Música

"Sempre canto com o Silvio Santos nos jantares em casa", diz Julio Iglesias

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Julio Iglesias lança no Brasil o novo disco "Dois Corações" Imagem: Divulgação

Felipe Branco Cruz

Do UOL, em São Paulo

06/09/2017 04h00

Com 73 anos de idade e quase 50 anos de carreira, simpático e muito atencioso com a imprensa, há poucas perguntas que nunca foram respondidas por Julio Iglesias. Ciente disso, em entrevista ao UOL para divulgar seu novo disco, a compilação "Dois Corações", lançado recentemente, ele deu a deixa: "O que quer saber de mim que ainda não leu por aí?", disse em português.

Julio Iglesias é o artista latino que mais vendeu discos no Brasil. Conhecido por aqui desde anos 70, seu novo álbum foi feito exclusivamente para o mercado brasileiro e tem quatro duetos gravados em português, com Bruno & Marrone, Zezé Di Camargo & Luciano, Paula Fernandes e Daniel. 

Não é difícil encontrar fãs de Julio Iglesias pelo país. Talvez o mais famoso deles seja Silvio Santos, que carrega em seu carro diversos álbuns do cantor espanhol. A recíproca é verdadeira. Julio não economizou nos elogios ao dono do SBT, amigo de longa data. "Sempre cantamos juntos nos jantares da minha casa. Ele é um cantor natural. Se ele não cantar, ele morre".

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Paula Fernandes em participação especial no show de Julio Iglesias no Rio Imagem: Divulgação

Principais trechos da entrevista

UOL: “Dois Corações”, título de seu novo álbum, é em português. Qual é a importância do mercado brasileiro em sua carreira?

Julio Iglesias: Sou um dos artistas estrangeiros que mais vendeu discos na história do Brasil, o que me deixa muito contente. Sim, é um disco feito para o Brasil, mas ele também tem canções em inglês, dos anos 70 e 80, que são muito importantes para mim. Queria que o público brasileiro conhecesse essas canções.

As quatro primeiras faixas são em português em dueto com cantores sertanejos. O sertanejo é a nova música pop do Brasil?

São músicas belíssimas que cantei com o Bruno & Marrone e com a Paula Fernandes. Regravei outras duas com o Daniel e com o Zezé Di Camargo & Luciano. São artistas que adoro. A música sertaneja é muito parecida com o country americano. Adoro como o Bruno escreve. Tenho uma adoração muito grande pelo Zezé. Mas já cantei com outros brasileiros, não só sertanejos.

É fácil cantar em português?

Não! É muito difícil cantar música brasileira. Ou você é brasileiro ou precisa ter uma disciplina muito forte, como acontece comigo. O português é muito difícil de cantar e interpretar. Mas eu canto nessa língua toda a minha vida. Aprendi a cantar com os grandes, como o Sinatra, Sting, Stevie Wonder. Mas o português sempre tocou o meu coração porque minha família é da Galícia, que fica na fronteira de Portugal. Minha afinidade com a língua é quase genética e o galego é parecido com o português.

Qual língua é mais fácil cantar músicas de amor?

A espanhola, a portuguesa, a italiana e a francesa. São as línguas latinas, meu amigo. Cantar em inglês, alemão, chinês e japonês é muito mais difícil.

Com quase 50 anos de carreira, quais músicas ainda o emocionam?

Sem emoção não posso cantar. Minha história é de emoção, de caráter, de fortaleza e disciplina. Depende do dia, do público, do lugar. Cada música me emociona de uma maneira ou de outra.

O senhor está no Guinness Book como o latino que mais vendeu discos no mundo. Como vê o sucesso de “Despacito”?

A história da música nunca é representada por apenas uma canção. A história da música tem a ver com a popularidade do artista no coração do povo. Tem que ficar na alma do povo por três gerações. Se não, o que fez sucesso foi só a música e não o artista. “Despacito” é maravilhoso e muito importante. É uma canção universal. O que quero ver é outros “Despacitos” mais. Não serve se durar só um dia, 30 dias, seis meses.

Atualmente, Anitta está investindo na carreira internacional e lançou uma música em espanhol. Conhece “Paradinha”?

Ainda não ouvi “Paradinha”. Mas me lembro bem da Anitta na abertura das Olimpíadas cantando com Caetano e Gil a música “Isto Aqui o que é?”. Adorei. Me encantou. Gostei de ver também a Gisele Bündchen desfilando ao som de Tom Jobim. Ela também cantou. Cantou com as pernas.

Roberto Carlos, Caetano, Chico Buarque, Elis Regina fazem parte de uma história da música brasileira. Se Roberto Carlos tivesse feito só “Detalhes”, ele passaria. Mas ele fez 100 canções maravilhosas. Falar de apenas uma canção é importante, mas tem que ter outras 100 mais.

Silvio Santos já disse diversas vezes que é seu fã. Como é a sua relação com ele?

Eu adoro o Silvio Santos. Ele já veio na minha casa [em Miami] com a família várias vezes. A continuidade dele na televisão brasileira é incrível. Há mais de 40 anos que ele frequenta a minha casa. Sempre cantamos juntos nos jantares da minha casa. Ele é um cantor natural. Se ele não cantar, ele morre.

Qual é a importância do sucesso da música latina nos Estados Unidos agora que o presidente é Donald Trump?

A música latina é maravilhosa. Os latinos, o Brasil incluído, têm a oportunidade de mostrar que fazem música de verdade, com rítmica natural e maravilhosa. As canções latinas já foram descobertas nos Estados Unidos com o chá-chá-chá, com o mambo, com a salsa...

Quando entrei nos Estados Unidos, entrei pela música americana em inglês, cantando com Diana Ross, Willie Nelson, Stevie Wonder. Depois fiquei na latina porque a aceitação foi muito grande. Nos Estados Unidos eu fiz sucesso com uma grande música, “To All The Girls I’ve Loved Before”. Ainda canto por lá, já fiz mais de 600 shows em Las Vegas. Mas se você me perguntar se sou um artista estabelecido no mercado americano, te falo a verdade, não sou.

O senhor está preocupado com as políticas anti-imigração de Donald Trump?

Minha preocupação é universal. Não só nos Estados Unidos. Hoje é mais importante que o político seja um administrador. Queremos um presidente que dê cultura e medicina para todos. A universalização da cultura e da medicina é fundamental. Sobre os demais aspectos eu não entendo muito. Não posso falar da política do Brasil porque não conheço. Da Espanha eu entendo menos. Da política americana eu não quero nem comentar. Eu falo de música.

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