Música

Sucesso nos anos 1980, A-Ha diz que só agora se sente como uma banda

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Paul Waaktaar-Savoy, Morten Harket e Magne Furuholmen: O A-Ha de 2017 está desacelerado, mas mais unido Imagem: Divulgação

Tiago Dias

Do UOL, em São Paulo

06/10/2017 12h59

Se você tem mais de 30 anos, o A-Ha dispensa apresentações. A partir do momento em que o single de estreia “Take On Me” atingiu as rádios e as paradas em 1985, algo ficaria eternizado na memória de milhões de fãs – fosse o irresistível riff no sintetizador ou a imagem de ‘pin up boys’ nórdicos que decoravam os quartos das garotas na época.

Com 54 anos nas costas, o tecladista Magne Furuholmen conta que achava engraçado os gritos das mulheres nos shows naquela época. Ele continua a rir hoje, mas de alívio: “É, esses dias ficaram para trás”, disse ao UOL, em entrevista por telefone. “Agora começamos a nos comportar como um grupo”.

Ter vivido no olho desse furacão midiático fez o trio norueguês ameaçar jogar tudo para o alto – e o fez de fato em 2009 --, mas só agora os garotões de meia-idade encontram a harmonia perfeita entre eles. “Estamos mais próximos como banda. Instintivamente nós começamos a nos comportar como um grupo, um grupo com o mesmo gosto. Projetamos a maneira como sentimos as coisas como algo do coração.”

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"MTV Unplugged: Summer Solstice" Imagem: Divulgação
Assim como os bramidos dos fãs, os sintetizadores e baterias eletrônicas que sempre marcaram o som do grupo ficam de lado no novo disco, “MTV Unplugged: Summer Solstice”, que chega às lojas e às plataformas de streaming nesta sexta-feira (6).

Em formato acústico, a apresentação que gerou CD e DVD por pouco não foi gravado no Brasil.

Apaixonado pelo país, onde o A-Ha ostenta o maior público da carreira (foram 200 mil pessoas no Rock in Rio em 1991), Magne conta que a vontade era levar o formato para o Pará ou Amazônia, em Manaus. “O Brasil obviamente é um dos lugares mais fantásticos para tocar e visitar, é onde fizemos nossas maiores apresentações”, conta.

A logística para a gravação se mostrou difícil e custosa, mas a banda deixa no ar uma possível turnê pela América do Sul em 2018. “Foi um lugar que nos últimos anos, quando voltamos, sentimos ainda havia uma relação forte com nossa música.”

Maduros e filosóficos

Sem o calor do Norte brasileiro, acabou que o acústico do A-Ha reforçou o gosto de retorno às origens. Gravado na ilha de Giske, na terra natal dos integrantes, a gravação consegue tirar frescor e fez o trio se aventurar em versões desaceleradas de seus principais sucessos. “Take on Me”, por exemplo, está quase irreconhecível no arranjo minimalista ao piano de Magne.

Sem a produção eletrônica da época, que fez muito topetudo dançar, as canções voltam à estrutura original quando foram compostas ao piano ou ao violão, conta o tecladista. “Isso se tornou um ótimo exercício. Havia algo na atmosfera que nos fez encarar outras coisas de uma forma diferente. Isso nos deixou mais atentos às coisas ao redor, e deu valor ao encontro de nós três em um estúdio. Vivemos as melhores semanas e durante os ensaios a criatividade transbordava. Foi uma experiência incrível”, comemora o tecladista.

Como um casamento

Desse reencontro, surgiram canções novas, como “This is Our Home” [Este é nosso lar], que abre o disco. Apesar do título, é uma canção mais política do que uma mera ode à Noruega.

“Foi o oposto. Assistíamos muita TV na época de gravação, durante a eleição americana. Pensamos nesse ódio por pessoas de opiniões diferentes, essa misoginia, esse conflito em todo o mundo contra pessoas de outras etnias e religiões. Começou como algo simples, uma mensagem para cuidarmos uns dos outros, e nos lembrar de onde viemos”, aponta.

Estaria o A-Ha se tornando mais filosófico com o amadurecimento? O músico diz que é apenas a boa fase que fez abrir um novo horizonte artístico.

“O fato é que a nossa música sobreviveu a um momento de moda, e isso não acontece com todo mundo. As pessoas vêm sempre falar comigo nos aeroportos, chega cartas, gente mais velha vem falar comigo: ‘Sua música mudou minha vida, eu preciso agradecer’”, explica o músico que em determinado ponto da carreira, chegou a sugerir terapia em grupo para aparar as arestas da banda.

“Nós começamos muito próximos, mas com o passar dos anos nos tornamos mais e mais individualistas e menos e menos colaborativos, o que tudo bem, acho que produzimos boas canções nessa época. Foram 30 anos de relação, e é como um casamento”, explica.

O segredo para a longevidade dessa relação? “Acho que paramos de lutar contra nosso sucesso.”

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