Música

Músicas de protesto do rock nacional que poderiam ter sido escritas em 2017

Do UOL, em São Paulo

29/09/2017 04h00

Mesmo com algumas sendo escritas há 30 anos, muitas músicas de protesto do rock nacional continuam com temas atuais. O Rock in Rio uniu certos hinos da música brasileira com o momento conturbado que vivemos na política, e em diversos momentos o grito "Fora, Temer" foi ouvido na Cidade do Rock tanto pelo público quanto pelos artistas.

De Legião Urbana e Titãs a O Rappa, a lista a seguir analisa 10 faixas que poderiam ter sido escritas em 2017 no atual cenário político e social do Brasil.

"Que País É Este?" - Legião Urbana

Divulgação
O líder da Legião Ubana, Renato Russo Imagem: Divulgação

Renato Russo escreveu a música em 1978, quando ainda pertencia ao Aborto Elétrico. "Havia a esperança de que algo iria realmente mudar no país, tornando-se a música então totalmente obsoleta. Isto não aconteceu", analisou Renato sobre o motivo de demorar para gravar a canção. Passados quase 40 anos, a situação parece continua a mesma e o hit ainda é lembrado como sinônimo de protesto contra a classe política brasileira e a situação dos índios no Brasil: "Nas favelas, no Senado/Sujeira pra todo lado/Ninguém respeita a Constituição/Mas todos acreditam no futuro da nação".

"Luiz Inácio (300 Picaretas)" - Os Paralamas do Sucesso

Douglas Shineidr/UOL
O cantor e guitarrista Herbert Vianna, do Paralamas do Sucesso Imagem: Douglas Shineidr/UOL

O ex-presidente Lula afirmou no início da década de 90, que havia 300 picaretas no Congresso Nacional. Herbert Vianna usou a frase para construir a música de 1995. O compositor destrincha Brasília e aponta a corrupção dos políticos: "Luiz Inácio falou, Luiz Inácio avisou/ É lobby, é conchavo, é propina e jeton/Variações do mesmo tema sem sair do tom/ Brasília é uma ilha, eu falo porque eu sei/ Uma cidade que fabrica sua própria lei". Por outro lado, 22 anos depois, Luiz Inácio Lula da Silva é reu pela Lava Jato acusado de corrupção e lavagem de dinheiro, e os 300 podem ser a quantia em milhões de reais que o político é acusado de receber de propina.

"Vossa Excelência" – Titãs

Marco Antonio Teixeira/UOL
Titãs abre o Palco Mundo no 6º dia de Rock in Rio Imagem: Marco Antonio Teixeira/UOL

À época do mensalão, em 2005, o Titãs apresentou esta faixa inédita escrita por Paulo Miklos, Tony Bellotto e Charles Gavin. "Estão nas mangas dos senhores ministros / Nas capas dos senhores magistrados / Nas golas dos senhores deputados / Nos fundilhos dos senhores vereadores", vociferava Miklos antes de chegar para o refrão, em que chama de "ladrão" e "filho da p***" figuras importantes envolvidas em escândalos de corrupção. Apesar do mensalão já ter entrado para a história -- e muitos terem esquecidos -- os políticos continuam sendo julgados e novos atos ilícitos aparecem quase diariamente.

"Saquear Brasília" - Capital Inicial

AP
Dinho Ouro Preto no Rock in Rio com o Capital Inicial Imagem: AP

Em 2012, o Capital lançava "Saquear Brasília", um tema anárquico em que Dinho conclama para reunir todas as pessoas -- "amigos", "pais, "filhos" e "filhas"-- e tomar o que é nosso em Brasília. A música continua autêntica e poderia ter sido escrita neste ano pelos motivos para que seja necessário tal intervenção popular na capital federal: "Eles mentem e não sentem nada / Eles mentem na sua cara". "Se os brasileiros não percebem os políticos como confiáveis e votam neles, é porque não veem alternativas. Acredito que se houvesse uma opção na cédula para anular a eleição, muitos poderiam optar por isso", disse Dinho na época em entrevista ao UOL.

