Rock in Rio

Aerosmith e Alice Cooper ofuscam atrações do 1º dia de rock no Rock in Rio

Alexandre Matias

Colaboração para o UOL

22/09/2017 10h40

O que aconteceria se Lady Gaga não tivesse cancelado sua participação no Rock in Rio no fim de semana passado? Provavelmente seria uma noite parecida com a desta quinta-feira, que viu a abertura da metade rock do festival carioca. Ou, invertendo a questão do início, caso o Aerosmith cancelasse sua participação, a quinta-feira seria tão vazia quanto foi a primeira sexta-feira do festival. Mas como tudo funcionou como previsto, a metade rock do festival começou bem.

Principalmente a partir das apresentações de seus dois principais headliners - o do Palco Sunset e do Palco Mundo. O primeiro assistiu a um Alice Cooper possuído, cuja personalidade medonha menos tem a ver com a própria idade e mais com o teatro total que promove em sua aparição. O segundo viu a consagração da noite com o show cheio de hits do Aerosmith, o grande foco de atenção da noite, cujo público chegou, em massa, apenas para assisti-lo.

Antes destes, as apresentações foram bem irregulares. A dupla anglo-americana The Kills conseguiu reter atenção do público, que reagiu bem, mas sem muito entusiasmo. Mas foi um show bem melhor do que o da banda Scalene, que abriu o Palco Mundo. Empolgada com sua própria participação no festival, a banda foi prejudicada por um som embolado mas também pela baixa adesão do público e por um repertório sem hits - e chato. A lotação ao redor do palco principal do festival aumentava à medida em que a noite progredia, mas ninguém parecia estar realmente animado com o show da banda brasiliense.

O mesmo não pode ser dito em relação ao Fall Out Boy, como o Kills, alheio àquela noite que tinha um pé no hard rock e no metal. Mas a banda emo não fez feio e animou o público que começava a lotar a Cidade do Rock. Até a apresentação da banda norte-americana, o festival estava bem mais vazio que no fim de semana anterior.

No Palco Sunset, Alice Cooper mostrava toda sua exuberância macabra. Armado de uma banda afiadíssima, ele não teve dificuldade em conduzir o público, mesmo sem gastar todos seus maiores hits. É claro que hinos de sua carreira como “Under My Wheels”, “Feed My Frankenstein”, “No More Mr. Nice Guy” e “Poison” estiveram presentes, mas eles não eram fins em si mesmos - e sim trilhas sonoras para o espetáculo teatral conduzido em frente ao público.

Inventor de grande parte dos recursos cênicos utilizados por bandas de rock pesado e heavy metal nos anos 70 e 80, Alice Cooper esbanjou sangue falso, forçando cenas de violência falsa que encantava o público: seja quando ele era eletrocutado apenas para voltar como um enorme monstro de Frankenstein, quando tinha sua cabeça decepada em uma guilhotina apenas para ser exibida ao público ou quando terminava uma canção prestes a esfaquear uma garota. Tudo absurdamente falso, escancaradamente mentiroso, perfeitamente lúdico. Mesmo perambulando por um terreno hostil em que mortes violentas são acalentadas por guitarras pesadas e vocais redentores. Ao final, Cooper ainda recebeu seu guru sônico Arthur Brown, que, cinco anos mais velho, o inspirou a transformar um show de rock em teatro ao atear fogo em sua própria cabeça e usar maquiagem pesada para encarar o público. Ao som de seu único hit (notadamente, “Fire”), Brown entrou com um capacete pegando fogo e não teve dificuldades em ganhar o público. O final da noite, com uma versão avassaladora para “School’s Out” (que não estava prevista no setlist original), lavou a alma de quem esperava por aquele show, sem dúvida o melhor da noite.

O Def Leppard, que tocou entre o Fall Out Boy e o Aerosmith, não fez feio mas também não emocionou. Talvez o mais impressionante seja a disposição da banda, mesmo anos depois de seu auge, em manter-se firme. Como o Maroon 5, gastou dois de seus principais hits logo de cara (“Animal” e a balada “Love Bites”, que parte do público cantou em sua versão em português, “Mordida de Amor”, do grupo Yahoo) e até citou David Bowie, mas conseguiu manter todos a postos durante todo o show. Mas não por mérito próprio - estavam todos a postos para o show do Aerosmith.

Que entrou sem a menor dificuldade. Desfilando um rosário de hits tão consistente quanto o apresentado por Justin Timberlake no domingo passado, a banda da dupla Steve Tyler e Joe Perry ultrapassou o clichê que os coloca como uma versão piorada dos Rolling Stones e teve o público na mão. Tyler e Perry são os donos da noite, dividindo o equilíbrio da apresentação de maneira quase didática: Perry é o maestro dos riffs e solos, que conduz, à sombra, o que Tyler vocifera à luz, hipnotizando o público, que havia lotado a noite para ver a banda. A química entre os dois é afiadíssima e a sequência de músicas conhecidas (“Love in the Elevator”, “Cryin’”, “Rag Doll”, “Crazy”, “Eat the Rich”, “Sweet Emotion”, versões para Beatles e Fleetwood Mac, culminando com o bis, que teve “Dream On” e “Walk This Way”) fez valer o preço do ingresso para quem foi ver o grupo ao vivo.

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