Música

King Diamond choca os metaleiros com "teatro de horror" na sua volta a SP

Maurício Dehò

Do UOL, em São Paulo

26/06/2017 11h18

Os fãs de King Diamond precisaram aguardar duas décadas para a volta da lenda do metal. E a espera valeu a pena. O dinamarquês, líder da banda que leva seu nome artístico, trouxe seu show completo para São Paulo e chocou os presentes no Espaço das Américas com uma performance tecnicamente impecável e com seu tradicional teatro de horror.

Neste domingo (25), a casa de shows recebeu o Liberation Festival, com Test (única banda brasileira do evento), Heaven Shall Burn, Carcass e Lamb of God, com King Diamond protagonizando a noite e mostrando que, mesmo tendo passado por um grande susto com um ataque cardíaco no começo da década, aparentemente está no ápice de sua forma, aos 61 anos.

O público, por outro lado, também se destacou: de mulheres a senhores, muita gente imitou a pintura no rosto que King exibe no palco. A emoção nos olhos de boa parte do público, que aguardou tanto tempo por um show do vocalista, era visível: letras e falsetes eram entoados junto com os de King Diamond.

O show começou com "Welcome Home", do disco "Them", e já agitou o público, com o vocalista contracenando com uma vovó de cadeira de rodas. King provou o que vinha falando em entrevistas e mostrou que o problema cardíaco --e suas três pontes de safena-- ajudou para que ele encontrasse uma forma física melhor e isso influenciou sua voz. O resultado foi facilmente notável, e os urros e falsetes do dinamarquês foram o ponto alto do show, além de sua presença de palco e os momentos em que entrava no teatro e contracenava com as personagens, contando as histórias de terror de suas letras --vale lembrar que ele é assumidamente um satanista, e não mede palavras para falar disso.

O show seguiu com "Slepless Nights", "Halloween" e "Eye of the Witch", antes de brindar os fãs com duas músicas da outra banda de King, o Mercyful Fate, com quem ele se tornou conhecido, ainda antes de lançar a carreira solo. "Melissa" e "Come to the Sabbath" foram duas das músicas mais festejadas da apresentação, e levaram ao "Abigail".

King Diamond abriu a performance de seu clássico disco com dois roadies encapuzados adentrando o palco com um caixão e levando a ele uma boneca, Abigail. Ele então a mata com um punhal, dando início à macabra história.

Daí para frente, o público sabia o que viria, e o show manteve a pegada épica e teatral de seu início, com a faixa-título do disco e "The Omens" se sobressaindo. O encerramento veio com "Black Horsemen", última música do "Abigail". O público, que tinha representantes de todo o Brasil e até  de Argentina, Paraguai e  Chile, tentou puxar um bis, mas era o fim. A banda agradeceu e King Diamond, ovacionado e emocionado, foi o último a sair do palco. E, vale salientar, nenhuma criatura foi sacrificada durante o espetáculo.

Metal extremo abrindo para o Rei

O festival começou com a única atração nacional em pauta. E foram bem poucos brasileiros em cima do palco, afinal, estamos falando do duo Test. João Kombi (voz e guitarra) e Thiago Barata (bateria) são conhecidos por levar seu grindcore de surpresa para a porta de outros eventos de Kombi e se apresentando em frente ao carro. Mas, com sete anos de experiência e dois discos lançados (sem contar EPs e splits), eles já viraram uma tradicional abertura para os maiores nomes da cena. Não foi diferente, e a violência do Test aqueceu o público, com destaque para as batidas precisas e velozes de Barata.

Vindo da Alemanha e trazendo na bagagem o death metal melódico, o Heaven Shall Burn até que é um nome conhecido na cena, mas não a ponto da idolatria. O grupo está junto desde 1996 e veio divulgar "Wanderer", seu oitavo álbum. Destaque na apresentação cheia de energia da banda para "Black Tears", cover do Edge of Sanity que está sempre no repertório do quinteto. O ponto baixo ficou pelo som.

A terceira banda da noite foi a primeira com status de idolatrada pelos headbangers: Carcass. Liderada pelo baixista e vocalista Jeff Walker, a banda é uma das pioneiras do goregrind e do grindcore, com suas letras cheias de termos médicos e atos pouco agradáveis. O Carcass teve uma grande pausa, mas voltou à ativa para lançar o aclamado "Surgical Steel", bem representado no repertório deste domingo.

A banda foi a que mais arrebatou a atenção do público, competindo com a atração principal. Os riffs marcantes do guitarrista Bill Steer e a voz rasgada de Walker em músicas como "Corporal Jigsaw Quandary",  "Incarnated Solvent Abuse", "Captive Bolt Pistol" e a clássica "Heartwork" mostraram porque eles ainda são um dos reis do metal extremo, em sua terceira passagem pelo Brasil.

Já o Lamb of God, que em 2012 passou por perrengue quando o vocalista Randy Blythe foi preso após um fã que empurrou do palco morrer, em um caso cheio de polêmica, focou só no seu poderoso metal cheio de groove para preparar os metaleiros para o show principal. O grupo é considerado o principal nome no renascimento do metal nos EUA, na década passada, e segue sem tirar o pé do acelerador, agora promovendo seu ótimo sétimo álbum, "VII: Sturm und Drang".

Voltando ao Brasil após cinco anos, o Lamb of God fez o que se esperava: balançou os pescoços da galera com os riffs inconfundíveis de Mark Morton e Will Adler, breakdowns precisos de Chris Adler - que já tocou no Megadeth - e os berros de Blythe liderando a destruição sonora. Destaques para "512", "Now You've Got Something To Die For" e o encerramento com "Redneck".

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