Música

Erasmo Carlos lamenta morte de Jerry Adriani: "Passamos muita coisa juntos"

Marcela Ribeiro

Do UOL, no Rio

24/04/2017 11h08Atualizada em 25/04/2017 09h08

Familiares e amigos se despediram de Jerry Adriani no velório que aconteceu nesta segunda (24). no cemitério São Francisco Xavier, no Caju, Rio de Janeiro. Bastante abalado, Thadeu Sousa, um dos filhos do cantor não quis gravar entrevistas.

"Reunimos a família e amigos e estou fazendo de tudo para o melhor dele", disse. O irmão Thiago Vivas completou: "Ele era um pai maravilhoso, um grande cantor. Meu irmão deu um netinho para ele em dezembro, ele estava muito feliz".

"Ele deu entrada no hospital no dia 2 de março com uma embolia pulmonar e depois já descobrimos que tinha relação com o câncer. Ele precisou ter uma embolia para poder perceber essa doença grave. Ele sempre foi um cara muito forte, trabalhou a vida toda e cantava em qualquer tempo ruim, podia estar gripado que ele cantava. Foi um diagnóstico difícil e arrasador", relembra Vivas, que confirmou que o pai tinha câncer no pâncreas.

Amigo da época da Jovem Guarda, o cantor Erasmo Carlos relembrou tudo o que viveram juntos. "Era uma amizade de muitos anos, de muita estrada. Passamos muita coisa juntos, desde a época difícil até a época melhor. Um grande amigo a gente nunca esquece", disse o cantor, que afirmou ainda que Jerry Adriani vai deixar um legado. "A gente perde uma pessoa única que se foi para deixar muita saudade. Era um grande cantor, sincero, honesto com o que fazia, feliz e com uma legião de fãs. Ele deixou um legado para mim que adoro e vou continuar ouvindo as músicas dele".

O cantor Silvinho Blau Blau lamentou a perda do amigo no cenário musical e sua morte repentina. "O Jerry é um amigo de estrada. Uma das pessoas que eu mais cruzava, que eu mais encontrava por esse Brasil afora. Além de um grande artista, era uma figura maravilhosa, muito amiga e a gente perde, de fato, um grande artista, um ser humano acima da média, muito especial. É uma grande perda. Infelizmente a vida é assim. Estive com ele em dezembro no aeroporto, ele estava bem", disse.

"Ao menos foi rápido e fulminante porque ele não merecia sofrer, era uma pessoa muito iluminada e muito especial. É uma perda irreparável não só artisticamente mas na vida pessoal, porque o Jerry sempre foi uma grande colega, um querido amigo", completou.

O cantor Agnaldo Timóteo também lamentou a morte de Jerry. "Era um artista completo, versátil, de muitos sucessos. Ele vai embora, mas a sua imagem nunca, vai ficar sempre aqui".

Leleco Barbosa, filho de Chacrinha, prestou as últimas homenagens ao cantor, e admitiu que foi pego desprevenido com a notícia. "A gente era amigo desde quando ele começou a cantar. Ele participava muito do programa do papai, é uma amizade que vai ficar para sempre. Estive com ele no final de fevereiro em uma feijoada, ele estava super bem, ótimo, animado. Pegou todos nós de surpresa, é uma pena, nossa família era muito amiga da dele, deixará muitas saudades."

Tico Santa Cruz também passou pelo Cemitério do Caju para render a última homenagem a Jerry. "Lá pelo ano 2000 o encontrei em um posto de gasolina. Aquela coisa de fã, entreguei um CD a ele. Uns 15 minutos depois, ele voltou e disse 'pô, esse som é bom pra caramba'. Nessa época da sua carreira ninguém dá atenção a você e ele foi e me ouviu. Isso marcou minha vida, independente das outras vezes que nos encontramos. Gravamos um tributo ao Raul, nos vimos em shows desse trabalho, mas esse primeiro encontro marcou minha vida", relembrou o líder do Detonautas.

O roqueiro tem ainda mais um motivo para gostar de Adriani. "Conheço a história de bastidores dele, o quanto lutou e o quanto foi importante para o Raul, meu maior ídolo".
 
A atriz e cantora Lucinha Lins admitiu que foi pega de surpresa pela trágica notícia. "Ele era alguém que conheci minha vida inteira. Leva os filhos a todas nossas peças infantis. Sabia contar histórias como ninguém. É lamentável porque achei que ia ter muito tempo para curtir com ele ainda. Era muito querido".
 
Neguinho da Beija-Flor estava muito emocionado. Ele tinha se encontrado com Jerry na sexta. "Nos conhecíamos há 40 anos. Ele estava com aquele brilho nos olhos, vontade de se recuperar. Segurou a minha mão e disse que ia ficar bem, que deus iria ajudá-lo. Eu tive que segurar para não chorar na frente dele", disse sobre a visita. Um amigo da família de Jerry disse que eles estavam usando o tratamento do cantor da escola carioca, que se recuperou de um câncer no intestino após sete anos, como exemplo.
 
O enterro está marcado para as 17h, também no Cemitério do Caju.

Religioso

Jerry era muito religioso, e o grande amigo Oscar Berro revelou que o cantor tinha vontade de ser enterrado com com cerimônias de diferentes religiões. ""Ele era muito eclético. Mais cedo houve uma missa e agora uma cerimônia espírita. Será dado espaço a representantes de outras religiões que chegarem".

O músico também pediu para que o velório e o enterro fossem abertos ao público.

Morte repentina

O cantor Jerry Adriani morreu neste domingo (23), aos 70 anos. Ele estava internado desde o dia 7 de abril na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Vitória, no Rio, para tratar um câncer. 

Em março, Adriani foi internado por causa de uma trombose venosa profunda na perna direita. Duas semanas depois de receber alta, voltou a ser levado para o hospital devido a complicações.

Após a primeira internação, Adriani chegou a publicar nas redes sociais um vídeo para tranquilizar os fãs. “Para que não se criem falsas verdades, a gente está dizendo que está tudo sob controle e logo, logo estaremos fora daqui para cantar de novo para você. Não vai demorar, se Deus quiser", disse o cantor.

Italianinho boa-praça

Batizado de Jair Alves de Souza, Jerry Adriani começou a carreira gravando canções em italiano, mas estourou mesmo durante a Jovem Guarda, nos anos 1960. Neto de imigrantes do Brás, antigo bairro operário de São Paulo, Jerry Adriani aprendeu ainda criança canções italianas com a avó materna e estudou acordeão. Seu primeiro disco, "Italianíssimo", foi lançado em 1964.

Adriani também fez carreira na televisão, sendo concorrente de Roberto Carlos com atrações dedicadas ao público jovem da época, como o "Excelsior a Go Go" (1966) e o "A Grande Parada", da TV Tupi (1967/1968).

Nos anos 1980, ele foi redescoberto pela nova geração, em muito pela semelhança de seu timbre vocal com o do cantor Renato Russo, de quem, inclusive, chegou a participar de show-tributo. Entre seus grandes sucessos estão "Querida", "Tudo o que É Bom Dura Pouco" e "Doce, Doce Amor", composta por Raul Seixas, que foi seu produtor.

Adriani tinha completado 70 anos em janeiro deste ano e deixa três filhos: Thadeus, Tiago e Joseph.

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