Festivais

Para público "especial", MecaInhotim traz tendências como atração principal

Rafael Morse
Karol Conká durante show no MecaInhotim no fim de semana Imagem: Rafael Morse

Tiago Dias

Do UOL, em Inhotim (MG)

10/07/2017 16h28

Mais do que a música, é a “experiência” a principal atração dos festivais, e o MecaInhotim, que aconteceu neste final de semana no maior museu ao céu aberto do mundo, não foge à regra.

Desde sexta-feira (8), a mais importante sede de arte moderna no Brasil, em Brumadinho (MG), a 57 km de Belo Horizonte, abriu as portas pela segunda vez ao “maior menor” evento cultural do país.

Com expectativa de público de 9 mil pessoas nos três dias, o MecaInhotim passa longe da dimensão de um Lollapalooza embora o passaporte para o fim de semana de até R$ 440 esteja mais alinhado com um evento maior e internacional. A diferença aqui: eles querem ser pequenos e ainda assim relevantes e influentes para além da música.

De poucos e ótimos shows do trio eletrônico Lumen Kraft ao swing de Jorge Ben Jor, a programação foi calcada também por palestras e workshop, que têm seduzido jovens empreendedores, publicitários, influenciadores e designers (de interiores, moda e até de experiências) o perfil mais encontrado pela reportagem do UOL durante o festival.

"Temos um sonho muito audacioso, no bom sentido da palavra, que é ajudar na construção de uma nova geração, um novo pensamento", explica Rodrigo Santanna. Idealizador do projeto em 2011, ele diz que prefere não enquadrar seu público em classes. “Se tem que usar uma palavra [para definir] eu uso “especial’.”

Quem são

Rafael Morse
Público durante o Festival MecaInhotim no fim de semana Imagem: Rafael Morse


O contato com as tendências e o espaço para dançar mais próximo do palco, da natureza e das obras de Inhotim é o que mais atrai público. “Tem bastante hipster por aí, falando de coisas atuais. É um pessoal mais antenado, que não está só a fim do sexo, drogas e rock'n'roll, que é ótimo, mas se puder integrar mais coisas juntas, melhor”, defende Raquel Leite, 37, na manhã de domingo, no acampamento VIP, com bangalôs a partir de R$ 700 a R$ 2.000.

A área chamada informalmente pela equipe de “glamping” [camping com glamour] não escapou do perrengue típico de um acampamento em outros eventos, como banheiros sem água durante a manhã, conta a paulista. “Mas depois foi de boas”.

Após frequentar o Primavera Sound, em Barcelona, e o Tomorrowland, a produtora de eventos disse ter se tornado adepta aos festivais menores por “fechar o nicho”. “Desses, o meu preferido é o Lolla Chile, que é ‘cozy’ [aconchegante], não te engole”, diz. “Quando a coisa é muito grande, é muito fácil. As pessoas vão meio na onda.”

Rafael Morse
MecaInhotim teve workshops, yoga e trabalhos com argila Imagem: Rafael Morse
Verde-mata e rosa millennial

Com o recém-comprado Spectacles, [óculos de sol capaz de gravar 10 segundos de vídeo para o Snapchat], o mineiro Arthur Castro, 26, registrava partes dessa experiência a melhor dos últimos festivais que o gerente de vendas frequentou. “Gostei porque é exótico.”

Em contraste com o verde da extensa mata em Inhotim, macacões coloridos, tênis do Kanye West, cintos Gucci, câmeras analógicas a tiracolo, garotas como pisca-pisca para prender no cabelo, casais com taças de vinhos e garrafas de saquê e uma profusão de rosa millennial a cor do momento, segundo um frequentador antenado, estava nas roupas e nos cabelos circularam pelas mais de 300 obras distribuídas em 100 hectares.

A obra “Inovação da Cor”, de Hélio Oiticica foi um hit para as poses, e até a modelo e apresentadora da MTV Ellen Milgrau passou alguns minutos em frente à obra em busca da selfie perfeita. No palco secundário, da TNT, o estilista mais badalado do momento, Victor Apolinário, subiu de surpresa para um workshop: Como executar uma sarrada perfeita.

Dentro da programação, entre aulas de yoga, trabalhos com argila e uma palestra sobre levar uma vida rindo de si mesmo, um “talk” discutia o comportamento no futuro. A dinâmica consistia em colocar no papel a manchete que a pessoa gostaria de ler nos próximos anos.

Talita Chiodi, 31, escreveu em letras garrafais: Nada para Chamar de Meu. “É sobre como usar recursos por necessidade e não por posse”, explicou à reportagem a empreendedora paulista, outra estreante no festival. “Fiquei surpreendida. Aqui amplia o repertório. É algo que transcende a curtição", diz. A seleção do público, ela defende, é definido por “disponibilidade e abertura”.

As experiências também podem ser mais triviais, como no workshop para customizar a cordinha do óculos (um dos mais disputados do evento).

Para o fervo, uma lojinha de roupas da badalada marca Farm que aproveitou o festival para apresentar sua primeira banda “institucional", Flor de Sal e o estande de cosmético para caprichar na make e principalmente no glitter, uma marca do festival desde seu início.

A música mesmo chega mais tarde, depois das atividades. No sábado, Karol Conka espantou o frio de 12°C com um show enérgico em um espaço no gramado para no máximo duas mil pessoas. A plateia respondeu com mãos no alto e coro e até uma loira apareceu nos ombros de alguém com a mesmo casaco de franjas da rapper.

No palco TNT, bons shows de nomes novos —e surpreendentes, como Luiza Lian e Tássia Reis, atualizou a pauta musical com frescor e beats.

No mesmo palco, o coletivo mineiro “Lá da Favelinha" botou dançarinos para um duelo de passinho e tentou ensinar os movimentos ao público. No microfone, eles aproveitaram para mandar um recado: “Ano que vem é ‘nóis’ no palco principal, senão a gente nem vem”.

Custo

Toda a experiência tem um custo e, no ano passado, o passaporte para os três dias ao preço de R$ 490 fez as redes sociais torrarem publicamente o evento. Os frequentadores de sempre defendiam: “É toda uma experiência”. Outros bateram que a faixa de preço fazia do Meca um evento elitista.

Após a polêmica - a maior exposição para o festival que até então preferia circular no underground Santanna passou a trabalhar com lotes. Era possível comprar a entrada para os três dias por R$ 150 antes da divulgação da programação. Ele diz ser um desafio ampliar o público e “controlar a escala de experiência física”.

“Não conseguiríamos colocar 20 mil em Inhotim e conservar as obras, propor uma imersão sem ser aquela experiência em um espaço apertado na frente do palco. Começa a ter problemas de serviço de bar, acesso, de segurança, porque misturar públicos diferentes traz uma energia diferente. Às vezes brigas, o que para a gente não é legal”, justifica.

*O repórter viajou a convite da TNT

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