para ela é maravilhoso? As pessoas se assustam quando alguém tem uma opinião muito certa do que querem e acreditam”, defende. “Se eu pudesse resumir em uma única frase, seria: Não somos reprimidos.”

No caso de Baby, que causou alvoroço ao assumir o namoro com o comentarista Casagrande, a reverência é ainda maior. “É maravilhoso minha mãe começar a namorar nessa idade, quando geralmente as pessoas dizem: ‘ah, parei’. Ela está dando um exemplo para as mulheres.”

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As irmãs Nãna, Sarah e Zabelê na época do SNZ Imagem: Divulgação
Caminho próprio

A filha mais ‘low profile’ desse clã, no entanto, chega aos 41 anos realizada por finalmente encontrar seu próprio canto na música. O disco que leva seu nome foi lançado de maneira inteiramente independente, mas com produção esmerada do amigo e baterista Domenico Lancelotti e mixagem de Moreno Veloso.

“Foi meu tempo de amadurecimento”, observa a cantora, que prevê um segundo disco só com composições inéditas de Jorge Mautner e Moraes Moreira. 

“Vim de uma família musical, com muitas informações, e sempre escutei desde MPB até a música pop, com Michael Jackson e Madonna. Quero mostrar a minha essência. ’Caramba, não é o SNZ?’ Não, é a Zabelê.”

O remix da música que abre o álbum de 2015 surgiu até mesmo como estratégia. “A minha intenção é levar as pessoas até meu disco. Sendo artista independente, carregando sua própria mochila nas costas, você tem que ver formas para acessar as pessoas”, diz, inspirando a mesma tranquilidade que ela entoa em “Prática”. Sem amarras e repressão. Afinal, desse mal a família não sofre.