Rock in Rio

Sem Gaga, 1ª noite de RiR termina sem gosto como a mistura de pop e rock

Alexandre Matias

Colaboração para o UOL

16/09/2017 09h00

O cancelamento súbito da principal atração da noite de abertura do Rock in Rio 2017 foi o suficiente para frustrar dezenas de milhares de fãs de Lady Gaga, mas não chegou a interferir no andamento desta primeira noite. A lotação da nova Cidade do Rock não pareceu abalada pela ausência da musa pop e o público comemorou animado shows de todas as vertentes musicais em um dia que parecia ter sido pautado neste tema.

Foram shows para todos os gostos: da psicodelia indie do encontro de Céu e Boogarins a rock teen dos 5 Seconds of Summer, passando por axé music, música eletrônica, funk, samba, dance music e pop rock. O público, animado com o astral de shopping center a céu aberto do festival, não se importava com o que ouvia e sorria empolgado para quem subisse no palco. Os chapéus cor de rosa característicos do público de Lady Gaga circulavam pela multidão, mas eram umas das poucas referências à notícia que poderia comprometer a primeira noite do evento.

Rock in Rio/Divulgação
Grávida e plena, Ivete Sangalo fez micareta no Rock in Rio Imagem: Rock in Rio/Divulgação
Duas das principais celebrações aconteceram no Palco Sunset, primeiro quando Fernanda Abreu saudou o funk carioca num show ao lado dos grupos Focus Cia de Dança e Dream Team do Passinho, dois dos principais grupos de dança do gênero, e depois quando o show Salve o Samba! reuniu um time dos sonhos de fato colocando lado a lado ícones da nossa música como Alcione, Monarco, Martinho da Vila e Jorge Aragão e artistas mais novos como Criolo, Mart’nália e Roberta Sá.

Ivete Sangalo começou os trabalhos no palco Mundo e transformou o festival numa enorme micareta ao desfilar seu rosário de hits da axé music - teve “Sorte Grande”, “Festa”, “Arerê”, “Beleza Rara”, “Abalou”, “O Doce”, “Céu da Boca” e até uma inusitada versão para “Imagine” de John Lennon, ainda mais esquisita com a presença da modelo Gisele Bundchen, que abriu o show daquele palco. Mas o público estava ganho. Desbocada, a baiana o entretinha tanto cantando e dançando quanto conversando e fazendo brincadeiras, falando de sua gravidez, citando “Bad Romance” de Lady Gaga ou resgatando “Pro Dia Nascer Feliz”, do Barão Vermelho.

O show foi seguido pela ótima apresentação dos Pet Shop Boys, que começaram parecendo não fazer concessões ao seu setlist, com foco principalmente nas músicas mais recentes de sua carreira, como “Inner Sanctum” e “Burn”, do disco mais recente da dupla, Super, ou o tributo feito ao pai inglês da computação, Alan Turing, em “The Enigma”. Mas depois de “West End Girls” e “It’s a Sin”, seus dois primeiros grandes hits, a dupla inglesa formada por Neil Tennant e Chris Lowe se jogou para o público e proporcionou momentos épicos ao resgatar hits como “Se a Vida É” (apresentada como “a música que vocês nos deram”, antes dos fortes tambores baianos que caracterizam a versão), “Go West”, “Opportunities”, “Left to My Own Devices”, encerrando gloriosamente com seus dois maiores sucessos, “Doming Dancing” - cujo refrão foi um dos maiores uníssonos cantados pelo público da primeira noite - e a versão para “You’re Always on My Mind”, de Elvis Presley.

A dupla foi seguida pela esquecível 5 Seconds of Summer, uma boy band punk de boutique que foi eleita nos últimos três anos a pior banda do ano pelo semanário inglês NME, superando bombas como Nickelback, Chainsmokers e One Direction. Claro que há um certo exagero na premiação (eles não são piores que o Nickelback, embora o páreo seja duro), mas o grupo australiano faz um roquinho fuleiro e sem graça que parece cravar que não há muito critério para subir no palco principal do Rock in Rio. Os fãs curtiram - mas os fãs sempre curtem, afinal são fãs.

A primeira noite do Rock in Rio 2017 terminou com o Maroon 5, que queimou largada gastando seus dois grandes hits logo de saída. Mas sair de cara com “Moves Like Jagger” e “This Love” (as únicas músicas realmente boas do grupo) funcionou e o público aglomerou-se para cantar refrões de olho fechado e balançar as mãos para cima. Um show apenas correto, no limite de quase não ter graça, que fechou bem a primeira noite do festival - que encerrou sem brilho. Não é muito difícil imaginar que Lady Gaga poderia ter feito a festa, jantado todas as outras atrações e elevado a primeira noite a um outro patamar, menos esquecível. Mas, com o Maroon 5, o Rock in Rio terminou seu primeiro dia em uma nota tão sem gosto quanto o próprio conceito de pop rock - essa diluição do rock que batiza o festival com o pop que o mesmo leva em sua alma.

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