Música

Aos 92 anos, Charles Aznavour lamenta por quem está começando a carreira

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Felipe Branco Cruz

Do UOL, em São Paulo

16/03/2017 04h00

Os quase 80 anos de estrada são mais do que suficientes para que Charles Aznavour constate: ele odiaria começar a carreira hoje em dia. Aos 92 anos de idade, o cantor francês culpa a internet ("Matou a indústria musical") e reality shows de TV ("Não são feitos para achar novos artistas"). E garante: Bob Dylan, Bruce Springsteen e Beatles também não iriam gostar de viver o começo de tudo nos dias de hoje.

É o amor pela música que faz com que Aznavour continue tendo forças para continuar fazendo shows --em 2006, ele até chegou a anunciar uma turnê de despedida, mas nunca abandonou os palcos. E agora ele traz de volta ao Brasil duas apresentações: nesta quinta-feira (16) ele se apresenta em São Paulo, no Espaço das Américas, e no sábado (18) é a vez do Rio da Janeiro, no Vivo Rio. Ainda há ingressos para as duas cidades.

Aznavour começou a carreira abrindo shows para Edith Piaf, e ainda se surpreende com a popularidade que a cantora tem mundialmente, mesmo depois de 53 anos de sua morte. "Se voltasse, ela não acreditaria como continua relevante", diz ao UOL ele que já escreveu mais de mil canções, vendeu mais de cem milhões de discos, cantou em 104 países, fez milhares de shows e atuou em 80 filmes.

O repertório dos shows no Brasil será um mix de seus grandes sucessos e claro que "She" (1974) não ficará de fora. A música ganhou um novo fôlego em 1999, quando foi incluída na trilha sonora do filme "Um Lugar Chamado Notting Hill", em uma versão interpretada por Elvis Costello.
 

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UOL - Que lições aprendeu com Edith Piaf que gostaria de ensinar para outros músicos ao redor do mundo?

Charles Aznavour - Com Piaf eu aprendi como me portar no palco e em como entregar uma canção. Aprendi como ouvir uma música e nos sentimentos que ela deve passar, além de como me portar com o público. Acho estranho como Piaf é popular hoje em dia, anos depois de sua morte. Se voltasse, ela não acreditaria como continua relevante.

O que mudou para o bem e para o mal do início da sua carreira até os dias atuais?

Muitas coisas. Para ser honesto, eu odiaria começar a minha carreira hoje. Com essa indústria musical, muitos artistas também não iriam gostar, como Pink Floyd, Bob Dylan, Bruce Springsteen, Elton John, Leonard Cohen, Beatles. Hoje em dia é tudo efêmero. Todos esses programas de talentos na TV não são feitos para achar novos artistas. Eles são programas de TV em primeiro lugar e fazem muito dinheiro com anúncios e votação via telefone. Se alguém se tornar uma estrela, que bom. Mas isso não é o essencial aos olhos deles. Muitos desses jovens foram retirados de suas vidas humildes e em dez semanas são empacotados e apresentados a uma nova vida. Nem todos podem vencer e, no final da temporada, são jogados de volta para se tornarem caixas de supermercado. É muito cruel. Muitos precisam de terapia, tem crises nervosas, alguns até se suicidam. Já me convidaram várias vezes para ser jurado e nunca aceitei.

Encontramos centenas de vídeos seus no YouTube. A internet renovou a sua audiência?

A internet é uma faca de dois gumes. De um lado, matou a indústria musical. As vendas de discos acabaram por causa dos downloads e pagamentos ridiculamente baixos em plataformas de streaming. Mas o YouTube teve um impacto positivo ao deixar disponíveis produtos que nunca seriam vistos de outra forma. É uma ferramenta incrível para artistas e eu tenho certeza que muitos descobriram a minha música no YouTube. Então é positivo.

Você é francês, mas canta em diversas línguas. Qual é a língua mais bonita para se cantar?

Eu canto em seis línguas e cada uma tem prós e contras. Mas, para ter certeza que as minhas canções foram entendidas em todas as línguas, eu já as traduzi para vários idiomas para terem exatamente o mesmo significado quando eu escrevi originalmente em francês. Eu precisava disso para construir a minha personalidade e carreira em cima do palco. E eu consegui.

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O cantor Charles Aznavour Imagem: Divulgação

Qual música ainda te faz chorar?

São muitas para se mencionar aqui.

E quais músicas te faz feliz?

Eu sou muito curioso por natureza e ouço tudo que está sendo lançado atualmente. Uma quantidade imensa de novos artistas estão regravando minhas músicas ou gostariam que eu colaborasse com um dueto. Se eu gosto dos artistas, eu aceito gravar um duo. Foi o que ocorreu com uma jovem cantora francesa chamada Zaz. Ela é muito talentosa e gravamos um dueto e escrevemos uma nova música.

"She" foi resgatada após entrar na trilha de "Um Lugar Chamado Notting Hill". O cinema continua sendo uma parte importante da sua carreira?

Muito importante. Eu fiz 80 filmes. "Atirem no Pianista" (1960), de François Truffaut, foi o meu primeiro filme popular e agora é um clássico. "She" ganhou uma nova vida com “Notting Hill” e uma nova geração descobriu a música. Foi algo que me deixou muito feliz.

Você está na estrada por muitos anos. Quais dicas daria aos jovens músicos?

Não dou conselhos porque cada pessoa é diferente. As coisas são diferentes e o que funciona para mim pode não funcionar para o outro. Mas eu diria para serem originais e persistentes. Não desistam.

Você vem ao Brasil frequentemente. O que lhe atrai no país?

Eu adoro o Brasil. O público é caloroso e o país é lindo. Que saudade da comida e da caipirinha. É sempre um prazer voltar ao Brasil.

Serviço:

São Paulo
Quando: Quinta-feira (16), às 22h
Onde: Espaço das Américas (Rua Tagipuru, 795. Barra Funda)
Valor: Disponíveis em todos os setores: de R$ 150 a R$ 300
Site: Ingresso Rápido

Rio de Janeiro
Quando: Sábado (18), às 22h
Onde: Vivo Rio (Avenida Infante Dom Henrique, 85)
Valor: Restam apenas ingressos VIP (R$ 375) e premium (R$ 500)
Site: Ingresso Rápido

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