Lollapalooza

A tecnologia fez os baixistas sumirem, diz John Taylor do Duran Duran

Divulgação
Duran Duran: Roger Taylor, John Taylor, Simon Le Bon e Nick Rhodes Imagem: Divulgação

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

24/03/2017 06h00

Ser o decano de um festival, em meio tantos artistas da nova geração, não é problema para o Duran Duran, que se apresenta na tarde deste domingo (26) no Lollapalooza. O fato de o contrabaixo ter “desaparecido” da música pop soa bem mais preocupante, especialmente quando você é John Taylor, criador de uma das linhas mais memoráveis do pop oitentista, a de “Rio”.

“Eu assisti à última edição do Grammy e acho que vi só três baixistas em três horas. Acho que hoje é como voltar aos anos 1960, durante a ascensão do rock, e ser um violoncelista. É tudo muito eletrônico”, compara músico, que se apresenta com o grupo também em Belo Horizonte na próxima quarta (29).

“Acho que a tecnologia deu ao mundo aquele tipo de baixo que escutamos no hip hop, na música techno e até na indie. Ele está em todos os estilos mais dominantes. Neles, os baixos geralmente nem são mais tocados de verdade", entende.

Na entrevista ao UOL, Taylor também fala sobre trazer o sisudo estilo britânico ao público brasileiro, dono de uma cultura popular “naturalmente sexy”. Ele também recorda como foi voltar a trabalhar com “um dos maiores artistas do século 20”, o guitarrista Nile Rodgers, que ajudou a produzir o último trabalho do Duran Duran ao lado de, entre outros, Mark Ronson.

Sobre o período fora da banda entre 1997 e 2001, quando se dedicou a projetos e tentou virar ator, Taylor é mais direto que qualquer arranjo de baixo que já tenha composto. “Minha vida toda foi dedicada à música, e, atuando, conheci pessoas que trabalharam a vida toda nisso. Foi aí que pensei: ‘OK, a música é realmente o meu negócio’.”

UOL - Ainda dá para se empolgar voltando a Brasil, depois de tantas turnês por aqui?

John Taylor - Claro! Para mim, é empolgante estar no Lollapalooza. Uma oportunidade de tocar para muitos fãs brasileiros que talvez nunca tenha visto o Duran Duran e fazer diferença na vida dessas pessoas. Nós estamos trazendo o show do álbum “Paper Gods”. A banda está em ótima forma. Vamos com nossos clássicos, hits e também sons do disco novo. Em Belo Horizonte, será um show diferente, com nosso set completo.

É sempre uma honra tocar no Brasil. Vocês têm uma cultura fantástica na música. Nós chegamos com esse nosso estilo inglês, que é muito duro e formal às vezes, e aí nos deparamos com uma cultura popular tão naturalmente sexy e diferente de tudo a que estamos acostumados (risos). É interessante.

Como vocês lidam com essas diferenças culturais?

Acho que a dinâmica só funciona quando você é você mesmo. Artistas brasileiros podem ir a Londres e trazer um pouco da cultura brasileira para lá por um momento. Nós representamos a cultura da Inglaterra. No Lollapalooza, esse "intercâmbio" durará uma hora. Nós sempre adoramos as misturas e os desafios. Somos muito aventureiros nesse sentido.

O Duran Duran entrou na Justiça contra a Sony/ATV para tentar recuperar os direitos das músicas dos primeiros discos da banda nos Estados Unidos. A banda perdeu a causa e está recorrendo. Que tipo de envolvimento os integrantes realmente tiveram nesse caso?

Não quero falar sobre isso, porque nós fomos forçados a nos envolver. Para mim, é como falar sobre o meu saldo bancário. É algo que não é algo criativo, que não tem a ver com a música, que é o que realmente me interessa. Prefiro não falar.

OK. Então vamos falar sobre Nile Rodgers. Como foi voltar a trabalhar com ele em “Paper Gods” depois de 11 anos? Que tipo de contribuição ele dá?

Nile sempre traz uma energia musical fantástica. Ele é, sem dúvida, um dos grandes músicos do século 20. É um amigo, e só de estar com ele já é muito inspirador. Ele inspirou o meu jeito de tocar desde que começamos a trabalhar em estúdio. Com o Nile, tenho tocado mais do que nunca toquei. Ele me instiga e muda meu estilo de tocar. Tem um tremendo entendimento do que é a música.

Você criou uma das linhas de baixo mais memorável do pop, a de “Rio”. Por que o baixo parece ter "sumido" da música pop? Para onde foram os baixistas?

(risos) Acho que a tecnologia deu ao mundo aquele tipo de baixo que escutamos no hip hop, na música techno e até na indie. Ele está em todos os estilos mais dominantes. Neles, os baixos geralmente nem são mais tocados de verdade. É tudo muito eletrônico. Mas, de vez em quando, aparece uma “Get Lucky”, uma “Uptown Funk”, e aí você escuta o baixo como de fato ele pode soar.

Ainda existem grandes baixistas. O problema é que é muito difícil fazer algo novo hoje em dia. Mas você já escutou o último álbum da Solange? O baixo do Raphael Saadiq é fantástico! Lindo! Os discos do Anderson .Paak também têm excelentes baixistas tocando.

Mas, realmente, os baixistas estão em falta. Eu assisti ao Grammy e acho que vi só três baixistas em três horas. Sabe? (risos) Acho que é como voltar aos anos 1960, durante a ascensão do rock, sendo um violoncelista. É como ser uma espécie exótica introduzida a outro ecossistema.

Você ficou quatro anos fora do Duran Duran, investindo em projetos solo e na carreira de ator. O que esse período te ensinou?

Na verdade, eu nunca trabalhei de fato solo. Foram colaborações. Mesmo quando  tinha meu nome lá, sempre foi colaborativo. Você não consegue fazer música sozinho. Já trabalhar como ator me mostrou que minha paixão era de fato a música. Minha vida toda foi dedicada à música, e atuando conheci pessoas que trabalharam a vida toda nisso. Foi aí que pensei. “OK, a música é o meu negócio”.

Lollapalooza Brasil 2017

Quando: 25 e 26 de março (sábado e domingo) a partir das 11h
Onde: Autódromo de Interlagos de São Paulo (av. Sen. Teotônio Vilela, 261, Interlagos)
Quanto: Lolla Pass 2º Lote: R$ 920 (inteira); Lolla Day 2º Lote: R$ 590; Lolla Lounge: R$ 1.090 (inteira)
Ingressos: Bilheteria do Citibank Hall (av. das Nações Unidas, 17.955, Santo Amaro), das 13h às 20h, e pela internet (lollapaloozabr.com/ingressos)

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Imagem: Reprodução

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