Festivais

Cinco coisas que brasileiros podem aprender com americanos sobre festivais

James Cimino
Grupo de brasileiros que a reportagem do UOL acompanhou na EDC Las Vegas Imagem: James Cimino

James Cimino

Colaboração para o UOL, de Las Vegas*

19/06/2017 17h01

Foram três dias de EDM (sigla para electronic dance music) no maior festival do gênero nos Estados Unidos, o EDC, que terminou há poucas horas, na manhã de uma segunda-feira, em Las Vegas, e foi transmitido pelo UOL em parceria com a Red Bull TV.

E apesar de reunir cerca de 150 mil pessoas por dia de evento, é impressionante como não se vê brigas, apesar do elevado consumo de álcool e outras substâncias que ocorrem durante a festa. Mas o que explica isso?

A reportagem do UOL passou cinco horas acompanhando um grupo de brasileiros que vivem aqui e eles têm várias explicações sobre o que os brasileiros têm de aprender para que festivais deste tipo sejam mais prazerosos para quem frequenta. Mas também têm suas críticas aos americanos. Vejam quais são elas:

1 - Organização

Para o motorista de Uber Eduardo Mesck Oliveira, 25, que mora nos EUA há 4 anos e que já foi a festivais na Europa e no Brasil, organização é a palavra que resume o sucesso de um festival como o EDC. Ele elogia o fato de que todos os festivais de “rave” em que esteve por aqui, um item muito importante já salva grande parte da experiência de ser um desastre: água de graça. Outro ponto elogiado por ele foram as áreas de descanso e a possibilidade de vivenciar várias experiências musicais e de entretenimento, como os brinquedos de parque de diversão, queima de fogos etc.

2 - Respeito à diversidade

Quando se fala em diversidade, volta e meia se associa a causas de direitos LGBT, das mulheres ou dos negros. Já no portão de entrada, uma placa gigantesca já dá o tom do EDC: “Aqui todos são bem vindos!” O carioca Vinicius de Andrade, 28, que mora em San Francisco há três anos e que é heterossexual foi quem levantou essa discussão. “Aqui tem respeito pela diversidade. As pessoas não te olham de cara feia nem te agridem porque você é isso ou aquilo ou se veste deste ou daquele jeito. Por isso não rola briga, confusão. É a cultura do americano de não julgar, embora a gente saiba que eles julgam também, mas não fazem isso ostensivamente nem em público.

A estudante de enfermaria Priscila Duarte, 25, que vestia um colant todo sexy, com boa parte do corpo à mostra, disse que outro motivo pelo qual acha que não acontecem brigas é o respeito que as mulheres impõem sobre seu corpo. “Nunca ninguém passa a mão na sua bunda, por exemplo. Os caras quando te elogiam, falam da sua roupa ou falam que você é bonita. Nunca é cantada baixaria.”

3 - Flexibilidade de trabalho

Falando em ser julgado, no Brasil seria quase impossível não ouvir um não de um patrão cujo funcionário pedisse uma folga na segunda-feira para aproveitar um festival de música eletrônica. Mesmo que não é autônomo consegue negociar esse tipo de folga com seus empregadores sem grandes dramas ou sem ter que ouvir que “ir a festival de música eletrônica e passar a madrugada dançando é coisa de drogado e vagabundo”. Quem mencionou isso foi o engenheiro de redes goiano Tulio Costa, 26 anos. “É muito fácil e prático negociar isso por aqui. E o melhor de tudo é que você não tem que mentir pro seu chefe e correr o risco de ser descoberto. Da porta da empresa pra fora, eles não têm nada com sua vida.”

4 - Paquera

O ponto negativo consensual entre todos os entrevistados, no entanto, era de que nos Estados Unidos a paquera é fraca. Quem apontou isso foi o lutador de MMA Sergio de Lima, de 21 anos, há dois morando nos EUA. “Aqui é bem mais complicado, tem que ir com muito mais delicadeza. As pessoas não são tão abertas quanto no Brasil, tanto homens quanto mulheres. É muito comum você ir a um evento desses e sair sem pegar ninguém. Porque, no fundo, o que importa é a festa. E talvez também seja muito por causa do respeito às mulheres que eles têm.” Outra coisa importante: americano sabe ouvir não e não quer saber detalhes de suas pegações pregressas. Se você beijou alguém, isso não quer dizer que vocês ficarão a festa toda juntos. Ao mesmo tempo, brasileiros são mais fieis aos grupos de amigos e fazem de tudo para se encontrar, mesmo que se separem em determinado momento. Para os americanos chegar junto à festa não necessariamente significa voltar pra casa junto.

5 - Flexibilidade

Por fim, mais um ponto levantado pelos brasileiros sobre os eventos em geral nos Estados Unidos é a falta de flexibilidade. Se por um lado o excesso de jeitinho brasileiro atrapalha, por outro lado, os americanos pecam pelo excesso de regras. Para os entrevistados, é importante saber que nem tudo que acontece está no script. E quando há exceção à regra, é bom analisar o momento de forma diferenciada. E, para eles, a falta de flexibilidade acontece inclusive da parte dos frequentadores dos festivais. “Os brasileiros são mais ‘party hard’”, diz Eduardo Oliveira, referindo-se à nossa constante necessidade de festar mais e mais. Ele e Vinicius Andrade explicaram que a coisa mais difícil que tem é achar um “after hours”. “Demorei dois anos pra achar, e é muito controlado, poucas pessoas são convidadas, inclusive porque é contra a lei vender álcool após as 2h da manhã.” Sim, a noite na Califórnia, onde eles vivem, acaba invariavelmente às 2h. “No começo eu achava estranho, mas depois eu vi que as pessoas se estragam menos, trabalham bem no dia seguinte e acabei me acostumando”, completa Oliveira.

*O repórter viajou a convite da Red Bull

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