Rock in Rio

Sextou! Bon Jovi espalha clima de "balada top" para o 5º dia do Rock in Rio

Alexandre Matias

Colaboração para o UOL, no Rio

23/09/2017 11h45

A sexta-feira (22) deste fim de semana no Rock in Rio 2017 foi marcada por uma cisão profunda determinada pela diferença de programação entre os dois palcos principais do festival. Se o Sunset optou por uma verdadeira celebração da música brasileira, foi no Palco Mundo que o público se encontrou, principalmente a partir da presença de seu principal nome. Bon Jovi é um híbrido de tiozão do pavê e vovô garoto que atraiu uma massa de pessoas que nem pareciam estar num festival de rock.

Fora algumas camisetas de banda espalhadas pelo público, o clima da noite era o de “balada top” e faltava desenvoltura para aquele ambiente. Por mais que o Rock in Rio tenha cristalizado uma sensação artificial de se estar em um festival de rock - está mais para um shopping center ou um parque temático do que para um evento em que as pessoas vão pela música -, a sexta-feira foi tomada pelo público mais pop do fim de semana, que parecia quase sempre estar indiferente aos shows. Para essa enorme massa, os grandes eventos da noite foram essencialmente as atrações do Palco Mundo - especificamente Jota Quest, Tears for Fears e Bon Jovi.

Destes, apenas o Tears for Fears desequilibrou. Num show impecável, a banda de Roland Orzabal e Curt Smith parecia intacta no tempo, principalmente pela precisão nos arranjos e pela voz cristalina de Orzabal.  O setlist da banda é um cardápio de pérolas tatuadas em nosso inconsciente - “Head Over Heels”, “Shout”, “Mad World”, “Break it Down Again”, “Advice for the Young at Heart”, “Change”, “Seeds of Love”, “Everybody Wants to Rule the World” e é claro “Shout” - e apesar do repertório essencialmente nostálgico, a dupla conseguiu conectar-se com o presente, seja usando a gravação que a cantora Lorde fez para um de seus hits na abertura ou ao tocar “Creep”, do Radiohead. O único show maiúsculo do palco Mundo na sexta.

Marco Antonio Teixeira/UOL
Animado, Jon Bon Jovi pula e faz caretas durante show no Rock in Rio Imagem: Marco Antonio Teixeira/UOL

Já o Jota Quest e o Bon Jovi estiveram nos dois extremos de um mesmo espectro: esse híbrido bizarro chamado pop rock, em que seus dois elementos parecem se anular. Do lado brasileiro, a banda de Rogério Flausino puxava para o mundo do rock um setlist essencialmente pop, enquanto o norte-americana levava seu hard rock de boutique para o universo da FM. Cheios de hits, os shows empolgavam apenas em seus refrões e escancaravam a proximidade daqueles artistas com a música romântica, com seus “nananas” e “ôôôs” ajudando a levar músicas que poderiam estar num show destes sertanejos baladeiros de hoje em dia a um festival de rock.

No Palco Sunset, no entanto, as coisas eram bem diferentes - e mais sérias. A começar pelo incendiário show do BaianaSystem, que injetou no público uma overdose de groove, riffs e beats eletrizando as entranhas do Rock in Rio com seu carnaval eletrônico que não toca no rádio. A entrada da MC angolana Titica, com seu rebolado agressivo e presença de palco incisiva, tornou mais pesada a colisão sonora do grupo baiano, até que seu Russo Passapusso desceu em direção à massa para puxar ele mesmo uma roda humana que misturava micareta e roda de pogo. Sem dúvida, um dos melhores shows do festival.

O Grande Encontro que reuniu Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e Alceu Valença manteve alto o nível naquele palco, levando ao público uma sequência de sucessos históricos, como “Bicho de Sete Cabeças”, “Belle du Jour”, “Morena Tropicana”, “Táxi Lunar”, “Banho de Cheiro” e “Frevo Mulher”, que fizeram do Rock in Rio uma grande celebração da música nordestina, deixando o público em êxtase.

O mesmo não ocorreu, no entanto, na colaboração entre Ney Matogrosso e a Nação Zumbi, num dos shows mais aguardados do festival. Embora tenha começado com toda a energia típica do repertório abordado - o dos dois discos que Ney gravou com os Secos e Molhados -, a apresentação foi aos poucos assumindo um tom reverente que parecia desconectar as duas atrações - além da falta de intimidade do vocalista com o repertório da Nação. Mesmo com bons momentos, não cumpriu a alta expectativa e merece voltar a ser trabalhado - algo que a própria Nação está cogitando.

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