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Drag, punk e rapper: Mykki Blanco chega ao Brasil para confundir

Nicky Digital/Corbis/Getty Images
Mykki Blanco durante show em Williamsburg, no Brooklyn Imagem: Nicky Digital/Corbis/Getty Images

Tiago Dias

Do UOL, em São Paulo

06/06/2017 16h41

Mykki Blanco transpira coragem e ousadia toda vez que sobe ao palco. E embora o que saia das caixas de som seja uma batida de hip-hop, todo o resto é composto por referências das mais diversas: O corpo cheio de tatuagens à mostra, a peruca de drag queen e a energia no palco que parece vinda do punk fazem que com que esse cantor – ou cantora, como preferir – surpreendesse os críticos e os amantes do rap nos Estados Unidos.

A imprensa americana logo se apressou em chamar o artista de “A nova rainha do hip-hop” por sua figura andrógina no palco – Blanco é a persona feminina de Michael David Quattlebaum Jr. --, embora ele mesmo não se reconheça no mesmo universo que Kendrick Lamar, Jay-Z e TuPac. “Eu realmente não conheço esse mundo dos outros rappers, não é o mesmo que o meu”, explica, em conversa com o UOL.

O rapper se apresenta no Brasil pela primeira vez nesta sexta-feira (9), como parte da programação do Red Bull Music Academy, sustentado pelos fãs que conquistou e pelas portas que abriu ao pontapé -- e que o levou a criar seu próprio selo, !K7. “Eu criei meu próprio mundo, com meus próprios fãs. Isso me fez ser muito bem-sucedido e continua permitindo que minha carreira cresça”, explica.

Mykki Blanco, no entanto, foi fruto de um interesse que acompanha Quattlebaum desde a adolescência. “Fui encorajado a escrever desde muito cedo. Me envolvi muito com o teatro e frequentei diferentes escolas de arte, mas abandonei a arte conceitual”, conta. “Mykki Blanco começou como um projeto de videoarte. Eu não tinha expectativas de que virasse um artista com disco gravado, clipes e turnê internacional, etc., mas tudo aconteceu.”

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Mykki Blanco: "Esse mundo dos outros rappers não é o mesmo que o meu" Imagem: Divulgação
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Nascido em Orange, condado da Califórnia, em pleno 1986, quando o gangsta rap estourava nos Estados Unidos, Blanco cresceu sob influência dessa trilha sonora graças a irmã, que costumava gravar fitas com os raps de Notorious BIG, Lauryn Hill e Lil Kim.

“Mas eu só comecei a fazer rap quando fiz 25, muito embora eu tenha ouvido hip-hip minha vida inteira”, explica. “Até então eu me via como performer, como um ator”.

Com inspirações tão distintas, veio seu livro de poemas, “From the Silence of Duchamp to the Noise of Boys”, e mais recentemente “Mykki”, seu primeiro disco cheio lançado em 2015 e que quase não saiu do papel.

Justamente quando começava a decolar, Blanco recebeu a notícia de que era portador do vírus HIV. A diagnóstico o fez questionar se sua essência criativa seria a mesma. “Eu superei o medo de que o HIV me impeça de fazer algo que eu amo. Tive muito o apoio de amigos e fãs”, conta, hoje, mais tranquilo quanto ao assunto.

Fez bem. Ao continuar, inspirou também artistas brasileiros, como o rapper Rico Dalasam, que há dois anos tem renovado as rimas e a estética do rap, e com quem Blanco guarda um desejo nessa visita ao Brasil. “Espero que Rico e eu façamos uma música juntos.”

Fã de Karol Conka --- "Ela é fantástica" --, Blanco está animado em finalmente conhecer o país e dividir o palco com Linn da Quebrada, outra artista que tem discutido a questão do gênero no funk. “Ela tem muito talentoooo”, diz, fazendo referência à música “Talento” da cantora.

“Eu acho que as coisas definitivamente se tornaram mais abertas e continuam sendo. Ser um artista gay com visibilidade é muito importante para culturas em todo o mundo e para a geração mais nova”, diz.

“Gosto de música e gosto muito de performar, mas vou atuar, vou fazer comédia, vou continuar a escrever livros, escrever uma peça de teatro. Continuarei a ser envolvido no mundo da arte. Sou o pacote completo.”

Uma Semana para a Música

Após celebrar a criação musical por meio de festas, performances e palestras em Nova York e Paris, o Red Bull Music Academy Festival está em São Paulo desde o último fim de semana com uma programação fina para quem gosta de música.

Ainda essa semana, o produtor Oneohtrix Point Never estreia na quarta (7) nova peça audiovisual em parceria com o artista Nate Boyce. A festa de encerramento do evento na sexta (9) será comandada pelos DJs John Gómez e Tata Ogan.

Mykki Blanco se apresenta no mesmo dia na noite “Queeridxs”, que explora a identidade como ponto de partida criativa. O rapper se apresenta com a paulista Linn da Quebrada, o duo Tormenda DJ’s e o produtor americano Total Freedom.

O festival também apresenta o show do Racionais MC’s nesta terça-feira (6). As três décadas de carreira do grupo estão sendo recontadas por meio de fotos, vídeos e clipes em exposição inédita na sede do Red Bull Station, na Praça da Bandeira, 137, no Centro de São Paulo.

Mais informações: https://sp.redbullmusicacademy.com/
 

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