Música

Laudir de Oliveira, a lenda brasileira do estúdio que tocou com Joe Cocker

Reprodução
O percussionista Laudir de Oliveira, que morreu aos 76 anos Imagem: Reprodução

Jotabê Medeiros

Do UOL, em São Paulo

18/09/2017 15h52

Em 1969, o brasileiro Laudir de Oliveira chegou a Los Angeles para tentar a sorte como percussionista e foi ver um show de um amigo. Na saída, quando ia embora do teatro, no estacionamento, um homem o abordou. "Você é o Laudir? O percussionista? Quer tocar na gravação de um disco na semana que vem?".

Laudir não sabia quem era o homem, mas topou e, na semana seguinte, chegou ao tal estúdio. "Estava cheio de cabeludos, muita coisa proibida. Eu pensei em fugir, de medo. Mas não deu tempo, acabei gravando. Só depois fiquei sabendo que era o disco 'With a Little Help from My Friends', de Joe Cocker, com o Jimmy Page, Albert Lee", lembrou no ano passado, divertido.

Filho de sergipanos, família de 11 irmãos, natural de Cacique de Ramos (RJ), o lendário percussionista brasileiro de 76 anos morreu neste domingo (17), de infarto, em pleno palco, durante um show no Reduto Pixinguinha, em Olaria, Zona Norte do Rio.

Após 26 anos morando no Exterior (18 anos na Europa, 7 anos nos Estados Unidos, um ano no México), ele tinha se restabelecido em seu bairro de origem e prosseguia em intensa atividade, além de empreender ações educacionais.

Bailarino de gafieira, Laudir tinha vivido ali em Ramos sua iniciação artística. Morava ao lado de um córrego. Do lado de lá, vivia o maestro Moacir Santos, que lhe deu "três dias de aulas de percussão". Baden Powell, amigo da família, visitava sua mãe. Pixinguinha, João da Bahiana, o maestro José Prates: no entorno, conheceu e aprendeu com os maiores.

Na era da contracultura, Laudir fez o nome no Exterior com sua marca inconfundível de ritmista de candomblé. Chegou aos Estados Unidos na mesma época que Airto Moreira. "Ele tocou com Miles Davis e virou músico de jazz. Eu toquei com Joe Cocker e virei músico de rock. Mas até hoje não sei dizer o que é rock. Acho que é baiano o rock", brincou. Não por acaso, seu disco mais recente, com o grupo Urca, Bossa, Jazz, foi o álbum "70 Anos de Raul Seixas", em homenagem ao roqueiro baiano.

Laudir foi para os Estados Unidos, na verdade, acompanhando o espetáculo "Brasiliana", uma turnê que correu o mundo durante 3 anos, com 33 artistas no elenco. Ele tinha sido ator no Brasil, encenou "Antígona", de Sófocles, na companhia de Pascoal Carlos Magno. Mas abandonou a carreira para seguir a trupe. Como músico, formou o Família Sagrada com Luiz Eça, e o Som Imaginário, com Milton Nascimento. Ao deixar ambos, foi substituído por Naná, grande amigo.

Em 1970, ele, Naná Vasconcelos e Airto Moreira, os maiores da percussão brasileira no Exterior, tentaram criar um grupo em Los Angeles (que teria ainda Herbie Hancock no teclado). Mas não deu certo: Airto insistia em colocar a mulher, Flora Purim, como cantora, e Naná era contra ter vocalistas no grupo.

Recrutado pela banda Chicago, onde ficaria até 1981 (e com quem ganhou um Grammy, em 1976), Laudir recentemente foi admitido no Hall da Fama do Rock, junto com o grupo que integrou. Seu toque afro na cozinha da banda a tornou uma das mais longevas do rock, mais de 40 anos na ativa.

Tocou e gravou com Chick Corea, Gerry Mulligan, Lee Ritenour, Sergio Mendes. Sua batida está no disco "Destiny", da banda familiar de Michael Jackson, The Jacksons, entre centenas de outros registros. Uma biografia de Laudir de Oliveira foi escrita por Washington Araújo.

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