"Inútil" - Ultraje a Rigor

Julio Cesar Guimaraes/UOL
Roger Moreira, vocalista e guitarrista do Ultraje a Rigor Imagem: Julio Cesar Guimaraes/UOL

Independente de qual lado político você seja, o fato é que a ex-presidente Dilma Rousseff sofreu impeachment e Michel Temer, que ocupou o cargo vago, sofre com uma reprovação de 77%, pior resultado desde a ditadura. Roger Moreira, líder do Ultraje, já inicia a faixa com o verso "A gente não sabemos escolher presidente", mas também introduz diversas críticas sociais, como os empréstimos a juros exorbitantes dos bancos, a falta de infraestrutura e as burocracias que cercam o país. Tudo isso com o humor ácido do compositor, que ainda brinca: "A gente joga bola e não consegue ganhar"

"Pátria Amada" – Inocentes

Reprodução
Álbum "Adeus Carne", do Inocentes Imagem: Reprodução

"Pátria Amada, de quem você é afinal? Do povo das ruas ou do Congresso Nacional?", perguntou o Inocentes em 1987 no álbum "Adeus Carne", uma adaptação do hino nacional. As questões para o Brasil vem de uma voz cansada de tanta desilusão, já que "cantei hinos em seu louvor mas tudo o que fiz nada adiantou". A pátria ainda amada por uns e odiada por outros segue decepcionando os brasileiros com "palavras vazias e promessas no ar", onde a pobreza cresceu pelo segundo ano consecutivo, segundo pesquisa da FGV. Como termina a música, "Pátria Amada, idolatra, salve, salve-se quem puder".

"Até Quando Esperar" - Plebe Rude

Rogério Gomes/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo
Philippe Seabra faz show com a Plebe Rude Imagem: Rogério Gomes/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo

A roubalheira enraizada pelo alto comando do Brasil já foi discutida no hino do Plebe Rude. Joel Gutje e Philippe Seabra esmiuçaram a desolação do brasileiro em "O Concreto Já Rachou", de 1985, apontando "cadê sua fração?" com "Tanta riqueza por aí". O grupo punk ainda define que até quando vamos esperar a "plebe ajoelhar esperando a ajuda de Deus"?. O tema fez parte da trilha sonora de "Os Dias Eram Assim", série produzida pela Rede Globo neste ano.

"Não Devemos Temer" - Garotos Podres

Reprodução
Logo da banda Garotos Podres Imagem: Reprodução

Gritos de "Fora, Temer", mensagens no Rock in Rio como "Amar sem Temer" e faixas cujo alvo é o presidente da república poderiam ser descritas em "Não Devemos Temer", música do Garotos Podres de 1993. Um dos nomes mais importantes punk nacional celebra a união do povo -- "Eles são um / Nós somos milhões -- para que o sistema caia. "Não devemos temer os que detêm o poder", afirma a banda. Versando sobre os ataques constantes pelos quais a gigantesca população brasileira é acometida, a faixa anárquica prega uma revolução no Brasil para uma sociedade justa.

"Miséria S.A" - O Rappa

Reprodução
Capa do álbum "Rappa Mundi", de O Rappa Imagem: Reprodução

Tantas crianças que pedem dinheiro nos semáforos são lembrados por essa música d'O Rappa no álbum "Rappa Mundi". Composta por Marcelo Yuka, ex-baterista da banda, em 1995, a canção traz um depoimento comum das pessoas que enfrentam sol e chuva para tentar tirar um troco no farol. "Senhoras e senhores estamos aqui / Pedindo uma ajuda por necessidade / Pois tenho irmão doente em casa / Qualquer trocadinho é bem recebido". A música também é uma crítica àqueles que não tratam bem os pedintes de rua, colocando a miséria como uma grande instituição.

"Desordem" - Titãs

Reprodução
Titãs na década de 80 Imagem: Reprodução

"Os presos fogem do presídio/ Imagens na televisão / Mais uma briga de torcidas / Acaba tudo em confusão / A multidão enfurecida / Queimou os carros da polícia". Os versos parecem ter saído de algum jornal noturno da televisão, mas na verdade completam 30 anos neste 2017. A faixa é tão atual que impressiona, questionando se ainda temos futuro como sociedade e "O que mais pode acontecer / Num país pobre e miserável?". Violências nas ruas, caos político em Brasília e população enfurecida querendo seus direitos. O que mudou no Brasil dos anos 80 para agora?

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