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MC Koringa adere ao coro e critica criminalização do funk: "É uma cultura"

Divulgação/Rodrigo Braga / MF Press Global
MC Koringa Imagem: Divulgação/Rodrigo Braga / MF Press Global

Do UOL, em São Paulo

26/06/2017 13h36

A polêmica proposta legislativa de criminalizar o funk ainda rende e muito. Quem deu sua opinião desta vez foi MC Koringa, dono do hit "Taca Taca", que criticou a ideia do empresário Marcelo Alonso.

"Acho que criminalizar o funk é descarregar uma culpa em uma vertente musical que não tem nada a ver com a origem dos problemas. O descaso com a educação, saúde e por fim com a segurança deveriam ser criminalizados", opinou, em nota, o funkeiro.

Quem desfruta de uma realidade dura, relata ou expressa essa realidade através de atitudes, comportamentos que acabam se tornando culturais. Paralelo a isso, aproveito também para dizer que, assim como em qualquer setor de trabalho, existem bons profissionais e maus profissionais. O funk é um ritmo popular e oriundo das classes mais desfavorecidas”, acrescentou.

"Uma boa parte [dos músicos] visa a carreira com responsabilidade, quer dar uma vida melhor para a família, comprar imóveis, ter um carro e fazer outros investimentos. Já uma outra parte nem sabe o que é ter responsabilidade com o trabalho e visa apenas momentos de ostentação, drogas, relacionamentos aventureiros e outros. Resumindo, o funk é uma cultura, tem bons e maus profissionais e não tem culpa da realidade que é proporcionada a alguns", concluiu.

O senador Romário, escolhido para ser o relator da proposta, pretende fazer em julho uma audiência pública e quer convocar diversos artistas do gênero, como Anitta, MC Marcinho, Cidinho e Doca (compositores do "Rap da Felicidade", Bocheca, Tati Quebra Barraco e o próprio MC Koringa. 

"Eu, como um carioca nato e um eterno funkeiro, sou totalmente contra essa proposta. Além de ser inconstitucional, por atentar contra a liberdade de expressão, o funk tira pessoas do desemprego, gera renda e movimenta a economia", disse o ex-jogador no Senado.

Anitta já tinha usado o Twitter para dizer que é contra a proposta. "Vinte e dois mil desinformados que estão precisando sair do conforto de seus lares para conhecer um pouquinho mais do nosso país", escreveu.

Entenda o caso

O empresário paulista Marcelo Alonso, autor do relatório, reuniu mais de 20 mil assinaturas no site do Senado com a proposta legislativa de criminalizar o funk. 

No texto descritivo da ideia, Marcelo define: “São somente [o funk] um recrutamento organizado nas redes sociais por e para atender criminosos, estupradores e pedófilos a prática de crime contra a criança e o adolescente, venda e consumo de álcool e drogas, agenciamento, orgia, exploração sexual, estupro e sexo grupal” (sic).

A ideia de lei não significa que o funk já foi proibido. O que ocorreu foi o seguinte: qualquer pessoa pode entrar no site do Senado e sugerir uma ideia de lei, e, se em quatro meses ela receber 20 mil assinaturas, é encaminhada para a relatoria que pode dar andamento à lei ou não. 

O jornalista Renato Barreiros, diretor do documentário “O Fluxo” (2014), sobre os bailes funk de rua de São Paulo, e estudioso da cultura da periferia, ironizou a ideia. “Para início de conversa: os principais bandidos do Brasil nunca frequentaram um baile funk. Basta ver as delações premiadas”.

“O funk fala de crime porque ele está inserido naquela realidade. Ele é espelho de um problema social muito maior”, completou. “O funk nunca foi o problema. O problema é a realidade que ele mostra, de uma parcela da população sem perspectiva, com uma taxa de desemprego alta entre jovens. Não adianta matar o mensageiro. E, se proibirem o funk, vai surgir o reggaeton, a cumbia, enfim, as manifestações culturais vão continuar.”

O funkeiro carioca Mr. Catra, autor dos chamados funks "proibidões" e que lançou recentemente o clipe de sua nova (e polêmica) música “Pepeka Chora”, também criticou a proposta. “Eu fico sem reação com alguém simplesmente cogitar a ideia de criminalizar o funk”, reclamou. “O rap americano tem letras muito piores. Em vez de brigar com o funk, por que não briga contra o rap?”, sugeriu. 

“Milhões de pessoas no Brasil vivem do funk. Ele gera empregos e é um movimento cultural legítimo da favela. O problema não é o funk, mas, sim, a educação que os pais não dão para seus filhos. O funk é a cultura do trabalhador. Deixo a sugestão: vamos fazer a mesma coisa lá no Senado. Tenho certeza que teremos milhares de assinaturas apoiando o funk”, finalizou.

Ao UOL o autor da ideia de lei, Marcelo Alonso, 46, afirmou que está democraticamente tentando salvar a juventude. “O funk faz apologia ao crime, fala em matar a polícia. Sou pai de família, e, se eu não me preocupar com o futuro, amanhã só teremos marginais”, disse.

Alonso revelou que teve a ideia de criminalizar o funk após o Facebook suspender duas vezes a página que mantém na rede social contra o estilo. “O Mark [Zuckerberg, criador do Facebook] mandou fechar a minha página por causa das coisas que postamos lá. Mas, se o funk for crime, eles vão ter que obedecer, porque é lei. Estou apenas defendendo o ECA [Estatuto da Criança e do Adolescente]”, disse.

Para o empresário, o funk apela para a vulgaridade. “O axé e o forró também estão indo nesse ritmo. A cultura paulista sempre foi do rock e do hip hop. O paulista não tem esse apelo musical do funk. A música eleva seu estado de espíritom e o funk te irrita e provoca”, concluiu.

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